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Texto-base:
TEXTO 1:
NOSSO BICHINHO PREFERIDO
Olivier Zoroastro Martins
1 Nem todos conhecem o Sargento Militão, mas ele existe. Diz uma lenda que ele estava aqui agora mesmo
e, de repente, estava mais não. Quem já esteve com ele, descreveu-o como um sujeito da paz, pessoa tranquila e
de gestos simples. Ninguém sabe onde mora. Dizem, sem convicção, que é longe, muito longe daqui.
Na mais recente reunião escolar, a expectativa era grande por parte dos estudantes. Havia muita
5 curiosidade no auditório. Todos queriam conhecer um pouco sobre um Colégio instalado dentro de um
quartel. Os jovens visitantes queriam perguntar tudo. Sargento Militão aceitou o convite dos
organizadores do evento e compareceu. Como sempre, muito pontual e comedido, mantinha as mãos para
trás em sinal de respeito. Usava uma veste de gala, própria para dias especiais. Já que era um dia de festa,
sua farda era clara, incomum, de um verde mais iluminado, com botões prateados no sentido vertical e
10 medalhas douradas, no peito, sentido horizontal. Tinha um sorriso nos olhos e falava devagar.
A garotada perguntava e ele, sereno, ia tentando traduzir o jeito particular da Instituição, revelando o
espírito da casa para os aspirantes a alunos do Colégio Militar. Dizia, com entusiasmo, que o grande desafio da
escola era manter as tradições do passado e preparar o futuro, o que seriam as duas pontas de uma mesma
realidade. Explicou que o momento presente era o instante de culto à própria história da escola e, ao mesmo
15 tempo, do cultivo das flores do jardim do amanhã. Concluiu que as ferramentas para se garantir o respeito ao passado
e preparar o sucesso no futuro eram a disciplina e a educação: princípios que devem ser trabalhados incansavelmente.
Esclareceu ainda que princípios são as pilastras ou vigas mestras — comparou-as como estruturas que
sustentam qualquer construção, pois elevam os valores com os quais a escola se identificou sempre.
Alguns garotos quiseram saber mais sobre outros valores mantidos pela escola. O convidado
20 agradeceu a pergunta e falou que o Colégio defendia valores permanentes, todos associados à própria
imagem da Instituição. Citou, por exemplo, a importância, no dia a dia, que se atribuía ao respeito à
família, ao educandário (à Instituição Colégio Militar) e à Pátria — grandezas inegociáveis. Comentou
sobre as competições, as mais saudáveis, promovidas pela escola para estimular o aluno em situações
desafiantes — uma estratégia para promover o desenvolvimento físico e mental do jovem, sempre
25 pensando em sua capacidade de superação. Logo em seguida, Militão discorreu sobre a importância dos
gestos de solidariedade e de companheirismo. Comentou sobre a valorização que se dava à honestidade,
ao mérito individual e ao sucesso coletivo no território Colégio Militar.
As perguntas iam “pipocando” e o sargento Militão, cada vez mais empolgado, “soltava o verbo”.
Alguém pediu mais informações sobre os símbolos adotados pelo Colégio. Militão acrescentou que o
30 Sistema Colégio Militar (composto de várias escolas pelo Brasil) pertencia ao Ministério do Exército.
Explicou que o Colégio fora criado em tempos de guerra e tinha, como função principal, amparar filhos de
militares que iam para a batalha, deixando suas famílias. Esta origem singular explicaria o uniforme
cáqui, semelhante a uma farda; a presença da boina vermelha-grená no alto da cabeça, os sapatos
obrigatoriamente limpos, a apresentação pessoal impecável. Tudo isso para compor a fisionomia de uma
35 Instituição com características muito particulares.
Uma garota quis saber se era verdade que antigamente não havia meninas estudando no Colégio.
Nosso palestrante confirmou que a escola, atenta às inovações da sociedade, abrira as portas ao elemento
feminino nas fileiras da casa, a partir do ano de 1996. Satisfeita esta curiosidade, uma outra menina, de linda
franja, perguntou sobre o mascote da escola, o Nicodemus. Militão ficou emocionado, mas quase ninguém
40 percebeu. Disse que o carneiro Nicodemus era um dos símbolos da escola. Esclareceu que o mascote é,
geralmente, um bichinho que, por algum motivo, identifica-se com a imagem da casa representada.
Aproveitou para lembrar que a águia, por exemplo, era o símbolo dos Estados Unidos da América.
Os garotos então perguntaram o porquê da escolha de um carneiro e não de um tubarão, por exemplo!
“Além de predador, inteligente!” — lembrou um deles. Outro sugeriu que poderia ser o leão, o rei das
45 selvas, pelo respeito que impunha, pela força e poder que exibia! Uma jovem ainda sugeriu que poderia ser
um canguru! Forte, rápido e um tremendo guardião, pois protegia a todos com sua anatomia marsupial.
