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Colégio Militar de Curitiba 2018

Questão discursiva Proposta de Redação — Língua Portuguesa: Produção Textual — Diário

Língua Portuguesa Produção Textual — Diário

Discursiva Colégio Militar de Curitiba 2018 Fundamental

Colégio Militar de Curitiba · Admissão ao 6º ano do Ensino Fundamental — Língua Portuguesa · Questão Proposta de Redação

Sem padrão de resposta — pratique a escrita

Texto-base:
Texto I
Exposição da criança à tecnologia deve ser orientada e supervisionada pelos pais
01 Muito se fala sobre os riscos da exposição precoce da criança à tecnologia. A Academia
Americana de Pediatria revisou recentemente sua recomendação sobre o tema, reduzindo de 24
para 18 meses a idade em que a criança não deve ter nenhum contato com dispositivos
eletrônicos.
05 Mas, os pais sabem o quanto é difícil evitar essa exposição. Muitos bebês são
introduzidos no universo musical por meio dos clipes da “Galinha Pintadinha”. Começam
assistindo em casa. Mas logo os pais descobrem o efeito calmante da “Galinha” e recorrem a
ela, no celular ou no tablet, principalmente em locais onde gostariam que a criança ficasse
quieta, como salas de espera e restaurantes.
10 Para Glaucia Miyazaki, diretora de produtos/learning da FS (empresa desenvolvedora de
aplicativos para crianças de 6 a 11 anos), a introdução da criança no mundo da tecnologia tem
de ser “feita sempre de forma orientada, supervisionada e natural. Deixe a criança mostrar
curiosidade e se interessar pelo equipamento e, a partir daí, escolha qual conteúdo será
apresentado. Esteja próximo para conversar, ensinar, comentar, interagir e brincar junto.
15 Quando a criança vai crescendo, a tecnologia precisa ser introduzida como mais um elemento
sem tomar lugar dos brinquedos e das relações pessoais”.
Sobre a idade mínima para o contato com a tecnologia começar, a especialista afirma que
não existe uma regra para isso, mas sim, que é preciso ter bom senso, pois bebês pequenos
ainda estão desenvolvendo a capacidade de sentar, a coordenação motora para segurar, além da
20 própria visão e, por isso, não faz muito sentido dar a eles um tablet. Em vez disso, deve-se
estimulá-los com música, brinquedos ou móbiles, que são mais indicados.
Mas Glaucia afirma que a tecnologia faz parte da nossa vida e que a criança uma hora
terá de ser apresentada a ela. “É necessário inserir a criança nesse contexto, permitindo o
acesso às possibilidades geradas. Existem diversos aplicativos cuidadosamente pensados e
25 criados para estimular e desenvolver algumas habilidades conforme sua idade, podendo ajudar
no desenvolvimento das crianças de diversas formas. Esses aplicativos podem contribuir para o
exercício do raciocínio e da concentração, estimulando a análise e a observação para resolução
de problemas, provocando a criatividade e apresentando conceitos desde os mais estruturais,
como os números, as operações, as letras, as palavras, as cores, as formas, até os mais sociais,
30 como cuidado com meio ambiente. Alguns atuam na coordenação motora, outros têm cunho
mais pedagógico”.
Se a tecnologia for introduzida de forma adequada, torna-se natural para a criança,
estimulando sua curiosidade e permitindo a interação, além de fornecer possibilidades de
conhecimento.
35 Exemplo deve vir dos pais
Vale lembrar sempre que os pais devem supervisionar o conteúdo a que a criança tem
acesso, além de servir de exemplo para ela. “De nada adianta questionar a criança que deixa de
fazer algo porque está no computador se os pais não deixam o celular de lado nem na hora da
refeição”, afirma Glaucia.
40 Segundo a especialista, a educação digital é um item muito importante que não deve ser
delegado às escolas ou a qualquer outra entidade: “São os pais que precisam dar os limites e
acompanhar essa interação e esse aprendizado. As regras estabelecidas devem ser cumpridas.
Os pais precisam estar atentos, devem ver os aplicativos antes para garantir que são adequados
ao que esperam”.
45 Para evitar que a criança se meta em situações perigosas no mundo virtual, ela lembra
que existem soluções tecnológicas para monitorar o que é feito nos tablets, computadores e
celulares, além da possibilidade de determinar tempo de acesso e conteúdo permitido: “Existe
ainda a parte de configurações dos aparelhos que também permite limitar o tipo de acesso e
ações que podem ser realizadas. Tudo isso ajuda a determinar os limites e também a interagir,
50 atuando na orientação e na educação digital das crianças.”.
Tempo para outras atividades
Glaucia destaca que o uso da tecnologia não deve invadir o tempo de outras atividades da
criança, como brincar, comer, dormir, fazer exercícios, tomar banho, conversar e interagir:
“Isso deve ser mais um elemento nessa rotina de vida. E também não deve ser entendida como
55 uma obrigação. Quando a tecnologia é introduzida de forma orientada e supervisionada, é
natural impor limites de tempo e períodos permitidos, pois assim como as demais atividades,
ela tem seu lugar no dia a dia. Brincar ao ar livre é tão importante quanto ficar um tempo junto
em casa desenhando. Pais e filhos jogarem juntos é tão importante quanto simplesmente
conversarem na mesa de jantar. A questão é que essas pequenas interações estão se perdendo, é
60 isso que precisamos buscar”.
Exposição da criança à tecnologia deve ser orientada e supervisionada pelos pais.
Disponível em:< http://www.focandoanoticia.com.br/exposicao-da-crianca-a-tecnologia-deve-ser-orientada-e-supervisionada-pelos-pais/> . Acesso em: 09 Ago. 2018. Adaptado.

