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EPCAR — Escola Preparatória de Cadetes do Ar · Comando da Aeronáutica — Academia da Força Aérea (AFA)

Questão 09 — Língua Portuguesa: Coesão Textual

Língua Portuguesa Coesão Textual

EPCAR — Escola Preparatória de Cadetes do Ar

Comando da Aeronáutica — Academia da Força Aérea (AFA) · Exame de Admissão ao CFOAV/CFOINT/CFOINF · Caderno Versão A

Gabarito disponível

Texto-base:
TEXTO I

MULHER BOAZINHA
(Martha Medeiros)

Qual o elogio que uma mulher adora receber?
Bom, se você está com tempo, pode-se listar aqui
uns setecentos: mulher adora que verbalizem seus
atributos, sejam eles físicos ou morais.
[5] Diga que ela é uma mulher inteligente, e ela irá com
a sua cara.
Diga que ela tem um ótimo caráter e um corpo que é
uma provocação, e ela decorará o seu número.
Fale do seu olhar, da sua pele, do seu sorriso, da
[10] sua presença de espírito, da sua aura de mistério, de
como ela tem classe: ela achará você muito observador
e lhe dará uma cópia da chave de casa.
Mas não pense que o jogo está ganho: manter o
cargo vai depender da sua perspicácia para encontrar
[15] novas qualidades nessa mulher poderosa, absoluta.
Diga que ela cozinha melhor que a sua mãe, que ela
tem uma voz que faz você pensar obscenidades, que ela
é um avião no mundo dos negócios.
Fale sobre sua competência, seu senso de
[20] oportunidade, seu bom gosto musical.
Agora quer ver o mundo cair?
Diga que ela é muito boazinha.
Descreva aí uma mulher boazinha.
Voz fina, roupas pastel, calçados rente ao chão.
[25] Aceita encomendas de doces, contribui para a igreja,
cuida dos sobrinhos nos finais de semana.
Disponível, serena, previsível, nunca foi vista
negando um favor.
Nunca teve um chilique.
[30] Nunca colocou os pés num show de rock.
É queridinha.
Pequeninha.
Educadinha.
Enfim, uma mulher boazinha.
[35] Fomos boazinhas por séculos.
Engolíamos tudo e fingíamos não ver nada,
ceguinhas.
Vivíamos no nosso mundinho, rodeadas de
panelinhas e nenezinhos.
[40] A vida feminina era esse frege: bordados, paredes
brancas, crucifixo em cima da cama, tudo certinho.
Passamos um tempão assim, comportadinhas,
enquanto íamos alimentando um desejo incontrolável de
virar a mesa.
[45] Quietinhas, mas inquietas.
Até que chegou o dia em que deixamos de ser as
coitadinhas.
Ninguém mais fala em namoradinhas do Brasil:
somos atrizes, estrelas, profissionais.
[50] Adolescentes não são mais brotinhos: são garotas da
geração teen.
Ser chamada de patricinha é ofensa mortal.
Pitchulinha é coisa de retardada.
Quem gosta de diminutivos, definha.
[55] Ser boazinha não tem nada a ver com ser generosa.
Ser boa é bom, ser boazinha é péssimo.
As boazinhas não têm defeitos.
Não têm atitude.
Conformam-se com a coadjuvância.
[60] PH neutro.
Ser chamada de boazinha, mesmo com a melhor das
intenções, é o pior dos desaforos.
Mulheres bacanas, complicadas, batalhadoras,
persistentes, ciumentas, apressadas, é isso que somos hoje.
[65] Merecemos adjetivos velozes, produtivos, enigmáticos.
As “inhas” não moram mais aqui.
Foram para o espaço, sozinhas.

(Disponível em: http://pensador.uol.com.br/frase/NTc1ODIy/ acesso em 28/03/14)

Consideramos como elementos de coesão todas as palavras ou expressões que servem para estabelecer elos, para criar relações entre os segmentos do discurso. Nesse sentido, assinale a alternativa que apresenta uma análise INCORRETA.
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

A análise incorreta é a A: 'não obstante' tem valor adversativo/concessivo e muda o sentido de 'enfim'.

'Enfim' introduz uma conclusão, mas 'não obstante' equivale a 'apesar disso' ou 'contudo' e indica oposição. A troca altera o sentido, e por isso a análise A é incorreta.

Análise das alternativas

B: 'mas' inverte a argumentação ao advertir que o jogo não está ganho. C: 'isso' retoma os adjetivos antes listados que caracterizam a mulher de hoje. D: em 'Até que chegou o dia', 'até' marca o limite no tempo.

Referência: Coesão: conectivos e anáfora; valor semântico das palavras de ligação.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Ver gabarito

Gabarito: A

Fonte: Gabarito preliminar: Gabarito oficial — Versão A