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Texto-base:
Após a leitura do Texto 1, responda às questões de 16 a 20.
TEXTO 1

A terra dos meninos pelados
1 Capítulo um
Havia um menino diferente dos outros meninos. Tinha o olho direito preto, o esquerdo
azul e a cabeça pelada. Os vizinhos mangavam dele e gritavam: — Ó pelado!
Tanto gritaram que ele se acostumou, achou o apelido certo, deu para se assinar a carvão,
5 nas paredes: Dr. Raimundo Pelado. Era de bom gênio e não se zangava; mas os garotos dos arredores
fugiam ao vê-lo, escondiam-se por detrás das árvores da rua, mudavam a voz e perguntavam que fim
tinham levado os cabelos dele. Raimundo entristecia e fechava o olho direito. Quando o aperreavam
demais, aborrecia-se, fechava o olho esquerdo. E a cara ficava toda escura.
Não tendo com quem entender-se, Raimundo Pelado falava só, e os outros pensavam que
10 ele estava malucando.
Estava nada! Conversava sozinho e desenhava na calçada coisas maravilhosas do país de
Tatipirun, onde não há cabelos e as pessoas têm um olho preto e outro azul.
Capítulo cinco
O viajante rondou por ali uns minutos, receoso de puxar conversa, pensando nos garotos
15 que zombavam dele na rua. Foi-se chegando e sentou-se numa pedra, que se endireitou para recebê-
lo. Um rapazinho aproximou-se, examinou-lhe, admirado, a roupa e os sapatos. Todos ali estavam
descalços e cobertos de panos brancos, azuis, amarelos, verdes, roxos, cor das nuvens do céu e cor do
fundo do mar, inteiramente iguais às teias que as aranhas vermelhas fabricavam.
— Eu queria saber se isto aqui é o país de Tatipirun, começou Raimundo.
20 — Naturalmente, respondeu o outro. Donde vem você? Raimundo inventou um nome para
a cidade dele que ficou importante:
— Venho de Cambacará. Muito longe.
— Já ouvimos falar, declarou o rapaz. Fica além da serra, não é isto?
— É isso mesmo. Uma terra de gente feia, cabeluda, com olhos de uma cor só. Fiz boa
25 viagem e tive algumas aventuras.
— Encontrou a Caralâmpia?
— É uma laranjeira?
— Que laranjeira! É menina.
— Como ele é bobo! gritaram todos rindo e dançando. Pensa que a Caralâmpia é laranjeira.
30 Capítulo seis
Raimundo levantou-se trombudo e saiu às pressas, tão encabulado que não enxergou o rio.
Ia caindo dentro dele, mas as duas margens se aproximaram, a água desapareceu, e o menino com um
passo chegou ao outro lado, onde se escondeu por detrás dum tronco. A terra se abriu de novo, a
correnteza tornou a aparecer, fazendo um barulho grande.
35 — Por que é que você se esconde? perguntou o tronco baixinho. Está com medo?
— Não senhor. É que eles caçoaram de mim porque eu não conheço a Caralâmpia. O
tronco soltou uma risada e pilheriou:
— Deixe de tolice, criatura. Você se afogando em pouca água! As crianças estavam
brincando. É uma gente boa.
40 — Sempre ouvi dizer isso. Mas debocharam de mim porque eu não conheço a Caralâmpia.
— Bobagem. Deixe de melindres.
— É mesmo, concordou Raimundo. Eu pensava nos moleques que faziam troça de mim,
em Cambacará. O senhor está descansando, hein?
— É. Estou aposentado, já vivi demais. Raimundo levantou-se:
45 — Bem, seu Tronco. Eu vou andando.
— Espera aí. Um instante. Quero apresentá-lo à aranha vermelha, amiga velha que me
visita sempre. Está aqui, vizinha. Este rapaz é nosso hóspede.
Graciliano Ramos
Disponível em: https://ddcus.org/pdf/summer_reading/8th_Grade/A%20Terra%20dos%20Meninos%20Pelados%20%20Graciliano%20Ramos%20-%20BESP%208%20Portuguese.pdf. Acesso em: 9 set 2022. (Com adaptações)
Quanto às ideias do Texto 1, é possível concluir que
Após a leitura do Texto 1, responda às questões de 16 a 20.
