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TEXTO V
O que mais a impressionou no passeio foi a miséria
geral, a falta de cultivo, a pobreza das casas, o ar triste,
abatido da gente pobre. Educada na cidade, ela tinha dos
roceiros ideia de que eram felizes, saudáveis e alegres.
5 Havendo tanto barro, tanta água, por que as casas não
eram de tijolos e não tinham telhas? Era sempre aquele
sapé sinistro /.../. Por que ao redor dessas casas não
havia culturas, uma horta, um pomar? Não seria tão fácil,
trabalho de horas? /.../ Mesmo nas fazendas, o espetáculo
10 não era mais animador. Todas soturnas, baixas, quase
sem o pomar olente e a horta suculenta. /.../ E todas essas
questões desafiavam a sua curiosidade, o seu desejo de
saber, e também a sua piedade e simpatia por aqueles
párias, maltrapilhos, mal alojados, talvez com fome,
15 sorumbáticos!...
/.../ aproveitou a ocasião para interrogar a respeito o
tagarela Felizardo.
Olga encontrou o camarada cá embaixo, cortando a
machado as madeiras mais grossas; /.../ Ela lhe falou.
20 – Bons dias, sá dona.
– Então trabalha-se muito, Felizardo?
– O que se pode.
/.../
– É grande o sítio de você?
25 – Tem alguma terra, sim senhora, sá dona.
– Você por que não planta para você?
– Quá, sá dona! O que é que a gente come?
– O que plantar ou aquilo que a plantação der em
dinheiro.
30 – Sá dona tá pensando uma coisa e a coisa é outra.
Enquanto planta cresce, e então? Quá, sá dona, não é
assim.
/.../
– Terra não é nossa... E frumiga?... Nós não tem
35 ferramenta... isso é bom pra italiano ou alamão, que
governo dá tudo... governo não gosta de nós...
(BARRETO, Lima. Triste fim de Policarpo Quaresma. São Paulo: O Estado de São Paulo / Klick Editora, 1997, p. 97-98.)
O emprego do advérbio “não”, em diversas passagens do Texto V, demarca carências de personagens que representam pessoas excluídas. Esse uso só NÃO se verifica na alternativa:
Resolução comentada
Em D o 'não' descreve a percepção de Olga sobre as fazendas, não a carência dos excluídos.
Em A, B e C, o 'não' marca falta de afeto do governo, de ferramenta e de terra, que são carências de quem fala. Em D, 'o espetáculo não era mais animador' é a avaliação de Olga sobre a paisagem das fazendas, e a negação não indica carência de uma personagem excluída.
Análise das alternativas
A) Marca a falta de apoio governamental. B) Marca a falta de ferramenta. C) Marca a falta de terra própria. D) É a exceção pedida.
Referência: Valor semântico da negação; Lima Barreto.
Resolução comentada do VaiConcursos.