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Colégio Militar de Brasília (DECEx-DEPA) · Colégio Militar de Brasília 2021

Questão 13 — Língua Portuguesa: Interpretação de Texto

Língua Portuguesa Interpretação de Texto

Colégio Militar de Brasília (DECEx-DEPA) 2021 Fundamental

Colégio Militar de Brasília · Admissão ao 6º Ano do Ensino Fundamental

Gabarito disponível

Texto-base:
No clássico “Alice através do espelho”, Lewis Carroll cria um mundo imaginário em que a personagem central, uma menina de 7 anos, atravessa, com sua gatinha Lily, o espelho da sala de estar de sua casa. Na casa do espelho, a menina se depara com um mundo onde a realidade está ao contrário: animais e flores falam e peças de xadrez ganham vida.

TEXTO 1
A casa do espelho

1 Alice, no instante seguinte, atravessara o espelho e saltara com lepidez na sala da Casa do
Espelho. A primeira coisa que fez foi verificar se havia fogo na lareira, e ficou muito satisfeita ao
constatar que havia um fogo de verdade, crepitando tão alegremente quanto o que deixara para trás.
“Assim vou ficar tão aquecida aqui quanto estava lá na sala”, pensou; “ou mais aquecida, porque aqui
não vai haver ninguém mandando que eu me afaste do fogo. Oh, como vai ser engraçado quando me
virem aqui, através do espelho, e não puderem me alcançar!”

Em seguida começou a olhar em volta e notou que o que podia ser visto da sala anterior era
bastante banal e desinteressante, mas todo o resto era tão diferente quanto possível. Por exemplo, os
quadros na parede perto da lareira pareciam todos vivos, e o próprio relógio sobre o console (você
10 sabe que só pode ver o fundo dele no espelho) tinha o rosto de um velhinho, e sorria para ela.

“Esta sala não é tão arrumada como a outra”, Alice pensou, ao notar várias peças do jogo de
xadrez caídas no chão entre as cinzas; mas no instante seguinte, com um pequeno “Oh!” de surpresa,
estava de gatinhas, observando-as. As peças do xadrez estavam andando, duas a duas!

“Aqui estão o Rei Vermelho e a Rainha Vermelha”, Alice disse (num sussurro, com temor de
assustá-los), “e ali estão o Rei Branco e a Rainha Branca, sentados na borda da pá da lareira... e aqui
vão duas Torres, andando de braço dado... Acho que não podem me escutar”, continuou baixando mais
a cabeça, “e tenho quase certeza de que não podem me ver. Alguma coisa me diz que estou invisível...”

Nessa altura algo começou a guinchar na mesa atrás de Alice e a fez virar a cabeça bem a tempo
de ver um dos Peões Brancos cair e começar a espernear. Observou-o, muito curiosa para saber o que
20 iria acontecer em seguida.

“É a voz da minha filha!” exclamou a Rainha Branca passando pelo Rei, com ímpeto e tão
apressada, que o derrubou entre as cinzas. “Minha preciosa Lily!” e começou a escalar com frenesi
um lado do guarda-fogo.

“Desatino imperial!” disse o Rei, esfregando o nariz, que machucara na queda. Tinha direito a
estar um bocadinho aborrecido com a Rainha, pois estava coberto de cinzas da cabeça aos pés.

Alice estava ansiosa por ser útil e, quando a gatinha Lily estava a ponto de ter um ataque de
tanto berrar, passou a mão na Rainha rapidamente e a depositou sobre a mesa junto de sua escandalosa
filhinha.

A Rainha se sentou, arquejante: a rápida viagem pelo ar lhe tirara o fôlego por completo e por
30 um minuto ou dois nada pôde fazer senão abraçar a pequenina Lily em silêncio. Assim que recobrou
um pouquinho de alento, gritou para o Rei Branco, que estava sentado entre as cinzas, mal-humorado:
“Cuidado com o vulcão!”.

“Que vulcão?” perguntou o Rei, olhando aflito para a lareira, como se julgasse aquele o lugar
mais provável para encontrar um.

“Ele... me...expeliu”, arquejou a Rainha, que ainda estava um pouco sem ar. “Trate de subir...
da maneira normal... não se deixe expelir!”

Alice observou o Rei Branco transpor lenta e laboriosamente obstáculo por obstáculo, até que
finalmente disse: “Ora, nesse ritmo você vai levar horas e horas para chegar em cima da mesa. Seria
melhor eu ajudá-lo, não é?” Mas o Rei não tomou conhecimento da pergunta: estava perfeitamente
40 claro que não a podia ouvir nem ver.

Diante disso, Alice o apanhou com muita delicadeza e o ergueu muito mais lentamente do que
erguera a Rainha, tentando não lhe tirar o fôlego. Mas, antes de o pôr na mesa, pensou que não seria
má ideia dar-lhe uma espanadinha, tão coberto de cinzas estava.

Mais tarde, contou que nunca em toda sua vida vira uma cara como a que o Rei fez ao se ver
erguido e espanado no ar por uma mão invisível. Ele ficou espantado demais para gritar, mas seus
olhos e sua boca foram ficando cada vez maiores, e cada vez mais redondos, até que a mão de Alice
tremeu tanto com a gargalhada que ele quase caiu no chão.

Disponível em: http://www.Alice por trás do Espelho. Acesso em: 18 ago 2021. (Com adaptações)

É possível concluir que “a Rainha se sentou, arquejante” (linha 29 do 9º parágrafo) porque
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Causa do estado arquejante da Rainha.

O texto diz que "a rápida viagem pelo ar lhe tirara o fôlego". Alice a apanhou e a depositou rapidamente sobre a mesa, e foi isso que a deixou ofegante.

Análise das alternativas

B e D) A Rainha usa "vulcão" para falar do ato de Alice, e não de um vulcão real que a tenha expelido. C) Ela escalou o guarda-fogo antes, e quem a transportou foi Alice. E) Derrubar o Rei foi consequência da pressa dela, e não causa do cansaço.

Referência: Interpretação de texto – relação de causa.

Resolução comentada do VaiConcursos.

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Gabarito: A

Fonte: Gabarito preliminar: Gabarito — 6º ano CMB 2021/2022 (Matemática retificado)