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Texto-base:
Leia os textos I, II e III e assinale uma única alternativa em cada uma das questões a seguir.
TEXTO II
Ubuntu, o que a África tem a nos ensinar
28 de abril de 2015
(...)
1 A jornalista e filósofa Lia Diskin, durante o Festival Mundial da Paz, ocorrido em Florianópolis,
em 2006, contou o seguinte caso de uma tribo na África: “Um antropólogo estava estudando os usos
e costumes da tribo Ubuntu e, quando terminou seu trabalho, teve que esperar pelo transporte que o
levaria até o aeroporto de volta pra casa. Como tinha muito tempo ainda até o embarque, ele propôs,
5 então, uma brincadeira para as crianças que achou ser inofensiva.
Comprou uma porção de doces e guloseimas na cidade, colocou tudo num cesto bem bonito
com laço de fita e colocou debaixo de uma árvore. Aí ele chamou as crianças e combinou que,
quando ele dissesse ‘já!’, elas deveriam sair correndo até o cesto e a que chegasse primeiro ganharia
todos os doces que estavam lá dentro.
10 As crianças se posicionaram na linha demarcatória que ele desenhou no chão e esperaram
pelo sinal combinado. Quando ele disse ‘Já!’, instantaneamente todas as crianças se deram as mãos
e saíram correndo em direção à árvore com o cesto. Chegando lá, começaram a distribuir os doces
entre si e a comerem felizes.
O antropólogo foi ao encontro delas e perguntou porque elas tinham ido todas juntas se uma
15 só poderia ficar com tudo que havia no cesto e, assim, ganhar muito mais doces. Elas simplesmente
responderam:
– Ubuntu, tio. Como uma de nós poderia ficar feliz se todas as outras estivessem tristes?”
Ele ficou pasmo. Meses e meses trabalhando nisso, estudando a tribo e ainda não havia
compreendido, de verdade, a essência daquele povo. Ou jamais teria proposto uma competição,
20 certo?
Ubuntu significa: “Eu sou porque nós somos” ou, em outras palavras, “Eu só existo porque nós
existimos”.
“Como uma de nós poderia ficar feliz se todas as outras estivessem tristes?” A resposta
singela da criança é profunda e vital, pois está carregada de valores como respeito, cortesia,
25 solidariedade, compaixão, generosidade, confiança – enfim, tudo aquilo que nos torna humanos e
garante uma convivência harmoniosa em sociedade.
Ubuntu exprime a consciência da relação entre o indivíduo e a comunidade. É, ao mesmo
tempo, um conceito moral, uma filosofia e um modo de viver que se opõe ao narcisismo e ao
individualismo tão comuns em nossa sociedade ocidental capitalista. Enquanto a ideia europeia sobre
30 a natureza humana baseia-se na ideia de liberdade, de que os indivíduos têm o poder da livre
escolha, a ideia africana do ubuntu repousa sobre a ideia da comunidade, de que pessoas dependem
de outras pessoas para serem pessoas.
Segundo o espírito de ubuntu, as pessoas não devem levar vantagem pessoal em detrimento
do bem-estar do grupo. Para que uma pessoa seja feliz será preciso que todas do grupo se sintam
35 felizes. Estamos conectados uns com os outros e essa relação estende-se aos ancestrais e aos que
ainda nascerão.
Disponível em: «http://www.ensinarhistoriajoelza.com.br/ubuntu-o-que-a-africa-tem-a-nos-ensinar/» Acesso em 29 de agosto de 2017.
Vocabulário do texto II
antropólogo: aquele que estuda sobre o ser humano
narcisismo: amor excessivo a si mesmo
detrimento: prejuízo
TEXTO III
Negrinho do pastoreio
1 Há muitos anos, no tempo da escravidão, trabalhava em uma grande fazenda no Rio
Grande do Sul um negrinho miúdo e fraquinho, mas muito habilidoso. O seu patrão era um homem
malvado e obrigava o garoto a fazer todo tipo de trabalho.
Certa vez, no inverno, num frio de rachar, ele mandou o garoto pastorear seus trinta
5 cavalos. Mas avisou que tivesse atenção especial com o cavalo baio, que era o mais valioso da
fazenda.
