Gabarito disponível
Ana, 35 anos, acorda no sábado com uma sensação de incômodo em uma das mamas e percebe uma secreção no mamilo. No autoexame, há um volume diferente e até então inexistente em sua mama. Temerosa, por já ter tido um caso de câncer de mama na família, Ana logo procura atendimento médico e recorre ao pronto-socorro municipal, já que a unidade de Saúde da Família de seu bairro não abre nos finais de semana. No pronto socorro, Ana espera por algumas horas e é atendida pelo plantonista, que a examina e questiona quanto à sua ida ao ginecologista e a seu último exame de mamografia. Nada observa ao exame e lhe receita um analgésico, referindo que não se tratava de caso de urgência e que ela fosse ao médico do posto. Ana sai desolada do pronto-socorro, pois não queria adiar a solução para o seu caso. Na manhã de segunda-feira, ela acorda cedo e vai para o Centro de Saúde, onde encontra uma pequena fila. A enfermeira recebe Ana, e ela lhe explica o ocorrido. Ana logo consegue ser atendida, e o médico da Saúde da Família a examina, identifica uma pequena infecção, encaminha ao ginecologista e continua com a receita do analgésico. Ana sai da unidade triste e pensativa: “Um pequeno volume na mama... Será um caroço? Será que estou com um câncer, assim como minha avó?” Ana angustia-se: “E esse pedido do médico? Onde tem ginecologista aqui no município?” A enfermeira que a atendeu a vê saindo, mas, como está envolvida com outros atendimentos, não consegue saber se Ana precisa de mais alguma coisa. Ana vai em busca do ginecologista do hospital municipal. Na recepção, busca informações sobre a marcação de consultas:
– Boa tarde. Preciso de uma informação. Estou com a solicitação do meu médico para um atendimento com o ginecologista. Onde posso agendar a consulta?
A atendente responde secamente:
– O horário para agendamento de consultas é até as 14h, mas já adianto que há uma fila de espera de mais de dois meses para o ginecologista.
Ana insiste:
– Mas estou com muita dor e preciso fazer essa consulta com urgência.
A atendente não se sensibiliza:
– Todas dizem a mesma coisa. Se for de fato uma urgência, vá ao pronto-socorro. Agora, se quiser marcar uma consulta, volte amanhã até as 14h.
A atendente encerra a conversa. Ela fica irritada com toda a situação, mas também se sente impotente. Volta para casa e de novo se vê envolvida com seus afazeres sem solução para o seu problema.
(Adaptado de Machado, Lima e Baptista, 2009)
Tendo em vista que a Política Nacional de Humanização/Humaniza SUS objetiva a qualificação das práticas de atenção e de gestão em saúde, assinale a alternativa correta.
Resolução comentada
Tecnologias e habilidades da PNH aplicáveis ao caso: acolhimento, escuta, empatia, corresponsabilização e ambiência.
A PNH propõe acolhimento, vínculo, escuta qualificada, empatia, corresponsabilização e ambiência como tecnologias de cuidado. A enfermeira poderia usá-las para escutar Ana, orientar o fluxo e garantir a continuidade do cuidado, o que não ocorreu no caso.
Análise das alternativas
A está errada: o projeto terapêutico singular é uma ferramenta de cuidado individualizado e não implanta um modelo curativo. B está errada: o caso mostra desvalorização dos sujeitos, com falhas de acolhimento. D está errada: a PNH preconiza escuta das angústias, não evitá-las. E está errada: o acolhimento não se limita a quem procura o serviço e envolve também a rede e a corresponsabilização.
Referência: Brasil. Política Nacional de Humanização (HumanizaSUS)
Resolução comentada do VaiConcursos.