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Serviço de Seleção do Pessoal da Marinha (SSPM) · Marinha do Brasil — Colégio Naval 2024

Questão 13 — Língua Portuguesa: Interpretação de Texto

Língua Portuguesa Interpretação de Texto

Serviço de Seleção do Pessoal da Marinha (SSPM) 2024

Marinha do Brasil — Colégio Naval · Concurso Público de Admissão ao Colégio Naval (CPACN) · Caderno Amarela

Gabarito disponível

Texto-base:
Texto III (questões 13 a 17)

Como ensinar

Se eu fosse ensinar a uma criança a arte da jardinagem, não começaria com as lições das pás, enxadas e tesouras de podar. Eu a levaria a passear por parques e jardins, mostraria flores e árvores, falaria sobre suas maravilhosas simetrias e perfumes; a levaria a uma livraria para que ela visse, nos livros de arte, jardins de outras partes do mundo. Aí, seduzida pela beleza dos jardins, ela me pediria para ensinar-lhe as lições das pás, enxadas e tesouras de podar.
Se fosse ensinar a uma criança a beleza da música, não começaria com partituras, notas e pautas. Ouviríamos juntos as melodias mais gostosas e lhe falaria sobre os instrumentos que fazem a música. Aí, encantada com a beleza da música, ela mesma me pediria que lhe ensinasse o mistério daquelas bolinhas pretas escritas sobre cinco linhas. Porque as bolinhas pretas e as cinco linhas são apenas ferramentas para a produção da beleza musical. A experiência da beleza tem de vir antes.
Se fosse ensinar a uma criança a arte da leitura, não começaria com as letras e as sílabas. Simplesmente leria as estórias mais fascinantes que a fariam entrar no mundo encantado da fantasia. Aí, então, com inveja dos meus poderes mágicos, ela desejaria que eu lhe ensinasse o segredo que transforma letras e sílabas em estórias.
É muito simples. O mundo de cada pessoa é muito pequeno. Os livros são a porta para um mundo grande. Pela leitura vivemos experiências que não foram nossas e então elas passam a ser nossas. Lemos a estória de um grande amor e experimentamos as alegrias e dores de um grande amor. Lemos estórias de batalhas e nos tornamos guerreiros de espada na mão, sem os perigos das batalhas de verdade. Viajamos para o passado e nos tornamos contemporâneos dos dinossauros. Viajamos para o futuro e nos transportamos para mundos que não existem ainda.
Lemos as biografias de pessoas extraordinárias que lutaram por causas bonitas e nos tornamos seus companheiros de lutas. Lendo, fazemos turismo sem sair do lugar. E isso é muito bom.

ALVES, Rubem.
Disponível em: https://www.revistaprosaversoearte.com/como-ensinar-uma-extraordinaria-cronica-de-rubem-alves/
Acesso em 24 nov. 2023 - adaptado.

O autor inicia os três primeiros parágrafos do texto III com uma conjunção subordinativa condicional. Qual a intenção dele com essa repetição?
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

A repetição do 'se' condicional sugere outra forma de ensinar, pela beleza e pelo encantamento.

O 'Se eu fosse ensinar...' abre hipóteses que propõem começar pela experiência da beleza (jardins, música, histórias) para que a criança peça depois a técnica. Isso sugere um outro modo de ensinar, que motiva a criança e gera amor ao saber.

Análise das alternativas

B) O foco não é dizer que cada educador tem seu método, mas propor um caminho específico. C) O texto não é sobre crianças do Brasil nem desaconselha educá-las. D) Não afirma que nada pode ser regra nem critica a educação tradicional como falha geral. E) Não há ironia contra quem tem muita teoria e pouca prática.

Referência: Rubem Alves, 'Como ensinar'.

Resolução comentada do VaiConcursos.

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Gabarito: A

Fonte: Gabarito preliminar: Gabarito pós-recursos — 2º dia, prova AMARELA