Pular para o conteúdo

Colégio Militar de Juiz de Fora 2014

Questão 12 — Língua Portuguesa: Termos da Oração — Análise Sintática

Língua Portuguesa Termos da Oração — Análise Sintática

Colégio Militar de Juiz de Fora 2014 Fundamental

Colégio Militar de Juiz de Fora · Admissão ao 1º ano do Ensino Médio · Caderno Prova 1

Gabarito disponível

Texto-base:
TEXTO III

A ÁGUIA QUE (QUASE) VIROU GALINHA

Por: Rubem Alves

1 Era uma vez uma águia que foi criada num galinheiro. Cresceu pensando que era galinha. Era uma galinha estranha (o que a fazia sofrer). Que tristeza quando se via refletida nos espelhos das poças d'água tão diferente! O bico era grande demais, adunco, impróprio para catar milho, como todas as outras faziam. Seus olhos tinham um ar feroz, diferente do olhar amedrontado das galinhas, tão ao sabor do amor do galo.

Fotografia em preto e branco: cabeça de uma águia, à esquerda, voltada para uma galinha pequena, à direita, sobre fundo escuro.

2 Era muito grande em relação às outras, era atlética. Com certeza sofria de alguma doença. E ela queria uma coisa só: ser uma galinha comum, como todas as outras.

3 Fazia um esforço enorme para isso. Treinava ciscar com bamboleio próprio. Andava meio agachada, para não se destacar pela altura. Tomava lições de cacarejo.

4 O que mais queria: que seu cocô tivesse o mesmo cheiro familiar e acolhedor do cocô das galinhas. O seu era diferente, inconfundível. Todos sabiam onde ela tinha estado e riam.

5 Sua luta para ser igual a levava a extremos de dedicação política. Participava de todas as causas. Quando havia greve por rações de milho mais abundantes, ela estava sempre na frente. Fazia discursos inflamados contra as péssimas condições de segurança do galinheiro, pois a tela precisava ser arrumada, estava cheia de buracos (nunca lhe passava pela cabeça aproveitar-se dos furos para fugir, porque o que ela queria não era a liberdade, era ser igual às outras, mesmo dentro do galinheiro).

6 Pregava a necessidade de uma revolução no galinheiro. Acabar com o dono que se apossava do trabalho das galinhas. O galinheiro precisava de uma nova administração galinácea. (Acabar com o galinheiro, derrubar as cercas, isso era coisa impensável. O que se desejava era um galinheiro que fosse bom, protegido, onde ninguém pudesse entrar – muito embora o reverso fosse “de onde ninguém pudesse sair”).

7 Aconteceu que, um dia, um alpinista que se dirigia para o cume das montanhas passou por ali. Alpinistas são pessoas que gostam de ser águias. Não podendo, fazem aquilo que chega mais perto. Sobem a pés e mãos, até as alturas onde elas vivem e voam. E ficam lá, olhando para baixo, imaginando que seria muito bom se fossem águias e pudessem voar.

8 O alpinista viu a águia no galinheiro e se assustou.

9 — O que você, águia, está fazendo no meio das galinhas? Ele perguntou.

10 Ela pensou que estava sendo caçoada e ficou brava.

11 — Não me goza. Águia é a vovozinha. Sou galinha de corpo e alma, embora não pareça.

12 — Galinha coisa nenhuma, replicou o alpinista. Você tem bico de águia, olhar de águia, rabo de águia, cocô de águia. É ÁGUIA! Deveria estar voando... E apontou para minúsculos pontos no céu, muito longe, águias que voam perto dos picos das montanhas.

13 — Deus me livre! Tenho vertigem das alturas. Me dá tonteira. O máximo, para mim, é o segundo degrau do poleiro, ela respondeu.

14 O alpinista percebeu que a discussão não iria a lugar nenhum. Suspeitou que a águia até gostava de ser galinha. Coisa que acontece frequentemente. Voar é excitante, mas dá calafrios. O galinheiro pode ser chato, mas é tranquilo. A segurança atrai mais que a liberdade.

15 Assim, fim de papo. Agarrou a águia e enfiou dentro de um saco. E continuou sua marcha para o alto da montanha.

16 Chegando lá, escolheu o abismo mais fundo, abriu o saco e sacudiu a águia no vazio. Ela caiu. Aterrorizada, debateu-se furiosamente, procurando algo a que se agarrar. Mas não havia nada. Só lhe sobravam as asas.

17 E foi então que algo novo aconteceu. Do fundo de seu corpo galináceo, uma águia, há muito tempo adormecida e esquecida, acordou, se apossou das asas e, de repente, ela voou.

18 “Lá de cima olhou o vale onde vivera. Visto das alturas, ele era muito mais bonito. Que pena que há tantos animais que só podem ver os limites do galinheiro!”

Disponível em: <www.biblipage.com/aguia.html>
Acesso em 02/10/2014.
Texto adaptado.

Vocabulário:
Adunco: recurvado, curvo (1º parágrafo)

12. Os termos sublinhados e numerados em “Pregava a necessidade de uma revolução no galinheiro.” (texto III, 6º parágrafo) representam, do ponto de vista sintático, as seguintes funções, respectivamente:

Frase "Pregava a necessidade de uma revolução no galinheiro." com "a necessidade" sublinhado e numerado 1, e "de uma revolução" sublinhado e numerado 2.Trecho reproduzido do original, com os termos sublinhados e numerados.
Selecione uma alternativa

Ver gabarito

Gabarito: D

Fonte: Gabarito preliminar: Gabarito da Prova de Língua Portuguesa — página 2