Houve ainda um garoto que questionou por que não haviam escolhido o lobo para ser o mascote, pois ele
vivia em alcateias, trabalhava em equipe e tinha um olfato privilegiado, ou seja, uma percepção aguçada!
Militão coçou a cabeça levemente como se pensasse e disse que o carneiro Nicodemus comparecia a
50 todas as formaturas matinais. Acrescentou que os alunos do 6º ano cumpriam o protocolo de conduzi-lo
durante a marcha, nos cortejos dos desfiles. Explicou que, na verdade, Nicodemus é quem conduzia os
alunos recém-chegados, dando-lhes as boas vindas, a partir dos primeiros passos do longo aprendizado
que teriam pela frente até atingirem a adolescência. Continuou dizendo que dificilmente um outro
animal reuniria sozinho todas as qualidades do carneiro. Ressaltou sua natureza forte, no entanto afável;
55 sua mansidão, mas também, sua resiliência implacável; sua aparente fragilidade, porém sua
determinação; sua natureza geniosa contrapondo-se à sua obediência e humildade. Assim falando, o
Sargento amigo agradeceu a sugestão dos jovens...
De repente, ouviu-se um forte barulho do lado de fora da sala. Seria um trovão? Todos olharam
para a porta tentando entender o que estava acontecendo. Não havia sinal de chuvas. A banda do Colégio
60 passava executando uma música maravilhosa! Quando as pessoas se voltaram para o palco improvisado,
de onde falava o palestrante... Cadê o sargento Militão? Estava ali! Agora não está mais não.
O autor é professor no CM-BH há 20 anos. Mestre em Linguística pela PUC-MG, escreveu os livros “Lições da Chuva” (poemas) e “O Embarque” (ficção).
Vocabulário:
Comedido (ℓ.7): moderado.
Mascote (ℓ.40): pessoa, animal ou coisa capazes de trazer sorte.
Marsupial (ℓ.46): que tem forma de bolsa.
Cortejo (ℓ.51): procissão, comitiva.
Resiliência (ℓ.55): capacidade de se adaptar à má sorte.
Escolha o item que apresenta o antônimo da palavra destacada no trecho extraído do texto 1:
![Trecho citado: “Esta origem singular explicaria o uniforme cáqui, semelhante a uma farda; [...]” (ℓ.32/33), com a palavra “singular” sublinhada.](https://vaiconcursos.com/wp-content/uploads/questoes-v4/imagens/17cd890af7311124cf0b0dc414cd4d9c73977db6fc3af2c175803c7f39881126/q009_img_01.png)
TEXTO 1:
NOSSO BICHINHO PREFERIDO
Olivier Zoroastro Martins
1 Nem todos conhecem o Sargento Militão, mas ele existe. Diz uma lenda que ele estava aqui agora mesmo
e, de repente, estava mais não. Quem já esteve com ele, descreveu-o como um sujeito da paz, pessoa tranquila e
de gestos simples. Ninguém sabe onde mora. Dizem, sem convicção, que é longe, muito longe daqui.
Na mais recente reunião escolar, a expectativa era grande por parte dos estudantes. Havia muita
5 curiosidade no auditório. Todos queriam conhecer um pouco sobre um Colégio instalado dentro de um
quartel. Os jovens visitantes queriam perguntar tudo. Sargento Militão aceitou o convite dos
organizadores do evento e compareceu. Como sempre, muito pontual e comedido, mantinha as mãos para
trás em sinal de respeito. Usava uma veste de gala, própria para dias especiais. Já que era um dia de festa,
sua farda era clara, incomum, de um verde mais iluminado, com botões prateados no sentido vertical e
10 medalhas douradas, no peito, sentido horizontal. Tinha um sorriso nos olhos e falava devagar.
A garotada perguntava e ele, sereno, ia tentando traduzir o jeito particular da Instituição, revelando o
espírito da casa para os aspirantes a alunos do Colégio Militar. Dizia, com entusiasmo, que o grande desafio da
escola era manter as tradições do passado e preparar o futuro, o que seriam as duas pontas de uma mesma
realidade. Explicou que o momento presente era o instante de culto à própria história da escola e, ao mesmo
15 tempo, do cultivo das flores do jardim do amanhã. Concluiu que as ferramentas para se garantir o respeito ao passado
e preparar o sucesso no futuro eram a disciplina e a educação: princípios que devem ser trabalhados incansavelmente.
Esclareceu ainda que princípios são as pilastras ou vigas mestras — comparou-as como estruturas que
sustentam qualquer construção, pois elevam os valores com os quais a escola se identificou sempre.