Texto II
O que falta às crianças e jovens viciados em tecnologia?
01 O uso de dispositivos tecnológicos por crianças e jovens está longe de ser prejudicial. Se
bem orientado, pode estimular a criatividade, o raciocínio lógico, a colaboração, a capacidade
de pesquisa e outras competências valiosas para o mundo contemporâneo. No entanto, é
preciso moderação. O aumento da dependência de eletrônicos tem preocupado pais e
05 educadores do mundo todo.
O fato de boa parte das tarefas cotidianas envolver cada vez mais tecnologia torna difícil
definir esse equilíbrio. É comum que, mesmo entre os adultos, a distinção entre o trabalho e o
lazer se faça apenas pela troca de aplicativos: fecham-se o e-mail e os programas do
computador, abrem-se as redes sociais.
10 Da mesma forma, as crianças usam tecnologias na escola e ao fazer os deveres de casa.
Depois, vão para os jogos e as mensagens digitais – muitas vezes, sem nem sair do quarto.
Passam os dias, uns e outros, plugados em monitores. Até que, em alguns casos, o hábito se
transforma em dependência.
Entre crianças e jovens, as consequências do uso excessivo de eletrônicos se percebem
15 tanto em problemas físicos (tendinites, sobrepeso), como também mentais e emocionais
(isolamento social, dificuldade de concentração, transtornos do sono), com reflexo também
nos resultados escolares.
Como no caso de qualquer outro vício ou compulsão, a questão central é detectar o que
está na origem do distúrbio. No caso das crianças e adolescentes, algumas das hipóteses a
20 investigar são:
- Falta de motivação: por que as outras dimensões da vida não lhe provocam o mesmo
interesse e fascínio que um aparelho tecnológico?
- Carência nos relacionamentos: existem lacunas ligadas à afetividade que os
dispositivos eletrônicos estão ajudando a compensar?
25 - Falta de limites: como é feita a organização da rotina de estudo e lazer e de que forma
a família controla o cumprimento saudável das normas?
- Influências dos amigos: estar plugado dia e noite, participar de jogos e das redes
sociais é sinal de status e até uma necessidade para ser aceito no grupo?
Como prevenção, o exemplo da família é fundamental. Os pais precisam evitar usar os
30 dispositivos para tranquilizar a criança, para que fique quieta por algumas horas, e evitar que
as crianças se isolem jogando durante as refeições. Há que se dosar a compra de novos jogos,
pois o momento em que a criança se cansa de um deles é a oportunidade de alternar com
atividades fora da web.
Vale marcar um horário para o uso e garantir que seja respeitado. Uma experiência
35 interessante é a negociação de horas de uso de eletrônicos com outras tarefas, por exemplo: se
arrumar o quarto, ganha mais quinze minutos de internet. E o principal, sobretudo com
crianças: participar das atividades digitais junto com elas. Não só para monitorar, mas porque
o relacionamento com os pais, em atividades desfrutadas em comum, pode ser o melhor dos
presentes.
Disponível em:< http://g1.globo.com/educacao/blog/andrea-ramal/post/o-que-falta-criancas-e-jovens-viciados-em-tecnologia.html>Acesso em: 09 ago. 2018. Adaptado.