TEXTO 1
A terra dos meninos pelados
1 Capítulo um
Havia um menino diferente dos outros meninos. Tinha o olho direito preto, o esquerdo
azul e a cabeça pelada. Os vizinhos mangavam dele e gritavam: — Ó pelado!
Tanto gritaram que ele se acostumou, achou o apelido certo, deu para se assinar a carvão,
5 nas paredes: Dr. Raimundo Pelado. Era de bom gênio e não se zangava; mas os garotos dos arredores
fugiam ao vê-lo, escondiam-se por detrás das árvores da rua, mudavam a voz e perguntavam que fim
tinham levado os cabelos dele. Raimundo entristecia e fechava o olho direito. Quando o aperreavam
demais, aborrecia-se, fechava o olho esquerdo. E a cara ficava toda escura.
Não tendo com quem entender-se, Raimundo Pelado falava só, e os outros pensavam que
10 ele estava malucando.
Estava nada! Conversava sozinho e desenhava na calçada coisas maravilhosas do país de
Tatipirun, onde não há cabelos e as pessoas têm um olho preto e outro azul.
Capítulo cinco
O viajante rondou por ali uns minutos, receoso de puxar conversa, pensando nos garotos
15 que zombavam dele na rua. Foi-se chegando e sentou-se numa pedra, que se endireitou para recebê-
lo. Um rapazinho aproximou-se, examinou-lhe, admirado, a roupa e os sapatos. Todos ali estavam
descalços e cobertos de panos brancos, azuis, amarelos, verdes, roxos, cor das nuvens do céu e cor do
fundo do mar, inteiramente iguais às teias que as aranhas vermelhas fabricavam.
— Eu queria saber se isto aqui é o país de Tatipirun, começou Raimundo.
20 — Naturalmente, respondeu o outro. Donde vem você? Raimundo inventou um nome para
a cidade dele que ficou importante:
— Venho de Cambacará. Muito longe.
— Já ouvimos falar, declarou o rapaz. Fica além da serra, não é isto?
— É isso mesmo. Uma terra de gente feia, cabeluda, com olhos de uma cor só. Fiz boa
25 viagem e tive algumas aventuras.
— Encontrou a Caralâmpia?
— É uma laranjeira?
— Que laranjeira! É menina.
— Como ele é bobo! gritaram todos rindo e dançando. Pensa que a Caralâmpia é laranjeira.
30 Capítulo seis
Raimundo levantou-se trombudo e saiu às pressas, tão encabulado que não enxergou o rio.
Ia caindo dentro dele, mas as duas margens se aproximaram, a água desapareceu, e o menino com um
passo chegou ao outro lado, onde se escondeu por detrás dum tronco. A terra se abriu de novo, a
correnteza tornou a aparecer, fazendo um barulho grande.
35 — Por que é que você se esconde? perguntou o tronco baixinho. Está com medo?
— Não senhor. É que eles caçoaram de mim porque eu não conheço a Caralâmpia. O
tronco soltou uma risada e pilheriou:
— Deixe de tolice, criatura. Você se afogando em pouca água! As crianças estavam
brincando. É uma gente boa.
40 — Sempre ouvi dizer isso. Mas debocharam de mim porque eu não conheço a Caralâmpia.
— Bobagem. Deixe de melindres.
— É mesmo, concordou Raimundo. Eu pensava nos moleques que faziam troça de mim,
em Cambacará. O senhor está descansando, hein?
— É. Estou aposentado, já vivi demais. Raimundo levantou-se:
45 — Bem, seu Tronco. Eu vou andando.
— Espera aí. Um instante. Quero apresentá-lo à aranha vermelha, amiga velha que me
visita sempre. Está aqui, vizinha. Este rapaz é nosso hóspede.
Graciliano Ramos
Disponível em: https://ddcus.org/pdf/summer_reading/8th_Grade/A%20Terra%20dos%20Meninos%20Pelados%20%20Graciliano%20Ramos%20-%20BESP%208%20Portuguese.pdf. Acesso em: 9 set 2022. (Com adaptações)
Quanto às ideias do Texto 1, é possível concluir que