Gabarito disponível
Leia o texto para responder às questões de números 65 a 68.
Entrega em domicílio
Não sei quando será, mas não deve demorar. O lugar? Qualquer grande cidade brasileira. Noite. É cedo, mas não se veem carros nas ruas nem gente nas calçadas. Só o que se vê são motociclistas. Suas motocicletas têm caixas atrás, para carregar os pedidos. São entregadores. Motoboys. Teleboys. Eles se cruzam nas ruas vazias, em disparada. Como os carros não saem mais à noite, e os motociclistas não os respeitam mesmo, os faróis semafóricos não funcionam. O amarelo fica piscando a noite inteira, e nos cruzamentos a preferência é dos entregadores mais corajosos. Há várias batidas e pelo menos um morto por noite. Mas o número de motociclistas nas ruas não para de crescer.
A população não sai mais de casa. Tudo é pedido pelo telefone. Os restaurantes despediram seus garçons e trocaram por motoboys. Telegarçons. Se você quiser um jantar fino à luz de velas, com vários pratos, sobremesa e vinho, existem serviços de entrega para tudo. Um entrega os pratos finos. Outro a sobremesa. Outro os vinhos. Outro a toalha de linho, os talheres e as flores. E já há um de televelas.
Como as pessoas não saem à noite e ninguém mais vai jantar na casa de ninguém, há uma cooperativa que se prontifica a mandar os próprios teleboys como convidados a jantares finos. A Telenós. Você especifica o tipo de conversa que quer à mesa – mais ou menos intelectual, divertida, política, variada etc. – e na hora marcada chegam os telecomensais, no número e com o traje que você quiser. Eles comem, conversam, elogiam os anfitriões e vão embora ou, por um adicional, limpam a cozinha.
Os motoboys dominam a noite e desenvolveram uma cultura própria. Têm seu folclore, seus mitos, seus heróis.
Não sei quando será, mas não deve demorar.
(Luis Fernando Veríssimo [org. Adriana Falcão e Isabel Falcão], “Entrega em domicílio”. Ironias do tempo, 2018. Adaptado)
Assinale a alternativa que atende à norma-padrão de concordância nominal.
Resolução comentada
Concordância nominal correta: "a própria vida e também a alheia".
Em C, "imprudentes" concorda com os dois sujeitos, e "própria" e "alheia" concordam com "vida". É a única frase sem erro.
Análise das alternativas
A) "bastante" deveria ir ao plural ("bastantes"). B) "certos risco" deveria ser "certos riscos", e "entrega... é boa" fica estranho. D) "azuis-marinhos" é invariável ("azul-marinho"). E) O correto seria "foi proibida a circulação", com particípio concordando com o substantivo, e "ruas... por ela" também falha.
Referência: Concordância nominal.
Resolução comentada do VaiConcursos.