Gabarito disponível
Texto-base:
TEXTO PORTUGUÊS
Para que ninguém a quisess0065
Porque os homens olhavam demais para a sua mulher, mandou que descesse a bainha dos vestidos e parasse de se pintar.
Apesar disso, sua beleza chamava a atenção, e ele foi obrigado a exigir que eliminasse os decotes, jogasse fora os sapatos de saltos altos. Dos armários tirou as roupas de seda, da gaveta tirou todas as jóias. E vendo que, ainda assim, um ou outro olhar viril se acendia à passagem dela, pegou a tesoura e tosquiou-lhe os longos cabelos.
Agora podia viver descansado. Ninguém a olhava duas vezes, homem nenhum se interessava por ela. Esquiva como um gato, não mais atravessava praças. E evitava sair.
Tão esquiva se fez, que ele foi deixando de ocupar-se dela, permitindo que fluísse em silêncio pelos cômodos, mimetizada com os móveis e as sombras.
Uma fina saudade, porém, começou a alinhavar-se em seus dias. Não saudade da mulher. Mas do desejo inflamado que tivera por ela.
Então lhe trouxe um batom. No outro dia um corte de seda. À noite tirou do bolso uma rosa de cetim para enfeitar- lhe o que restava dos cabelos.
Mas ela tinha desaprendido a gostar dessas coisas, nem pensava mais em lhe agradar. Largou o tecido em uma gaveta, esqueceu o batom. E continuou andando pela casa de vestido de chita, enquanto a rosa desbotava sobre a cômoda.
htpp://www.avozdapoesia.com.br/obras_ler.php?obra_id=19263. Acesso em 9 de março de 2018
Assinale a alternativa que explica o sentido do trecho "enquanto a rosa desbotava sobre a cômoda" (linha 14):
TEXTO PORTUGUÊS
Para que ninguém a quisess0065
Porque os homens olhavam demais para a sua mulher, mandou que descesse a bainha dos vestidos e parasse de se pintar.
Apesar disso, sua beleza chamava a atenção, e ele foi obrigado a exigir que eliminasse os decotes, jogasse fora os sapatos de saltos altos. Dos armários tirou as roupas de seda, da gaveta tirou todas as jóias. E vendo que, ainda assim, um ou outro olhar viril se acendia à passagem dela, pegou a tesoura e tosquiou-lhe os longos cabelos.
Agora podia viver descansado. Ninguém a olhava duas vezes, homem nenhum se interessava por ela. Esquiva como um gato, não mais atravessava praças. E evitava sair.
Tão esquiva se fez, que ele foi deixando de ocupar-se dela, permitindo que fluísse em silêncio pelos cômodos, mimetizada com os móveis e as sombras.
Uma fina saudade, porém, começou a alinhavar-se em seus dias. Não saudade da mulher. Mas do desejo inflamado que tivera por ela.
Então lhe trouxe um batom. No outro dia um corte de seda. À noite tirou do bolso uma rosa de cetim para enfeitar- lhe o que restava dos cabelos.
Mas ela tinha desaprendido a gostar dessas coisas, nem pensava mais em lhe agradar. Largou o tecido em uma gaveta, esqueceu o batom. E continuou andando pela casa de vestido de chita, enquanto a rosa desbotava sobre a cômoda.
htpp://www.avozdapoesia.com.br/obras_ler.php?obra_id=19263. Acesso em 9 de março de 2018
Assinale a alternativa que explica o sentido do trecho "enquanto a rosa desbotava sobre a cômoda" (linha 14):
Resolução comentada
A rosa desbotada simboliza a anulação da identidade da mulher.
A mulher foi sendo apagada pelo controle do marido, a ponto de perder o gosto pelas coisas que a definiam. A rosa que desbota sem ser notada espelha esse apagamento de sua identidade.
Análise das alternativas
A e B: a personagem não demonstra força nem resistência, e sim submissão e apagamento. C: não há raiva nem desleixo, mas desaprendizado do desejo e da vaidade. E: a rosa não simboliza a anatomia feminina.
Referência: Marina Colasanti, 'Para que ninguém a quisesse'.
Resolução comentada do VaiConcursos.