Gabarito disponível
Era a política, era Campelo a garantir-lhe a impunidade e, mais alto, os protetores de Campelo dando a este mão forte e prestígio… Se o Estado é uma coação organizada, essa coação cessava por abdicação do próprio Estado… Era o ruir de tudo… Onde nos levaria tudo isso?… A sua colaboração não seria criminosa? Tinha direito perante a sua própria consciência de contribuir para semelhante ruína? Sentiu perfeitamente que esse afrouxamento da lei e da autoridade tinha por fim recrutar dedicações aos ambiciosos antipáticos à opinião. A coação legal do Estado fizera-se, para uma mascarada eleitoral, ameaça de valentão…
I. O narrador usa o discurso direto para se distanciar da personagem.
II. O discurso indireto é usado unicamente para explicitar ao leitor as certezas da personagem.
III. O uso do discurso indireto livre não é evidenciado pela falta de referência direta aos pensamentos da personagem.
Resolução comentada
As três afirmações são falsas: o trecho usa discurso indireto livre.
O trecho acompanha o pensamento da personagem sem verbos de dizer, com perguntas e exclamações, o que é discurso indireto livre. Por isso I é falsa, pois não há discurso direto. II é falsa, pois a função não é só mostrar certezas, e há dúvidas e perguntas. III é falsa, pois a falta de referência direta aos pensamentos é justamente o que caracteriza esse discurso. Logo, todas são falsas.
Análise das alternativas
A, B, C e D: aceitam como verdadeira ao menos uma das afirmações. Só E reconhece que as três são falsas.
Referência: Lima Barreto, Numa e a ninfa; discurso indireto livre.
Resolução comentada do VaiConcursos.