O negrinho passou o dia todo bem longe da estância, pastoreando os animais. No
caminho de volta, no final da tarde, com muito frio e fome, resolveu parar um pouquinho para
descansar e ... acabou dormindo.
10 Quando o menino acordou, ficou assustado: raios riscavam o céu, anunciando uma grande
tempestade, e os cavalos tinham fugido. Com dificuldade, debaixo de muita chuva, conseguiu reuni-
los e, para ter certeza de que estavam todos ali, começou a contar:
– 1, 2, 3, 4... 29...29?! Ops! Está faltando um! E é o cavalo baio!
O negrinho procurou o cavalo fugitivo por muito tempo, mas não o encontrou. Então,
15 resolveu levar os outros 29 de volta para a estância. Já imaginou se mais algum se perdesse?
Chegando lá, o estancieiro logo notou a ausência de seu valioso cavalo baio e ficou
furioso:
– O que você fez com o baio? Ah, provavelmente vendeu o cavalo por uns míseros
trocados, né? Seu ladrãozinho barato! Mas você vai trazê-lo de volta!
20 Em seguida, pegou o chicote e deu uma surra daquelas no pobre menino.
Debaixo de chuva, e com muito medo e chorando, o menino saiu à procura do animal. Já
era madrugada quando encontrou o baio pastando. Ele o laçou, mas o nó se desfez e o cavalo fugiu
novamente.
Quando chegou à fazenda sem ter conseguido capturar o animal, o negrinho foi
25 recepcionado com a fúria do seu malvado patrão.
– Onde está o cavalo?
– Eu encontrei o baio pastando, cheguei a laçá-lo, mas...
– Mas o quê, garoto?
– Mas não consegui segurar o laço e ele escapou de novo. Eu trago ele de volta amanhã,
30 senhor.
– Amanhã? Coisa nenhuma! Você está mentindo e será castigado.
O homem cruel bateu muito no garoto. Depois, o amarrou num tronco e o colocou sobre
um formigueiro. Que malvadeza! O negrinho chorou muito e, depois de sofrer a noite inteira, deu um
suspiro e morreu.
35 No dia seguinte, o fazendeiro acordou e foi olhar o negrinho. O menino estava lá, em pé,
sem nenhum arranhão ou cicatriz das chicotadas nem marcas de picadas de formiga. Ao seu lado, a
imagem de uma santa e, mais adiante, o baio e os outros 29 cavalos.
Então, o estancieiro se jogou ao chão e implorou ao negrinho e à santa:
– Perdoem-me! Perdoem-me! Eu prometo mudar... Prometo ser bom e ajudar aos
40 necessitados... Prometo tudo o que quiserem.
Sem dizer uma palavra, o negrinho montou no cavalo baio e partiu, ninguém sabe para
onde.
Os comentários sobre a morte do pequeno escravo logo se espalharam pela região e as
pessoas começaram a acender velas pela alma do bom negrinho.
45 Desde então, muitos recorrem a ele quando precisam de ajuda. É comum, por exemplo,
ouvir histórias de gente que fez algum pedido e foi atendido.
E tem mais! Tropeiros e peões, que viajam à noite, relatam aos seus amigos e familiares
terem visto o negrinho cavalgando, passeando pelos Pampas.
Na tradição gaúcha, acredita-se que o negrinho do pastoreio se tornou uma espécie de
50 anjo bom; e as pessoas pedem sua ajuda quando precisam encontrar objetos perdidos.
SOUSA, Mauricio de. Lendas Brasileiras. São Paulo: Ed. Mauricio de Sousa, 2009, p. 121-136.
Vocabulário do texto III
baio: castanho, que tem a cor do ouro
estancieiro: proprietário de fazenda
Nos textos II e III, no que diz respeito ao espaço geográfico, ou seja, ao local onde se passa a narrativa, pode-se dizer que:
Leia os textos I, II e III e assinale uma única alternativa em cada uma das questões a seguir.
TEXTO II
Ubuntu, o que a África tem a nos ensinar
28 de abril de 2015
(...)
