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Colégio Militar do Rio de Janeiro 2021

Questão 18 — Língua Portuguesa: Interpretação de Texto

Língua Portuguesa Interpretação de Texto

Colégio Militar do Rio de Janeiro 2021 Fundamental

Colégio Militar do Rio de Janeiro · Admissão ao 1º ano do Ensino Médio

Gabarito disponível

Texto-base:
Texto III

Como é a vida escolar dos filhos de artistas circenses
Em apenas um ano, crianças chegam a estudar em mais de dez escolas diferentes
Por Natany Borges

1 É no ano em que aprende a formar sílabas, compreender palavras e dar sentido às frases que
Antônio Bartolo Neto, de apenas sete anos, experimenta a vida “nômade” em contraponto à
“permanência” na escola. Representante da oitava geração de uma família de artistas de circo, ele já
sabe que a cada novo mês conhecerá uma nova cidade, será matriculado em uma nova instituição de
5 ensino e precisará interagir com uma turma já entrosada nas atividades de alfabetização. Somente em
2017, o pequeno aluno acumula registros de sete escolas em seu caderno. A última foi em Venâncio
Aires. Penúltima, Rio de Janeiro. Antepenúltima, Nova Iguaçu (RJ). A próxima? Rio Pardo.

Enquanto isso, é em Santa Cruz do Sul que estabelece uma rotina que já completa quatro
semanas. Amparado pela professora da Escola Ernesto Alves, Elisangela Mees, o aluno trabalhou nos
10 últimos dias as vogais. “No primeiro dia de aula olhei o caderninho dele e depois fiz um ditado para
entender em que nível ele estava”, explicou. Enquanto boa parte da turma já consegue decifrar as
palavras, o pequeno Neto ainda apresenta certa dificuldade. Nada, entretanto, que comprometa o seu
desempenho em sala de aula. “O que dificulta é essa “quebra” de sequência. Por isso, eles têm o ritmo
um pouco mais lento”. Em sala de aula, a professora dos anos iniciais já está acostumada a lecionar
15 para crianças nômades. Todo mês de outubro, por exemplo, dá aula para os filhos dos trabalhadores
do parque de diversões que vêm à Oktoberfest.

A matrícula desses alunos – filhos de profissionais itinerantes – é assegurada por meio da Lei
Federal 6.533/78, a qual assegura a mudança de escola em escola, mediante apresentação de
certificado da instituição de origem. É por isso que o pai de Neto, o artista do Circo Italiano, Bartolo
20 Júnior, guarda a sete chaves o tal documento, junto com o histórico escolar do pequeno. “Assim que
definimos uma nova cidade e o espaço para a estada do circo, a primeira questão a providenciar é
uma escola para os pequenos”, explica Júnior. Segundo o malabarista, dificilmente há contratempos na
hora de garantir uma vaga. Basta levar a documentação para que no mesmo dia ou no seguinte, os
pequenos já estejam matriculados. “Conquanto queiram seguir com a vida de circo, eles precisam
25 estudar. Sempre digo que com educação vão ser alguém na vida.” Nesse contexto, o pai acrescenta
que a cobrança “em casa” – o interior do motorhome – é a mesma dos pais que têm trabalho fixo na
cidade. “Depois da aula, a Paula (mãe) verifica o caderno e ajuda ele na lição. Só depois é que ele vai
brincar ou acompanhar as atividades do circo”, finaliza. Além de Neto, Junior também é pai de Alice,
12, e Daniel, 14. Ambos estão no sétimo ano e também estudam no Ernesto.

30 Apesar de já ter lecionado para alunos itinerantes, esta foi a primeira vez que Elisangela Mees
foi desafiada a ensinar filhos de circenses. Sensibilizada com reportagem publicada pela Gazeta do Sul
19 e 20 de agosto, “Uma vida na estrada dedicada aos espetáculos”, ela resolveu trabalhar, ao longo
de toda a semana, a temática com a turma de pouco mais de 20 alunos. Entre as atividades propostas,
estiveram ditados, imagens para colorir e leituras como “O nosso colega Antônio é artista do Circo
35 Italiano e o sonho dele quando crescer é ser homem pássaro e equilibrista”. Durante uma das aulas, a
turminha, em coro, repetiu a frase e fez questão de verbalizar os aprendizados da semana. “Foi uma
experiência muito bacana, ainda mais porque o Antônio estava ali para compartilhar suas experiências
com a turma. Um mundo novo foi apresentado”, disse Elisangela.

(Adaptado de: www.gaz.com.br/ Acessado em: 17.08.2021)

Assinale o fragmento extraído do texto III que mostre o argumento dado pelo pai do pequeno Antonio Bartolo Neto sobre o seu filho ser tratado – pelos seus genitores – como as demais crianças de sua faixa etária no que se refere ao processo escolar:
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

O pai mostra que cobra o estudo como os demais pais: verifica o caderno e ajuda na lição.

O pai afirma que a cobrança 'em casa' é a mesma dos pais com trabalho fixo. Como argumento, diz que a mãe confere o caderno e ajuda na lição, e que só depois o filho brinca ou acompanha o circo. É o trecho que trata o filho como as outras crianças no processo escolar.

Análise das alternativas

B) Fala da vida nômade em contraponto à permanência na escola. C) Descreve a rotina em Santa Cruz do Sul e o apoio da professora. D) Relata atividade em sala de aula. E) Descreve a experiência da professora com alunos itinerantes. Nenhuma é argumento do pai.

Referência: Interpretação de texto (linhas 25-28).

Resolução comentada do VaiConcursos.

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Gabarito: A

Fonte: Gabarito preliminar: Gabarito — página 1