Gabarito disponível
Leia o texto, para responder às questões de números 01 a 08.
O medo, em seu estado mais bruto, é um sentimento que se assenta em circuitos neuronais tão antigos quanto os primeiros répteis da Terra. Existem evidências de que estruturas extremamente primitivas na escala evolutiva do cérebro humano, presentes desde a época dos dinossauros, desempenham tarefas fundamentais em situações de risco, potencial ou real. Apesar de estar na raiz biológica de vários distúrbios, o medo é vital para nossa sobrevivência e, ainda assim, lidamos mal com ele. Desde cedo, o homem é manipulado por seus temores.
Uma das fobias mais peculiares é o medo dos espelhos. Na Inglaterra da era vitoriana, antes de um morto ser levado ao cemitério, todos os espelhos eram cobertos com tecidos, pois se acreditava que a alma da pessoa poderia ficar presa nos espelhos.
O medo é pessoal e reflete a resposta do coração às inseguranças que cada um carrega dentro de si. Paradigmas que sustentavam a sociedade em décadas anteriores estão em crise: preocupações crescentes, solidão, desesperança, ressentimentos, um mundo cada vez mais líquido onde amores / sentimentos escorrem por nossas mãos, intolerância e agressividade nos parecem mais evidentes.
Quer gostemos ou não, a vida vai sempre seguindo. Uma vida plenamente feliz é uma dádiva temporária, vale dizer, não dura para sempre. E sim, às vezes, dói, é triste ou, outras vezes, é surpreendente. E quando a vida o machucar (porque certamente irá), lembre-se da dor. A dor sempre tem seu lado positivo. Significa que estamos fora da caverna. A real tragédia da vida é os homens terem medo da luz. Diante da fragilidade e da brevidade da vida, é preciso lembrar-se da água: ela abre seu caminho e encontra seu rumo mesmo diante de algum obstáculo. Talvez para ela fosse mais perigoso permanecer parada.
Ainda se está explorando o terreno movediço e desafiador do quebra-cabeça neuronal envolvido com os sentimentos e as emoções. Nada nos humilha mais do que a coragem alheia. Aceitemos o medo, mas que ele não nos limite.
(Rafael Delsin. Os homens maus estão chegando. BE – Revista Bem-Estar, 10.07.2022. Adaptado)
A passagem do segundo parágrafo consiste em
Resolução comentada
O parágrafo sobre os espelhos é apenas uma ilustração, de importância secundária.
O 2º parágrafo exemplifica uma fobia peculiar (medo dos espelhos) com um costume da era vitoriana. É uma ilustração ligada ao tema, mas dispensável: o texto segue coerente sem ele, pois a argumentação principal vem nos parágrafos seguintes.
Análise das alternativas
A) O exemplo não mostra como as pessoas costumam lidar com o temor, e não é 'necessário' para a continuidade. B) Não é argumento de autoridade, já que não cita especialista. C) O texto não pretende mostrar a fragilidade das crendices nem usa o relato como suporte de tese. D) Não é fato probatório de fraquezas humanas nem garante a compreensão do tema.
Referência: Interpretação de texto: função de trechos na construção do texto.
Resolução comentada do VaiConcursos.