1 A jornalista e filósofa Lia Diskin, durante o Festival Mundial da Paz, ocorrido em Florianópolis,
em 2006, contou o seguinte caso de uma tribo na África: “Um antropólogo estava estudando os usos
e costumes da tribo Ubuntu e, quando terminou seu trabalho, teve que esperar pelo transporte que o
levaria até o aeroporto de volta pra casa. Como tinha muito tempo ainda até o embarque, ele propôs,
5 então, uma brincadeira para as crianças que achou ser inofensiva.
Comprou uma porção de doces e guloseimas na cidade, colocou tudo num cesto bem bonito
com laço de fita e colocou debaixo de uma árvore. Aí ele chamou as crianças e combinou que,
quando ele dissesse ‘já!’, elas deveriam sair correndo até o cesto e a que chegasse primeiro ganharia
todos os doces que estavam lá dentro.
10 As crianças se posicionaram na linha demarcatória que ele desenhou no chão e esperaram
pelo sinal combinado. Quando ele disse ‘Já!’, instantaneamente todas as crianças se deram as mãos
e saíram correndo em direção à árvore com o cesto. Chegando lá, começaram a distribuir os doces
entre si e a comerem felizes.
O antropólogo foi ao encontro delas e perguntou porque elas tinham ido todas juntas se uma
15 só poderia ficar com tudo que havia no cesto e, assim, ganhar muito mais doces. Elas simplesmente
responderam:
– Ubuntu, tio. Como uma de nós poderia ficar feliz se todas as outras estivessem tristes?”
Ele ficou pasmo. Meses e meses trabalhando nisso, estudando a tribo e ainda não havia
compreendido, de verdade, a essência daquele povo. Ou jamais teria proposto uma competição,
20 certo?
Ubuntu significa: “Eu sou porque nós somos” ou, em outras palavras, “Eu só existo porque nós
existimos”.
“Como uma de nós poderia ficar feliz se todas as outras estivessem tristes?” A resposta
singela da criança é profunda e vital, pois está carregada de valores como respeito, cortesia,
25 solidariedade, compaixão, generosidade, confiança – enfim, tudo aquilo que nos torna humanos e
garante uma convivência harmoniosa em sociedade.
Ubuntu exprime a consciência da relação entre o indivíduo e a comunidade. É, ao mesmo
tempo, um conceito moral, uma filosofia e um modo de viver que se opõe ao narcisismo e ao
individualismo tão comuns em nossa sociedade ocidental capitalista. Enquanto a ideia europeia sobre
30 a natureza humana baseia-se na ideia de liberdade, de que os indivíduos têm o poder da livre
escolha, a ideia africana do ubuntu repousa sobre a ideia da comunidade, de que pessoas dependem
de outras pessoas para serem pessoas.
Segundo o espírito de ubuntu, as pessoas não devem levar vantagem pessoal em detrimento
do bem-estar do grupo. Para que uma pessoa seja feliz será preciso que todas do grupo se sintam
35 felizes. Estamos conectados uns com os outros e essa relação estende-se aos ancestrais e aos que
ainda nascerão.
Disponível em: «http://www.ensinarhistoriajoelza.com.br/ubuntu-o-que-a-africa-tem-a-nos-ensinar/» Acesso em 29 de agosto de 2017.
Vocabulário do texto II
antropólogo: aquele que estuda sobre o ser humano
narcisismo: amor excessivo a si mesmo
detrimento: prejuízo
TEXTO III
Negrinho do pastoreio
1 Há muitos anos, no tempo da escravidão, trabalhava em uma grande fazenda no Rio
Grande do Sul um negrinho miúdo e fraquinho, mas muito habilidoso. O seu patrão era um homem
malvado e obrigava o garoto a fazer todo tipo de trabalho.
Certa vez, no inverno, num frio de rachar, ele mandou o garoto pastorear seus trinta
5 cavalos. Mas avisou que tivesse atenção especial com o cavalo baio, que era o mais valioso da
fazenda.
O negrinho passou o dia todo bem longe da estância, pastoreando os animais. No
caminho de volta, no final da tarde, com muito frio e fome, resolveu parar um pouquinho para
descansar e ... acabou dormindo.
