Gabarito disponível
Leia o texto para responder às questões de números 47 a 53.
Números da fome
A nova edição do relatório “O Estado da Segurança Alimentar e da Nutrição no Mundo”, recém-divulgada pela ONU, tem um tom soturno. Constata-se ali que a recuperação econômica em 2021, após o pior momento na pandemia, não deteve a expansão global da fome.
Com o impulso dos impactos da covid-19, a parcela da população mundial enfrentando insegurança alimentar grave – fome – subiu de 9,3% para 10,9% em 2020. Em vez de cair ou se estabilizar, a cifra foi a 11,7% no ano passado. E, como aponta o documento, ainda estão por serem computados os efeitos da guerra na Ucrânia.
A piora é generalizada, mas os números mais alarmantes, previsivelmente, estão na África, na América Latina e na Ásia. E a desigualdade não é apenas regional.
“Grupos desfavorecidos da população, como mulheres, jovens, trabalhadores de baixa qualificação e empregados no setor informal, foram desproporcionalmente afetados pela pandemia e pelas medidas sanitárias”, avalia o relatório das Nações Unidas.
Dito de outro modo, os vulneráveis perderam mais quando a economia parou e recuperaram menos quando as atividades voltaram. Em resumo, as disparidades de renda se agravaram.
O Brasil, claro, não ficaria imune a tal processo – ao qual acrescenta suas mazelas particulares.
Ainda que seus números não se destaquem entre os piores do planeta ou do continente, o país mostra deterioração aguda quando se faz uma comparação de prazo mais longo. Entre 2014 e 2016, 1,9% dos brasileiros passavam fome; no período 2019-21, a proporção subiu a 7,3%, ou 15,4 milhões de pessoas.
O desempenho da economia, que tem sido abaixo de medíocre há quase uma década, decerto explica grande parte da degradação. Mais recentemente, a escalada inflacionária agravou o quadro.
(Editorial. Folha de S.Paulo, 09.07.2022. Adaptado)
Com base nos estudos de Schneuwly, Dolz e Noverraz (2004), a capacidade de linguagem dominante no editorial está relacionada à
Resolução comentada
Capacidade de linguagem dominante no editorial.
Segundo Schneuwly, Dolz e Noverraz, o editorial pertence ao agrupamento do argumentar, cuja capacidade de linguagem dominante é a discussão de assuntos sociais controversos, com sustentação, refutação e negociação de tomada de posição.
Análise das alternativas
A) Mimeses da ação através da criação da intriga corresponde ao narrar. B) Representação de experiências vividas, situadas no tempo, corresponde ao relatar. C) Regulação mútua de comportamentos corresponde ao instruir/prescrever. E) Apresentação textual de diferentes formas dos saberes corresponde ao expor.
Referência: Schneuwly, Dolz e Noverraz (2004), agrupamentos de gêneros
Resolução comentada do VaiConcursos.