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Ser solidário é bom, mas não basta
As doações de empresas e indivíduos para financiar o esforço no combate à pandemia de covid-19 já superaram R$ 3 bilhões. É uma cifra formidável. Dessa forma, a elite nacional exibe notável senso de solidariedade em relação aos milhões de brasileiros que dependem de ajuda para sobreviver, não só ao coronavírus, mas à miséria.
O problema é que, passada a pandemia, a elite, hoje solidária, retomará seus afazeres privados, mas nada da duríssima realidade de seus miseráveis compatriotas terá mudado. Assim, a solidariedade ante o padecimento dos desafortunados, embora louvável e necessária, não é suficiente. É preciso que a sociedade, em especial a elite política e econômica, considere inaceitável que a maioria de seus conterrâneos viva apartada daquilo a que chamamos de civilização.
Adentramos o século 21, quando as maravilhas das tecnologias digitais multiplicam o conforto e a sofisticação das sociedades, mas há uma parte significativa dos brasileiros que vive como se ainda estivéssemos no século 19 – sem acesso a equipamentos públicos que a esta altura já deveriam ser universais.
Não se pode considerar aceitável que 100 milhões de brasileiros não tenham acesso a esgoto tratado, como se todas essas pessoas fossem cidadãs de segunda classe. Do mesmo modo, devemos considerar vergonhoso viver em um dos países mais desiguais do mundo, em múltiplos sentidos, não só em renda, como em outros indicadores.
Assim, não se trata mais de uma crise social e sanitária. É uma crise vital. Para enfrentá-la, não basta ser solidário. Está na hora de lutar, para que a sociedade se transforme, de tal maneira que todos os que aqui vivem, sem exceção, sejam afinal tratados com um mínimo de dignidade.
(O Estado de S.Paulo, 31.05.2020. Adaptado)
De acordo com a leitura do texto, conclui-se que
Resolução comentada
O texto conclui que a vida digna para todos exige mais do que a solidariedade pontual.
O título e o final do texto dizem que ser solidário é bom, mas não basta. É preciso que a sociedade transforme a realidade e trate todos com dignidade. Isso leva à alternativa A.
Análise das alternativas
B: o texto critica a elite, que retomará seus afazeres privados, e não fala em empenho contínuo contra a desigualdade. C: as doações não estancaram as consequências da pandemia. D: a cifra é “formidável”, mas o texto diz que ela não resolve a desigualdade. E: não há afirmação de que a elite pretenda resolver o saneamento depois da pandemia.
Referência: Interpretação de texto: editorial do Estadão, 31.05.2020.
Resolução comentada do VaiConcursos.