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Comissão de Elaboração, Organização e Correção de Provas (C… · Colégio Militar de Belém (CMBel) — Exército Brasileiro 2017

Questão 9 — Língua Portuguesa: Interpretação de Texto

Língua Portuguesa Interpretação de Texto

Comissão de Elaboração, Organização e Correção de Provas (CEOCP/CMBel) 2017 Fundamental

Colégio Militar de Belém (CMBel) — Exército Brasileiro · Admissão ao 6º Ano do Ensino Fundamental — Português

Gabarito disponível

Texto-base:
Leia o TEXTO III e resolva as questões 9 a 11.

TEXTO III

NOTÍCIA DE JORNAL

Fotografia em preto e branco dos pés descalços e sujos de uma pessoa deitada sobre um papelão na calçada.

GLOSSÁRIO (Vocabulário)
Alçada: área de atuação, alcance.
Escarmento: punição, castigo.
Inanição: extrema debilidade; estado que leva um ser vivo à morte por falta de alimento ou de certos tipos de alimento.

1 Leio no jornal a notícia de que um homem morreu de fome. Um homem de cor branca, trinta anos presumíveis, pobremente vestido, morreu de fome, sem socorros, em pleno centro da cidade, permanecendo deitado na calçada durante setenta e duas horas, para finalmente morrer de fome.
5 Morreu de fome. Depois de insistentes pedidos de comerciantes, uma ambulância do Pronto Socorro e uma radiopatrulha foram ao local, mas regressaram sem prestar auxílio ao homem, que acabou morrendo de fome.
Um homem que morreu de fome. O comissário de plantão (um homem) afirmou que o caso (morrer de fome) era alçada da Delegacia de Mendicância, especialista em homens que morrem
10 de fome. E o homem morreu de fome.
O corpo do homem que morreu de fome foi recolhido ao Instituto Médico Legal sem ser identificado. Nada se sabe dele, senão que morreu de fome. Um homem morre de fome em plena rua, entre centenas de passantes.
Um homem caído na rua. Um bêbado. Um vagabundo. Um mendigo, um anormal, [...] um
15 pária, um marginal, um proscrito, um bicho, uma coisa – não é homem. E os outros homens cumprem seu destino de passantes, que é o de passar. Durante setenta e duas horas, todos passam ao lado do homem que morre de fome, com um olhar de nojo, desdém, inquietação e até mesmo piedade, ou sem olhar nenhum, e o homem continua morrendo de fome, sozinho, isolado, perdido entre os homens, sem socorro e sem perdão.
20 Não é da alçada do comissário, nem do hospital, nem da radiopatrulha, por que haveria de ser da minha alçada? Que é que eu tenho com isso? Deixa o homem morrer de fome.
E o homem morre de fome. De trinta anos presumíveis. Pobremente vestido. Morreu de fome, diz o jornal. Louve-se a insistência dos comerciantes, que jamais morrerão de fome, pedindo providências às autoridades. As autoridades nada mais puderam fazer senão remover o
25 corpo do homem. Deviam deixar que apodrecesse, para escarmento dos outros homens. Nada mais puderam fazer senão esperar que morresse de fome.
E ontem, depois de setenta e duas horas de inanição em plena rua, no centro mais movimentado da cidade do Rio de Janeiro, um homem morreu de fome.
Morreu de fome.

SABINO, Fernando. A mulher do vizinho. 17 ed. Rio de Janeiro: Record, 1997. (Adaptado para fins didáticos)

O Texto III inicia-se expressando o fato da morte do homem: “morreu de fome”, o que se repete várias vezes. Ao longo de todo o texto, o autor repetiu essa expressão, porque:
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Gabarito: E

Fonte: Gabarito preliminar: Gabarito — Prova de Português (página 2)