Gabarito disponível
TEXTO I
Jogos Paralímpicos no Brasil é chance de reencontro com esperanças perdidas
Por Jairo Marques
Jairo Marques, que é cadeirante, aborda aspectos da vida de deficientes e de cidadania.
[1] Em geral, os atletas que vão disputar medalhas nas Paralimpíadas do Rio, que será aberta na
noite desta quarta-feira (7), sentem arrepios quando neles se procura algo mais do que um resultado
esportivo, um grito de garra, uma marca histórica. Eles querem, com justeza, serem vistos por seus
resultados e pelo empenho que colocaram em suas trajetórias em busca de serem campeões.
[5] Ninguém quer o peso de servir de exemplo ou ser visto apenas por seu esforço pessoal diante de
uma adversidade física, sensorial ou intelectual.
Mas não tem jeito. Para quem assiste a qualquer uma das 23 modalidades dos jogos, a
experiência é sempre maior do que uma emoção vinda de competições acirradas ou da explosão
gloriosa da conquista de um ouro, de uma prata ou de um bronze. Há algo de valor humano perdido,
[10] escondido ou escanteado no mundo que se vê cravado na aura desses competidores.
Como não analisar a própria preguiça de mudar uma postura autodestrutiva quando um chinês
sem braços e sem pernas se lança em uma piscina e vai contorcendo seu valoroso “resto de corpo”
em busca de percorrer 100 ou 200 metros na água? Como não procurar na alma coragem para
enfrentar um desgosto no amor, no trabalho, quando se vê um canadense do tiro com arco usando os
[15] dedos dos pés para puxar a corda que levará a flecha rumo ao alvo e ao pódio?
Um gol da seleção brasileira de futebol de 5, jogado por cegos, é comemorado com tanto grito
e euforia como se a intenção dos torcedores fosse iluminar com holofotes as escuridões que os
impedem de enxergar possibilidades de viver melhor, de abraçar mais a diversidade, de ser mais
atento ao julgar as diferenças alheias.
[20] Em cada rodopiar de um cadeirante na quadra de basquete ou em cada choque assustador
entre os jogadores de rúgbi em cadeira de rodas, um tilintar de novas ideias para os velhos e
angustiantes problemas parece brotar na cabeça. É como se aquelas vidas que parecem tão
impossíveis de serem vividas, protagonizando tantos movimentos, despertassem um sentimento de
renovação nas já amplas possibilidades de seguir adiante em quem é contemplado com a “perfeição”.
[25] E o que dizer da hora em que corredores sem as pernas, equilibrando-se em próteses de
carbono “xyz”, tomam posição em suas raias no estádio? É momento de buscar esperança para
reacomodar perdas íntimas, hora de consertar defeitos bobos de relacionamentos, hora de dar uma
mãozinha para queridos que caíram em esquecimento.
As Paralimpíadas serão no Brasil, país que chora tantas desonras, que clama por mais
[30] modelos de boa representação e que necessita de uma guinada de motivação urgente rumo a dias
melhores. As Paralimpíadas serão no Rio, cidade que adora se dizer “maraviwonderful”, mas que
tanto pena por ser bonita de corpo e desajeitada de espírito.
Os Jogos Paralímpicos serão aqui no quintal e as sementes para fazê-los inesquecíveis,
frondosos e históricos estão nos bolsos dos brasileiros que, de quebra, poderão levar para casa e
[35] para o coração uma mensagem, uma imagem e uma história de motivação, de inspiração e de
inclusão. A esperança de dias melhores nunca esteve tão perto.
Fonte: http://assimcomovoce.blogfolha.uol.com.br/2016/09/07/jogos-paraolimpicos-no-brasil-e-chance-de-reencontro-com-esperancas-perdidas/
Texto adaptado.
Acesso em: 24/09/2016
A conclusão do texto I, de Jairo Marques:
Resolução comentada
A conclusão usa metáforas e sentido figurado para propor um novo olhar sobre a vida.
Nos últimos parágrafos o autor fala de 'sementes nos bolsos', 'quintal' e 'frondosos', e de levar uma mensagem 'para o coração'. São metáforas que apresentam as Paralimpíadas como gatilho de renovação e esperança.
Análise das alternativas
A) Errada: a linguagem é predominantemente conotativa. B) Errada: o paralelo é entre o evento e a motivação/esperança futura, e não entre inclusão e otimismo presente. D) Errada: o texto não diz que a visão negativa só é superada em eventos esportivos.
Referência: Linguagem denotativa e conotativa.
Resolução comentada do VaiConcursos.