Texto III
Tecnologia do agora
Estou ficando cansado
Da tal tecnologia
Só se fala por e-mail
Mensagem curta e fria
Twitter e Facebook
Antes que eu caduque
Vou dizer tudo em poesia.

Não é mais como era antes
É tudo abreviado
"Você" só tem duas letras
O "O" e o "E" foram riscados
Para declarar o amor
Basta botar uma flor
E um coração desenhado.

Arroba agora não pesa
É parte de um endereço
Ponto final nem se usa
Ou vai até no começo
Agora é .com
Se o site é muito bom
Ele vale um alto preço.

Pra piorar a linguagem
O emoticom é um risco
Tem símbolo para tudo
Ponto e vírgula e um asterisco
Um beijo significa
Pra entender como fica
Decifre esse rabisco.

Tenho saudade das cartas
Escritas com a própria mão
Mandava no mês de Junho
Só chegava no Verão
Mas matava a saudade
Era texto de verdade
Nas linhas do coração.

Agora, escrevo e envio
Chegando na mesma hora
Mas quando vou prosear
A pessoa foi embora
Abriu outro aplicativo
O mundo ficou cativo
Da tecnologia do agora.

Vocabulário:
Caduque – verbo “caducar” conjugado. Cair em desuso; ficar ultrapassado; desaparecer.
Arroba – unidade de peso equivalente a 15 kg.

Milton Duarte
Adaptado. Disponível em<https://www.recantodasletras.com.br/poesias/3186743> Acesso em: 09 ago. 2018.

Texto IV
No texto IV há três crianças com equipamentos eletrônicos e uma criança com um brinquedo “tradicional”, um caminhãozinho.
Charge: três crianças lado a lado olham para aparelhos eletrônicos (dois celulares e um notebook); uma delas diz, em um balão de fala, “Ele é criado pelo avô”, referindo-se a um menino de boné que passa sorrindo, puxando por um barbante um caminhãozinho de brinquedo. Assinatura: Jarbas.
Disponível em: <http://professorjuliosouto.blogspot.com/2017/03/ponto-extra-8-ano-c.html> Acesso em: 09 ago. 2018. Adaptado.

Texto V
Charge em uma biblioteca: a bibliotecária, sentada à mesa, diz em um balão: “Bem-vindo à biblioteca. Adoramos os jovens. Temos milhões de histórias, milhares de romances, centenas de pensamentos profundos. O que você deseja?”. Um jovem de boné e mochila, olhando o celular, responde: “Só duas coisas: uma tomada para o carregador e a senha do wifi.”. Créditos: Faro e Dacol, www.e-faro.info.
Traduzido. Disponível em:<https://universoabierto.org/2016/08/17/servicios-bibliotecarios/> Acesso em: 09 ago. 2018.

Proposta de Redação
Charge intitulada “Dia das Crianças”: cinco crianças em tons de cinza, de pé, olham para celulares com a indicação “click click”, enquanto no chão, ao centro, há brinquedos coloridos esquecidos: um carrinho de rolimã, pião, bola, peteca, estilingue, bolinhas de gude e uma pipa. Assinatura: Bruno, chargesbruno.blogspot.com.
Inspirado(a) em todos os textos desta prova e na imagem acima, escreva uma PÁGINA DE DIÁRIO, em que você conte uma experiência – real ou fictícia – sobre alguma situação de isolamento ou de ausência de um(a) amigo(a) ou familiar por uso excessivo de tecnologia (celular, computador, tablet, etc). Pode ser algo que você tenha presenciado na escola ou em sua família, por exemplo.

Atenção às orientações.
– Redija um texto de 17 a 25 linhas, de acordo com a norma culta da língua portuguesa.
– Utilize a primeira pessoa do singular.
– Não utilize nenhum trecho dos textos apresentados nesta prova.
– Faça letra legível, sem rasuras, utilizando caneta esferográfica de tinta azul ou preta.
– Não fuja da proposta solicitada.
Observação: será atribuído GRAU ZERO à redação que contenha marcas de identificação do autor(a), tais como: nome, assinatura, desenhos e mensagens.

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