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Colégio Militar de Brasília (CMB) 2018

Questão 11 — Língua Portuguesa: Variação Linguística — Linguagem Formal e Informal

Língua Portuguesa Variação Linguística — Linguagem Formal e Informal

2018 Fundamental

Colégio Militar de Brasília (CMB) · Admissão ao 6º Ano do Ensino Fundamental

Gabarito disponível

Texto-base:
TEXTO 2
VALORES... MEUS, SEUS, DOS NOSSOS VIZINHOS

(1) Estamos cercados de sentimentos ruins. Gente querendo 'acabar' com o outro por qualquer
motivo. Acho que todos nós já ouvimos essa frase: 'vou acabar com ele! (ou ela!). E é feio à beça. Mas
apoios uníssonos surgem no mesmo instante. Nessas horas se é justo ou não, não se discute. Vizinhos
que brigam por folgadice de um e 'temperamentalismo' do outro. Enquanto a vizinha cobiça o carro da
(5) outra, esta pensa em fazer uma proposta pra empregada de anos daquela. Ridículo! Tá vendo? O mundo
está cheio de vontades guiadas por maus sentimentos. E tudo acaba mal, vejamos: o vizinho
temperamental que brigou com o vizinho folgado que deixa o gato solto pelas escadas o dia inteiro,
nunca mais vai olhar na cara do vizinho, vai reclamar durante anos desse mesmo assunto até que um
dia ou ele ou o vizinho se mude.
(10) A vizinha que todo dia deseja que a outra vizinha se dê mal financeiramente e tenha que trocar
o carro lindão por outro mais simples, imaginando a si mesma com um carrão daqueles, acaba perdendo
sua empregada pra dita cuja que ofereceu uns tostões a mais.
A empregada, coitada, pede as contas sem pedido de desculpas - será que precisava? A ex-
patroa se revolta por ela nunca ter lhe pedido um aumento, preferindo a demissão sem aviso. A vizinha
(15) com a nova empregada, porém, percebe que a moça tem medo dela, a conversa não emplaca. Alguns
meses se passam, o serviço não está como precisava e, então, ela decide mandar a moça, a quem
prometeu mundos e fundos, embora. Esta que tinha ficado mal acostumada com o salário aumentado,
financiou o 'diabo a quatro' e agora está desempregada-desesperada.
Aí que a história acaba e você vai me dizer que desses quatro personagens dois se deram bem
(20) e justamente o folgado dono do gato que não tá nem aí se tem pelo espalhado pelo condomínio todo
atrapalhando inclusive a saúde de uma criança cujos pais até hoje não descobriram ou não associaram
a causa da rinite pesada do filho ao gato do vizinho folgado. E aí que é fácil perceber que qualquer
história tem seus emaranhados, em que qualquer ação de um pode influenciar outras várias. Nossa vida
é assim e viver consciente de si e do outro é para poucos. E lhe digo mais, não é o que consegue
(25) nenhum dos quatro personagens dessa história.
Pois é... o vizinho folgado foi quem acabou se mudando com mulher, filhos e gato mal
acostumado. Mudou-se pra pior bairro, coitado! De tão folgado no emprego, fez birra no patrão que
não só demitiu ele, como também lhe disse que dele não saía nenhuma referência boa pra outro
emprego. A mulher do homem sofreu o pato, carregando a família com seu pequeno salário até que
(30) finalmente descobriu que tinha um folgado em casa. Em casa não, em casa da mãe dela, pra onde se
mudaram. Sendo assim, ele não durou muito, foi despejado de lá também e saiu divorciado.
Quanto à mulher rica, bem... tudo indicava que era mesmo cheia da grana, pois não parava com
carro algum, tinha que trocar ano a ano, segundo seu 'status' mentirosamente 'milionário'. Solteira,
envolveu-se com um homem pancada. Homem pancada? Sim! Levou dela o pouco que tinha. Não se
(35) sabe como a mulher era fraca e dava tudo em seu nome. No final, teve, realmente, que vender o carro
lindo. Mas, por orgulho, não comprou outro não. Ficou andando de táxi. E a vida tem dessas coisas...
valores ruins são o início de tudo que dá errado.

CAVALCANTE, Talita. Disponível em: http://www.donaperfeitinha.com/2012/12/valores-meus-seus-dos-nossos-vizinhos.html. (COM ADAPTAÇÃO). Acesso em: 24 ago. 2018.

Vocabulário:
valor – o preço que se paga; qualidade que se faz com que algo se torne importante para alguém; que pode ser útil; atributo pessoal que incita respeito;
à beça – em grande quantidade; muito;
uníssono – semelhante; som único composto por várias vozes ou instrumento; acorde único de várias vozes ou de vários instrumentos que fazem ouvir som na mesma altura;
folgadice – malandragem (referente a quem não gosta de trabalhar);
temperamental – aquele que tem temperamento sensível e facilmente excitável;
emaranhado– confuso, sem ordem.

Para atender aos objetivos do texto 2, a linguagem empregada é marcada por expressões comuns à linguagem oral. Marque a única alternativa em que o trecho esteja adequado ao padrão escrito formal da língua portuguesa.
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Trecho adequado ao padrão formal.

'Enquanto a vizinha cobiça o carro da outra' está de acordo com a norma-padrão, sem marcas de oralidade. Os demais trechos usam registro informal.

Análise das alternativas

A) 'Tá' é redução oral. C) 'pra' é forma reduzida de 'para'. D) 'Aí que' é construção coloquial. E) 'demitiu ele' usa pronome reto como objeto, o que a norma formal não admite (seria 'demitiu-o').

Referência: Língua Portuguesa – variação linguística.

Resolução comentada do VaiConcursos.

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Gabarito: B

Fonte: Gabarito preliminar: Gabarito de Língua Portuguesa — 6º ano — questão 11