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MORTE E VIDA SEVERINA
— O meu nome é Severino,
como não tenho outro de pia.
Como há muitos Severinos,
que é santo de romaria,
deram então de me chamar
Severino de Maria;
Como há muitos Severinos
com mães chamadas Maria,
fiquei sendo o da Maria
do finado Zacarias.
[...]
Somos muitos Severinos
iguais em tudo na vida:
na mesma cabeça grande
que a custo é que se equilibra
no mesmo ventre crescido
sobre as mesmas pernas finas,
e iguais também porque o sangue
que usamos tem pouca tinta.
E se somos Severinos
iguais em tudo na vida,
morremos de morte igual,
mesma morte severina:
que é a morte de que se morre
de velhice antes dos trinta,
de emboscada antes dos vinte,
de fome um pouco por dia
(de fraqueza e de doença
é que a morte severina
ataca em qualquer idade,
e até gente não nascida).
(João Cabral de Melo Neto, Morte e Vida Severina) – texto adaptado
Assinale a alternativa que contém a figura de linguagem apresentada no trecho “o sangue que usamos tem pouca tinta”.
Resolução comentada
Eufemismo: suavizar a ideia de sangue fraco, anêmico.
“Sangue que tem pouca tinta” é uma forma suave de dizer que os severinos são desnutridos e anêmicos, de sangue fraco. A expressão atenua uma realidade dura (fome e miséria), o que caracteriza o eufemismo, conforme o gabarito oficial.
Análise das alternativas
A) Não há aproximação de ideias opostas no trecho. B) Não se toma uma parte pelo todo nem o contrário. D) Não há atribuição de ações humanas a seres inanimados.
Referência: João Cabral de Melo Neto, Morte e Vida Severina; figuras de linguagem.
Resolução comentada do VaiConcursos.