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Escola de Especialistas de Aeronáutica (EEAR) · Comando da Aeronáutica — Escola de Especialistas de Aeronáutica

Questão 01 — Língua Portuguesa: Interpretação de Texto

Língua Portuguesa Interpretação de Texto

Escola de Especialistas de Aeronáutica (EEAR) Médio

Comando da Aeronáutica — Escola de Especialistas de Aeronáutica · Curso de Formação de Sargentos da Aeronáutica (CFS 2/2020) — Aeronavegantes e Não-Aeronavegantes · Caderno Código 21

Gabarito disponível

Texto-base:
Insônia infeliz e feliz
Clarice Lispector

De repente os olhos bem abertos. E a escuridão toda escura. Deve ser noite alta. Acendo a luz da cabeceira e para o meu desespero são duas horas da noite. E a cabeça clara e lúcida. Ainda arranjarei alguém igual a quem eu possa telefonar às duas da noite e que não me maldiga. Quem? Quem sofre de insônia? E as horas não passam. Saio da cama, tomo café. E ainda por cima com um desses horríveis substitutos do açúcar porque Dr. José Carlos Cabral de Almeida, dietista, acha que preciso perder os quatro quilos que aumentei com a superalimentação depois do incêndio. E o que se passa na luz acesa da sala? Pensa-se uma escuridão clara. Não, não se pensa. Sente-se. Sente-se uma coisa que só tem um nome: solidão. Ler? Jamais. Escrever? Jamais. Passa-se um tempo, olha-se o relógio, quem sabe são cinco horas. Nem quatro chegaram. Quem estará acordado agora? E nem posso pedir que me telefonem no meio da noite pois posso estar dormindo e não perdoar. Tomar uma pílula para dormir? Mas e o vício que nos espreita? Ninguém me perdoaria o vício. Então fico sentada na sala, sentindo. Sentindo o quê? O nada. E o telefone à mão.
Mas quantas vezes a insônia é um dom. De repente acordar no meio da noite e ter essa coisa rara: solidão. Quase nenhum ruído. Só o das ondas do mar batendo na praia. E tomo café com gosto, toda sozinha no mundo. Ninguém me interrompe o nada. É um nada a um tempo vazio e rico. E o telefone mudo, sem aquele toque súbito que sobressalta. Depois vai amanhecendo. As nuvens se clareando sob um sol às vezes pálido como uma lua, às vezes de fogo puro. Vou ao terraço e sou talvez a primeira do dia a ver a espuma branca do mar. O mar é meu, o sol é meu, a terra é minha. E sinto-me feliz por nada, por tudo. Até que, como o sol subindo, a casa vai acordando e há o reencontro com meus filhos sonolentos.

Clarice Lispector, no livro “A descoberta do mundo”. Rio de Janeiro: Rocco, 1999.

As questões de 01 a 04 referem-se ao texto acima.

Leia: “O mar é meu, o sol é meu, a terra é minha”.
Essa sensação de posse deve-se ao fato de ela
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

A posse vem de contemplar o amanhecer sozinha, sem interrupções.

Ela está sozinha e em silêncio, 'a primeira do dia' a ver a espuma do mar, antes de a casa e o mundo acordarem. Essa exclusividade momentânea gera a sensação de que mar, sol e terra são seus.

Análise das alternativas

B) O texto não diz que será impossível contemplar a imagem depois; ela fala do reencontro com os filhos como algo positivo. C) A proximidade do mar não explica a sensação de posse. D) Não há menção a riqueza nem a compras.

Referência: Interpretação de texto: Clarice Lispector.

Resolução comentada do VaiConcursos.

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Gabarito: A

Fonte: Gabarito preliminar: Gabarito Oficial — Código 21 — página 2