Gabarito disponível
Texto-base:
As questões de 29 a 32 referem-se ao Texto 2, do psicanalista uruguaio Marcelo Viñar, ou aos Textos 1 e 2.
TEXTO 2
1 Nos estudos de antropologia política de Pierre Clastres*, estudioso francês que conviveu durante
muito tempo com tribos indígenas sul-americanas, menciona-se o fato de frequentemente os membros
dessas tribos designarem a si mesmos com um vocábulo que em sua língua era sinônimo de “os
homens” e reservavam para seus congêneres de tribos vizinhas termos como “ovos de piolho”, “sub-
5 homens” ou equivalentes com valor pejorativo.
Trago esta referência – que Clastres denomina etnocentrismo – eloquente de uma xenofobia em
sociedades primitivas, porque ela é tentadora para propor origens precoces, quem sabe constitucionais
ou genéticas, no ódio ou recusa das diferenças.
A mesma precocidade, dizem alguns, encontra-se nas crianças. Uma criança uruguaia, com clara
10 ascendência europeia, como é comum em nosso país, resultado do genocídio indígena, denuncia, entre
indignada e temerosa, sua repulsa a uma criança japonesa que entrou em sua classe (fato raro em
nosso meio) e argumenta que sua linguagem lhe é incompreensível e seus traços são diferentes e
incomuns.
Se as crianças e os primitivos reagem deste modo, poder-se-ia concluir – precipitadamente – que
15 o que manifestam, de maneira tão primária e transparente, é algo que os desenvolvimentos posteriores
da civilização tornarão evidente de forma mais complexa e sofisticada, mas com a mesma contundência
elementar.
Por esse caminho, e com a tendência humana a buscar causalidades simples e lineares, estamos
a um passo de “encontrar” explicações instintivas do ódio e da violência, em uma hierarquização em que
20 a natureza precede a cultura, território de escolha das argumentações racistas. A “natureza” – o
“biológico” como “a” origem ou “a” causa – operam como explicação segura e tranquilizadora ante
questões que nos encurralam na ignorância e na insegurança de um saber parcial. [...]
(*) Pierre Clastres (1934-1977)
(VIÑAR, M. O reconhecimento do próximo. Notas para pensar o ódio ao estrangeiro. In: Caterina Koltai (org.) O estrangeiro. São Paulo: Escuta; Fapesp, 1998)
Considere o primeiro parágrafo do Texto 2 (linhas 1 a 5) e a tirinha abaixo.
Dik Browne

(http://geografiaetal.blogspot.com.br/2012/04/hagar-o-horrivel.html)
O par de pronomes que expressa a dicotomia dos conjuntos tribos/navegantes e tribos vizinhas/não navegantes é
As questões de 29 a 32 referem-se ao Texto 2, do psicanalista uruguaio Marcelo Viñar, ou aos Textos 1 e 2.
TEXTO 2
1 Nos estudos de antropologia política de Pierre Clastres*, estudioso francês que conviveu durante
muito tempo com tribos indígenas sul-americanas, menciona-se o fato de frequentemente os membros
dessas tribos designarem a si mesmos com um vocábulo que em sua língua era sinônimo de “os
homens” e reservavam para seus congêneres de tribos vizinhas termos como “ovos de piolho”, “sub-
5 homens” ou equivalentes com valor pejorativo.
Trago esta referência – que Clastres denomina etnocentrismo – eloquente de uma xenofobia em
sociedades primitivas, porque ela é tentadora para propor origens precoces, quem sabe constitucionais
ou genéticas, no ódio ou recusa das diferenças.
A mesma precocidade, dizem alguns, encontra-se nas crianças. Uma criança uruguaia, com clara
10 ascendência europeia, como é comum em nosso país, resultado do genocídio indígena, denuncia, entre
indignada e temerosa, sua repulsa a uma criança japonesa que entrou em sua classe (fato raro em
nosso meio) e argumenta que sua linguagem lhe é incompreensível e seus traços são diferentes e
incomuns.
Se as crianças e os primitivos reagem deste modo, poder-se-ia concluir – precipitadamente – que
15 o que manifestam, de maneira tão primária e transparente, é algo que os desenvolvimentos posteriores
da civilização tornarão evidente de forma mais complexa e sofisticada, mas com a mesma contundência
elementar.
Por esse caminho, e com a tendência humana a buscar causalidades simples e lineares, estamos
a um passo de “encontrar” explicações instintivas do ódio e da violência, em uma hierarquização em que
20 a natureza precede a cultura, território de escolha das argumentações racistas. A “natureza” – o
“biológico” como “a” origem ou “a” causa – operam como explicação segura e tranquilizadora ante
questões que nos encurralam na ignorância e na insegurança de um saber parcial. [...]
(*) Pierre Clastres (1934-1977)
(VIÑAR, M. O reconhecimento do próximo. Notas para pensar o ódio ao estrangeiro. In: Caterina Koltai (org.) O estrangeiro. São Paulo: Escuta; Fapesp, 1998)
Considere o primeiro parágrafo do Texto 2 (linhas 1 a 5) e a tirinha abaixo.
Dik Browne
(http://geografiaetal.blogspot.com.br/2012/04/hagar-o-horrivel.html)
O par de pronomes que expressa a dicotomia dos conjuntos tribos/navegantes e tribos vizinhas/não navegantes é