Alguns garotos quiseram saber mais sobre outros valores mantidos pela escola. O convidado
20 agradeceu a pergunta e falou que o Colégio defendia valores permanentes, todos associados à própria
imagem da Instituição. Citou, por exemplo, a importância, no dia a dia, que se atribuía ao respeito à
família, ao educandário (à Instituição Colégio Militar) e à Pátria — grandezas inegociáveis. Comentou
sobre as competições, as mais saudáveis, promovidas pela escola para estimular o aluno em situações
desafiantes — uma estratégia para promover o desenvolvimento físico e mental do jovem, sempre
25 pensando em sua capacidade de superação. Logo em seguida, Militão discorreu sobre a importância dos
gestos de solidariedade e de companheirismo. Comentou sobre a valorização que se dava à honestidade,
ao mérito individual e ao sucesso coletivo no território Colégio Militar.
As perguntas iam “pipocando” e o sargento Militão, cada vez mais empolgado, “soltava o verbo”.
Alguém pediu mais informações sobre os símbolos adotados pelo Colégio. Militão acrescentou que o
30 Sistema Colégio Militar (composto de várias escolas pelo Brasil) pertencia ao Ministério do Exército.
Explicou que o Colégio fora criado em tempos de guerra e tinha, como função principal, amparar filhos de
militares que iam para a batalha, deixando suas famílias. Esta origem singular explicaria o uniforme
cáqui, semelhante a uma farda; a presença da boina vermelha-grená no alto da cabeça, os sapatos
obrigatoriamente limpos, a apresentação pessoal impecável. Tudo isso para compor a fisionomia de uma
35 Instituição com características muito particulares.
Uma garota quis saber se era verdade que antigamente não havia meninas estudando no Colégio.
Nosso palestrante confirmou que a escola, atenta às inovações da sociedade, abrira as portas ao elemento
feminino nas fileiras da casa, a partir do ano de 1996. Satisfeita esta curiosidade, uma outra menina, de linda
franja, perguntou sobre o mascote da escola, o Nicodemus. Militão ficou emocionado, mas quase ninguém
40 percebeu. Disse que o carneiro Nicodemus era um dos símbolos da escola. Esclareceu que o mascote é,
geralmente, um bichinho que, por algum motivo, identifica-se com a imagem da casa representada.
Aproveitou para lembrar que a águia, por exemplo, era o símbolo dos Estados Unidos da América.
Os garotos então perguntaram o porquê da escolha de um carneiro e não de um tubarão, por exemplo!
“Além de predador, inteligente!” — lembrou um deles. Outro sugeriu que poderia ser o leão, o rei das
45 selvas, pelo respeito que impunha, pela força e poder que exibia! Uma jovem ainda sugeriu que poderia ser
um canguru! Forte, rápido e um tremendo guardião, pois protegia a todos com sua anatomia marsupial.
Houve ainda um garoto que questionou por que não haviam escolhido o lobo para ser o mascote, pois ele
vivia em alcateias, trabalhava em equipe e tinha um olfato privilegiado, ou seja, uma percepção aguçada!
Militão coçou a cabeça levemente como se pensasse e disse que o carneiro Nicodemus comparecia a
50 todas as formaturas matinais. Acrescentou que os alunos do 6º ano cumpriam o protocolo de conduzi-lo
durante a marcha, nos cortejos dos desfiles. Explicou que, na verdade, Nicodemus é quem conduzia os
alunos recém-chegados, dando-lhes as boas vindas, a partir dos primeiros passos do longo aprendizado
que teriam pela frente até atingirem a adolescência. Continuou dizendo que dificilmente um outro
animal reuniria sozinho todas as qualidades do carneiro. Ressaltou sua natureza forte, no entanto afável;
55 sua mansidão, mas também, sua resiliência implacável; sua aparente fragilidade, porém sua
determinação; sua natureza geniosa contrapondo-se à sua obediência e humildade. Assim falando, o
Sargento amigo agradeceu a sugestão dos jovens...
De repente, ouviu-se um forte barulho do lado de fora da sala. Seria um trovão? Todos olharam
para a porta tentando entender o que estava acontecendo. Não havia sinal de chuvas. A banda do Colégio
60 passava executando uma música maravilhosa! Quando as pessoas se voltaram para o palco improvisado,
de onde falava o palestrante... Cadê o sargento Militão? Estava ali! Agora não está mais não.
O autor é professor no CM-BH há 20 anos. Mestre em Linguística pela PUC-MG, escreveu os livros “Lições da Chuva” (poemas) e “O Embarque” (ficção).
Vocabulário:
Comedido (ℓ.7): moderado.
Mascote (ℓ.40): pessoa, animal ou coisa capazes de trazer sorte.
Marsupial (ℓ.46): que tem forma de bolsa.
Cortejo (ℓ.51): procissão, comitiva.
Resiliência (ℓ.55): capacidade de se adaptar à má sorte.
Escolha o item que apresenta o antônimo da palavra destacada no trecho extraído do texto 1: