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EEAR · Comando da Aeronáutica — Escola de Especialistas de Aeronáutica (EEAR)

Questão 02 — Língua Portuguesa: Interpretação de Texto

Língua Portuguesa Interpretação de Texto

EEAR Médio

Comando da Aeronáutica — Escola de Especialistas de Aeronáutica (EEAR) · Curso de Formação de Sargentos (CFS 2/2018) — Aeronavegantes e Não-Aeronavegantes · Caderno Código da Prova 11

Gabarito disponível

Texto-base:
Quem casa quer casa
Num tempo em que se casava depois de namorar e noivar, viajei com meu marido para a minha primeira casa, no mesmo dia do meu casamento. Partia na verdade para um reino onde, tendo modos à mesa e usando meia fina, seria uma mulher distinta como Dona Alice e seu marido saindo para a missa das dez. Pois sim, meu enxoval (...) foi despachado com zelo pela via férrea para uma cidade longe, tão longe que não pude eu mesma escolher casa e coisas. Como você quer nossos móveis?, havia perguntado meu noivo. Ah, eu disse, você pode escolher, mas gosto mesmo é daqueles escuros, pretos. Pensava na maravilhosa cristaleira de Dona Cecília, móveis de pernas torneadas e brilhantes, cama de cabeceira alta. Para a cozinha achei melhor nem sugerir, apostando na surpresa. Você pode cuidar de tudo, respondi a meu noivo atrapalhado com as providências, os poucos dias de folga na empresa, sozinho (…). Foi abrir a porta de nossa casa com alpendre e levei o primeiro susto de muitos de minha vida de casada. A mobília – palavra que sempre detestei – era daquele amarelo bonito de peroba. Tem pouco uso, disse meu marido, comprei de um colega que se mudou daqui. Gostei da cristaleira, seus espelhos multiplicando o ‘jogo de porcelana’ – que invenção! A cama era feia, egressa de um outro desenho, sem nada a ver com a sala. E a cozinha? O mesmo fogão a lenha que desde menina me encarvoara. O fogão a gás vem em duas semanas, explicou meu marido com mortificada delicadeza, adivinhando o borbotão de lágrimas. Mas o banheiro, este sim amei à primeira vista, azulejos, louça branca e um boxe com cortina amarela desenhada em peixes e algas. Recompensou-me. Faz quarenta anos desde minha apresentação a este meu primeiro banheiro com cortina, a um piso que se limpava com sapóleo, palavra que incorporei incontinente ao meu novo status. Vinha de uma casa com panelas de ferro que só brilhavam a poder de areia. (…) Quando me viu a pique de chorar, meu marido me disse naquele dia: quando puder, vou comprar móveis pretos e torneados pra você. Compreendi, com grande sorte para mim, que era melhor escutar aquela promessa ardente ao ouvido, que ter móveis bonitos e marido desatento. Do viçoso jardim arranquei quase tudo para ‘plantar do meu jeito’, tentativa de construir um lar, esperança que até hoje guardo e pela qual me empenho como se tivesse acabado de me casar.
Adélia Prado
https://cronicasurbanas/wordpress/tag/adelia-prado
VOCABULÁRIO
alpendre: varanda coberta
borbotão: caudal; jorro; jato forte, em grande quantidade
egressa: afastada; retirada, que não pertence a um grupo
encarvoara: sujara de carvão
incontinente: que ou quem não se contém, sem moderação
viçoso: que cresce e se desenvolve com vigor
As questões de 01 a 04 referem-se ao texto anterior.

Considerando-se o tema de que trata o texto, pode-se indicar que diz respeito a
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Tema central do texto: a construção do lar e da felicidade a dois.

Apesar dos sustos e das frustrações iniciais, a narradora aceita a casa imperfeita e o marido, e segue construindo o lar com esperança, 'como se tivesse acabado de me casar'. O tema é, portanto, a construção da felicidade matrimonial.

Análise das alternativas

A) É genérica demais e não capta o foco no lar e no esforço de construí-lo. B) Há frustrações pontuais, mas o texto termina em esperança e não em desilusão. C) O texto não critica a mulher 'do lar'. A narradora valoriza sua casa.

Referência: Interpretação de texto: tema e ideia central

Resolução comentada do VaiConcursos.

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Gabarito: D

Fonte: Gabarito preliminar: Gabarito Oficial — Código 11, página 2