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Colégio Militar do Recife (Exército Brasileiro — DECEx/DEPA) 2020

Questão 14 — Língua Portuguesa: Interpretação de Texto

Língua Portuguesa Interpretação de Texto

2020 Fundamental

Colégio Militar do Recife (Exército Brasileiro — DECEx/DEPA) · Admissão ao 6º ano do Ensino Fundamental

Gabarito disponível

Texto-base:
TEXTO 1
BISA BIA, BISA BEL
[...]
A gente ia conversando e olhando os retratos. De repente eu vi um que era a coisa mais fofa que você puder imaginar. Para começar, não era quadrado nem retangular, como os retratos que a gente sempre vê. Era redondo, espichado. Oval, mamãe explicou depois, em forma de ovo. E não era colorido nem preto-e-branco. Era marrom e bege clarinho. Mamãe disse que essa cor de retrato velho chamava sépia. E não ficava solto, que nem essas fotos que a gente tira e busca depois na loja, num álbum pequeno ou dentro de um envelope. Nada disso. Esse retrato oval e sépia ficava preso num cartão duro cinzento, todo enfeitado de flores e laços de papel mesmo, só que mais alto, como se o papelão estivesse meio inchado naquele lugar – gostoso de ficar passando o dedo por aquele cartão alto. E dentro disso tudo é que estava a fofura maior. Uma menininha linda, de cabelo todo cacheado. Vestido claro cheio de fitas e rendas, segurando numa das mãos uma boneca de chapéu e na outra uma espécie de pneu de bicicleta soltinho, sem bicicleta, nem raio, nem pedal, sei lá, uma coisa parecida com um bambolê de metal.
– Ah, mãe, me dá essa bonequinha...
– Não é boneca, minha filha, é um retrato da vovó Beatriz.
– Ué, essa avó eu não conheço. Só conheço a vó Diná e a vó Ester. Tem outras, é?
– Tem, mas é minha. Vovó Beatriz. Sua bisavó...
– Minha bisavó Beatriz...
Fiquei olhando para o retrato e logo vi que não podia chamar de bisavó Beatriz aquela menina fofa com jeito de boneca. Não tinha cara nenhuma de bisavó, vê lá... Dava vontade de brincar com ela.
– Cadê a boneca da menina, mãe? E o bambolê? Que fim levou? Alguém guardou?
– Não. Isso tudo já faz muito tempo, se perdeu por aí. E não era bambolê...
– Pneu de bicicleta, já sei.
– Não, era um brinquedo antigo, que se empurrava pelo chão, rodando e equilibrando. Chamava arco. Não é nem do meu tempo, é do tempo da vovó Beatriz. Sua bisavó... – minha mãe ia respondendo com uma voz meio sonhadora.
– Minha Bisa Vó... Minha Bisa Beatriz...
Acho que deve ter sido meio por aí que comecei a pensar nela como minha Bisa Bia. E queria o retrato pra mim:
– Ah, mãe, me dá a foto, dá... É uma gracinha, parece uma boneca, dá pra mim...
– Não posso, minha filha. Pra que é que você quer isso? Você nem conheceu sua bisavó...
– Por isso mesmo, para eu ficar com ela para cima e para baixo, até conhecer bem. Levar para a escola, para a praça, para a calçada, pra todo canto. Dá pra mim, dá...
O tom de voz da mamãe ficou mais firme:
– Não. É o único retrato que tenho dela, não posso dar.
Mas eu devo ter olhado com uma cara tão pidona que ela ficou com pena:
– Está bem. Dar, eu não dou. Mas empresto para você levar para a escola.
Quando eu já ia saindo aos pinotes com o retrato na mão, ela ainda recomendou:
– Mas muito cuidado, hem? Não suje o retrato, não amasse. E, principalmente, veja se não larga por aí à toa... É a única foto de sua bisavó quando era pequena.
[...]
MACHADO, Ana Maria. Bisa Bia, Bisa Bel. Moderna, 2002. (Fragmento)

No fragmento “Mas eu devo ter olhado com uma cara tão pidona que ela ficou com pena”, o trecho em destaque atesta que a mãe. O trecho em destaque, em negrito, é “ela ficou com pena”.
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Gabarito: A

Fonte: Gabarito preliminar: Gabarito definitivo — Matemática e Língua Portuguesa, página 1