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Colégio Militar de Manaus (DECEx – DEPA) · Colégio Militar de Manaus 2019

Questão 16 — Língua Portuguesa: Intertextualidade

Língua Portuguesa Intertextualidade

Colégio Militar de Manaus (DECEx – DEPA) 2019 Fundamental

Colégio Militar de Manaus · Concurso de Admissão — 1º Ano do Ensino Médio — Língua Portuguesa

Gabarito disponível

Texto-base:
TEXTO VII
A INTERFERÊNCIA DO TEMPO
Martha Medeiros
Há quem diga que o tempo não existe, que somos nós que o inventamos e tentamos controlá-lo com nossos relógios e calendários. Nem ousarei discutir esta questão filosófica, existencial e cabeluda. Se o tempo não existe, eu existo. Se o tempo não passa, eu passo. E não é só o espelho que me dá certeza disso.
O tempo interfere no meu olhar. Lembro do colégio em que estudei durante mais de uma década, meu primeiro contato com o mundo fora da minha casa. O pátio não era grande – era colossal.
Uma espécie de superfície lunar sem horizontes à vista, assim eu o percebia aos sete anos de idade. As escadas levavam ao céu, eu poderia jurar que elas atravessavam os telhados. Os corredores eram passarelas infinitas, as janelas pareciam enormes portões de vidro, eu me sentia na terra dos gigantes.
Volto, depois de muitos anos, para visitá-lo e descubro que ele continua sendo um colégio grande, mas nem o pátio, nem os corredores, nem as escadas, nada tem o tamanho que parecia antes. O tempo ajustou minhas retinas e deu proporção às minhas ilusões.
A interferência do tempo atinge minhas emoções também. Houve uma época em que eu temia certo tipo de gente, aqueles que estavam sempre a postos para apontar minhas fraquezas. Hoje revejo essas pessoas e a sensação que me causam não é nem um pouco desafiadora.
E mesmo os que amei já não me provocam perturbação alguma, apenas um carinho sereno. Me pergunto como é que se explica que sentimentos tão fortes como o medo, o amor ou a raiva se desintegrem? Alguém que era grande no meu passado, fica pequeno no meu presente. O tempo, de novo, dando a devida proporção aos meus afetos e desafetos.
Talvez seja esta a prova da sua existência: o tempo altera o tamanho das coisas. Uma rua da infância, que exigia muitas pedaladas para ser percorrida, hoje é atravessada em poucos passos. Uma árvore que para ser explorada exigia uma certa logística – ou ao menos um “calço” de quem estivesse por perto e com as mãos livres – hoje teria seus galhos alcançados num pulo. A gente vai crescendo e vê tudo do tamanho que é, sem a condescendência da fantasia.
E ainda nem mencionei as coisas que realmente foram reduzidas: apartamentos que parecem caixotes, carros compactos, conversas telegráficas, livros de bolso, pequenas salas de cinema, casamentos curtos. Todo aquele espaço da infância, em que cabia com folga nossa imaginação e inocência, precisa hoje se adaptar ao micro, ao mínimo, a uma vida funcional.
Eu cresci. Por dentro e por fora (e, reconheço, pros lados). Sou gente grande, como se diz por aí. E o mundo à minha volta, à nossa volta, virou aldeia, somos todos vizinhos, todos vivendo apertados, financeira e emocionalmente falando. Saudade de uma alegria descomunal, de uma esperança gigantesca, de uma confiança do tamanho do futuro – quando o futuro também era infinito à nossa frente.
Fonte: <https://www.facebook.com/MarthaMedeiros>.

TEXTO VIII
Tira de Mafalda em quatro quadrinhos. Mafalda pergunta a um amigo: “Você já pensou na quantidade de minutos que ficam esperando a vez para sair dos relógios?” “Temos à frente milhões de minutos sem usar! Novinhos em folha!” “Minutos que teremos que saber utilizar de maneira positiva!” O amigo, sentado e abatido, responde: “Meu Deus! Que responsabilidade!”
Fonte: Toda Mafalda, Quino, Editora Martins Fontes.

Pode-se dizer que o texto VII, “A interferência do tempo”, de Martha Medeiros, relaciona-se com esta tira de Mafalda, texto VIII. O fragmento do texto VII que justifica essa afirmação é:
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Gabarito: E

Fonte: Gabarito preliminar: Gabarito — Língua Portuguesa, 1º Ano do Ensino Médio, CMM 2019/2020