10 Quando o menino acordou, ficou assustado: raios riscavam o céu, anunciando uma grande
tempestade, e os cavalos tinham fugido. Com dificuldade, debaixo de muita chuva, conseguiu reuni-
los e, para ter certeza de que estavam todos ali, começou a contar:
– 1, 2, 3, 4... 29...29?! Ops! Está faltando um! E é o cavalo baio!
O negrinho procurou o cavalo fugitivo por muito tempo, mas não o encontrou. Então,
15 resolveu levar os outros 29 de volta para a estância. Já imaginou se mais algum se perdesse?
Chegando lá, o estancieiro logo notou a ausência de seu valioso cavalo baio e ficou
furioso:
– O que você fez com o baio? Ah, provavelmente vendeu o cavalo por uns míseros
trocados, né? Seu ladrãozinho barato! Mas você vai trazê-lo de volta!
20 Em seguida, pegou o chicote e deu uma surra daquelas no pobre menino.
Debaixo de chuva, e com muito medo e chorando, o menino saiu à procura do animal. Já
era madrugada quando encontrou o baio pastando. Ele o laçou, mas o nó se desfez e o cavalo fugiu
novamente.
Quando chegou à fazenda sem ter conseguido capturar o animal, o negrinho foi
25 recepcionado com a fúria do seu malvado patrão.
– Onde está o cavalo?
– Eu encontrei o baio pastando, cheguei a laçá-lo, mas...
– Mas o quê, garoto?
– Mas não consegui segurar o laço e ele escapou de novo. Eu trago ele de volta amanhã,
30 senhor.
– Amanhã? Coisa nenhuma! Você está mentindo e será castigado.
O homem cruel bateu muito no garoto. Depois, o amarrou num tronco e o colocou sobre
um formigueiro. Que malvadeza! O negrinho chorou muito e, depois de sofrer a noite inteira, deu um
suspiro e morreu.
35 No dia seguinte, o fazendeiro acordou e foi olhar o negrinho. O menino estava lá, em pé,
sem nenhum arranhão ou cicatriz das chicotadas nem marcas de picadas de formiga. Ao seu lado, a
imagem de uma santa e, mais adiante, o baio e os outros 29 cavalos.
Então, o estancieiro se jogou ao chão e implorou ao negrinho e à santa:
– Perdoem-me! Perdoem-me! Eu prometo mudar... Prometo ser bom e ajudar aos
40 necessitados... Prometo tudo o que quiserem.
Sem dizer uma palavra, o negrinho montou no cavalo baio e partiu, ninguém sabe para
onde.
Os comentários sobre a morte do pequeno escravo logo se espalharam pela região e as
pessoas começaram a acender velas pela alma do bom negrinho.
45 Desde então, muitos recorrem a ele quando precisam de ajuda. É comum, por exemplo,
ouvir histórias de gente que fez algum pedido e foi atendido.
E tem mais! Tropeiros e peões, que viajam à noite, relatam aos seus amigos e familiares
terem visto o negrinho cavalgando, passeando pelos Pampas.
Na tradição gaúcha, acredita-se que o negrinho do pastoreio se tornou uma espécie de
50 anjo bom; e as pessoas pedem sua ajuda quando precisam encontrar objetos perdidos.
SOUSA, Mauricio de. Lendas Brasileiras. São Paulo: Ed. Mauricio de Sousa, 2009, p. 121-136.
Vocabulário do texto III
baio: castanho, que tem a cor do ouro
estancieiro: proprietário de fazenda
Nos textos II e III, no que diz respeito ao espaço geográfico, ou seja, ao local onde se passa a narrativa, pode-se dizer que:
Resolução comentada
No texto III há mais de um espaço.
No texto III os fatos ocorrem na fazenda/estância e no campo onde o negrinho pastoreia e procura o cavalo. Há, portanto, mais de um espaço.
Análise das alternativas
B) O Festival ocorreu em Florianópolis, não na África. C) “Ninguém sabe para onde” indica imprecisão, não precisão. D) O antropólogo esperava transporte até o aeroporto; Florianópolis é onde o relato foi contado, não o destino do voo.
Referência: Elementos da narrativa: espaço.
Resolução comentada do VaiConcursos.