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Colégio Militar de Juiz de Fora (CMJF) 2020

Questão 14 — Língua Portuguesa: Interpretação de Texto

Língua Portuguesa Interpretação de Texto

2020 Fundamental

Colégio Militar de Juiz de Fora (CMJF) · Admissão ao 6º ano do Ensino Fundamental · Caderno Prova 1

Gabarito disponível

Texto-base:
TEXTO 1

A bola

O pai deu uma bola de presente ao filho. Lembrando o prazer que sentira ao ganhar a sua primeira bola do pai. Uma número 5 sem tento oficial de couro. Agora não era mais de couro, era de plástico. Mas era uma bola.
O garoto agradeceu, desembrulhou a bola e disse “Legal!”. Ou o que os garotos dizem hoje em dia quando gostam do presente ou não querem magoar o velho. Depois começou a girar a bola, à procura de alguma coisa.
− Como é que liga? − perguntou.
− Como, como é que liga? Não se liga.
O garoto procurou dentro do papel de embrulho.
− Não tem manual de instrução?
O pai começou a desanimar e a pensar que os tempos são outros. Que os tempos são decididamente outros.
− Não precisa manual de instrução.
− O que é que ela faz?
− Ela não faz nada. Você é que faz coisas com ela.
− O quê?
− Controla, chuta…
− Ah, então é uma bola.
− Claro que é uma bola.
− Uma bola, bola. Uma bola mesmo.
− Você pensou que fosse o quê?
− Nada, não.
O garoto agradeceu, disse “Legal” de novo, e dali a pouco o pai o encontrou na frente da tevê, com a bola nova do lado, manejando os controles de um videogame. Algo chamado Monster Ball, em que times de monstrinhos disputavam a posse de uma bola em forma de bip eletrônico na tela ao mesmo tempo que tentavam se destruir mutuamente.
O garoto era bom no jogo. Tinha coordenação e raciocínio rápido. Estava ganhando da máquina.
O pai pegou a bola nova e ensaiou algumas embaixadas. Conseguiu equilibrar a bola no peito do pé, como antigamente, e chamou o garoto.
− Filho, olha.
O garoto disse “Legal”, mas não desviou os olhos da tela. O pai segurou a bola com as mãos e a cheirou, tentando recapturar mentalmente o cheiro de couro. A bola cheirava a nada. Talvez um manual de instrução fosse uma boa ideia, pensou. Mas em inglês, para a garotada se interessar.

VERÍSSIMO, Luis Fernando. Comédias para ler na escola. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.

O narrador do Texto 1 afirma:
“O pai começou a desanimar e a pensar que os tempos são outros. Que os tempos são decididamente outros.”
Pelo pensamento do pai, deduz-se que
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Inferência a partir do pensamento do pai ('os tempos são outros').

O pai relembra o prazer que sentiu ao ganhar sua primeira bola. Ao ver o desinteresse do filho, conclui que 'os tempos são outros', isto é, que no tempo dele uma criança ficava entusiasmada com uma bola. É o que diz a alternativa D.

Análise das alternativas

A: o pai não diz que seria 'inadmissível' o filho não saber isso. B: o texto não generaliza que os filhos de antes valorizavam mais todos os presentes. C: o pai não pensa em medidas drásticas. E: o pai não afirma que o passado era melhor em tudo, apenas nota a diferença de gerações.

Referência: Interpretação de texto: inferência.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Ver gabarito

Gabarito: D

Fonte: Gabarito preliminar: Gabarito CMJF 2020/2021 — Prova 1