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TEXTO III
Tempo e internet: sedução e mistério de um novo conceito de tempo
Eloiza Oliveira
O surgimento e rapidíssima difusão da internet provocaram uma verdadeira revolução, entre outras características, o rompimento dos conceitos tradicionais de espaço e tempo. Com a minimização das distâncias espaço-temporais e a intensificação da recursividade, a possibilidade de múltiplas interferências, a variedade de conexões e a diversificação de trajetórias, rompeu-se a temporalidade rígida, relativizando-a.
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Sherry Turkle (2012) faz duras críticas ao fato do longo tempo de conexão à internet, prática comum hoje em dia. Segundo ela, focalizando a questão das relações mediadas pela rede, a longa conexão traz uma “ilusão” de estar sempre acompanhado por olhos e ouvidos, de ter uma infinidade de “amigos”. A tecnologia providenciaria uma impressão de escuta permanente e de proteção contra a solidão e o desamparo, com três falsas certezas: a de que podemos colocar nossa atenção no que quisermos; a de que seremos sempre ouvidos; e a de que nunca ficaremos sós. Isso leva as pessoas, especialmente os adolescentes, a dizerem que, para se comunicar, preferem escrever a falar.
Em contrapartida, segundo a autora, a solidão oriunda da desconexão à internet, passa a ser percebida com medo, como um estado de desligamento que precisa ser evitado, um problema a ser resolvido, um estado que ameaça o sujeito em sua identidade e na percepção de si mesmo.
Em alguns casos, que não constituem o objeto deste artigo, o uso da internet adquire características de compulsão, provocando a dependência e a utilização do termo Transtorno de Dependência de Internet (TDI), em que estar conectado se transforma em uma imperiosa necessidade e o uso do tempo na internet, abusivo.
Para Palfrey e Gasser (2011, p. 210), “[...] o vício da internet, a síndrome da fadiga de informações e a sobrecarga de informações estão entre os termos que estão sendo lançados para descrever as novas doenças patológicas da era digital”.
A modificação do “fluir temporal”, a que as pessoas estão acostumadas, dá suporte a uma das características da contemporaneidade: a negação do tempo passado e a não conexão com o futuro (DRAWIN, 2003), que fazem parte do que Bauman (2001, 2004) chamou de “modernidade líquida”, caracterizada, entre outras coisas, pela fragilidade dos laços afetivos (“amor líquido”).
A extraterritorialidade e a fluidez típicas das relações na internet são assim caracterizadas pelo autor: “Diferentemente dos ‘relacionamentos reais’, é fácil entrar e sair dos ‘relacionamentos virtuais’. Em comparação com a ‘coisa autêntica’, pesada, lenta e confusa, eles parecem inteligentes e limpos, fáceis de usar, compreender e manusear. [...] Sempre se pode apertar a tecla de deletar.” (BAUMAN, 2004, p. 13).
Para outros autores, como Rheingold (1993), no entanto, a capacidade de comunicação coletiva nos ambientes virtuais da internet possibilita a interação, os relacionamentos, as amizades e a formação de laços comunitários entre estranhos.
A verdade é que, com a vertiginosa expansão da internet, o homem, que desenvolveu o conceito de tempo desde o nascimento, a partir dos intervalos biológicos de sono, alimentação e satisfação das demais necessidades biológicas, fica perplexo e fascinado com essa nova dimensão ciberespacial e cibertemporal.
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OLIVEIRA, E. S. G. Adolescência, internet e tempo: desafios para a Educação. Educar em Revista, Curitiba, Brasil, n. 64, p. 283-298, abr./jun. 2017. p. 287-9.
No texto “Tempo e internet: sedução e mistério de um novo conceito de tempo”, considerando-se os diferentes argumentos empregados, identifica-se a seguinte tese:
Resolução comentada
Tese: a internet relativizou tempo e espaço.
O primeiro parágrafo afirma que a internet rompeu os conceitos tradicionais de espaço e tempo, relativizando a temporalidade. Essa é a tese central, e os demais pontos são argumentos ou desdobramentos.
Análise das alternativas
A) É argumento de Turkle sobre a solidão. B) Contraria o texto, que fala em negação do passado e não conexão com o futuro. C) A tecnologia traz falsas certezas, não combate eficaz à solidão. D) É aspecto secundário, fora do foco do artigo.
Referência: Texto III, Eloiza Oliveira.
Resolução comentada do VaiConcursos.