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Texto-base:
TEXTO V
COMUNICAÇÃO
1 — Posso ajudá-lo, cavalheiro?
2 — Pode. Eu quero um daqueles, daqueles...
3 — Pois não?
4 — Um... como é mesmo o nome?
5 — Sim?
7 — Poxa! Um... um... Que cabeça a minha. A palavra me escapou por completo. É uma coisa simples,
8 conhecidíssima.
9 — Sim, senhor.
10 — O senhor vai dar risada quando souber.
11 — Sim, senhor.
12 — Olha, é pontuda, certo?
13 — O quê, cavalheiro?
14 — Isso que eu quero. Tem uma ponta assim, entende? Depois vem assim, assim, faz uma volta, aí vem
15 reto de novo, e na outra ponta tem uma espécie de encaixe, entende? Na ponta tem outra volta, só que
16 esta é mais fechada. E tem um, um... Uma espécie de, como é que se diz? De sulco. Um sulco onde
17 encaixa a outra ponta, a pontuda, de sorte que o, a, o negócio, entende, fica fechado. É isso. Uma coisa
18 pontuda que fecha. Entende?
19 — Infelizmente, cavalheiro...
20 — Ora, você sabe do que eu estou falando.
21 — Estou me esforçando, mas...
22 — Escuta. Acho que não podia ser mais claro. Pontudo numa ponta, certo?
23 — Se o senhor diz, cavalheiro.
24 — Como, se eu digo? Isso já é má vontade. Eu sei que é pontudo numa ponta. Posso não saber o nome
25 da coisa, isso é um detalhe. Mas sei exatamente o que eu quero.
26 — Sim, senhor. Pontudo numa ponta.
27 — Isso. Eu sabia que você compreenderia. Tem?
28 — Bom, eu preciso saber mais sobre o, a, essa coisa. Tente descrevê-la outra vez. Quem sabe o senhor
29 desenha para nós?
30 — Não. Eu não sei desenhar nem casinha com fumaça saindo da chaminé. Sou uma negação em
31 desenho.
32 — Sinto muito.
33 — Não precisa sentir. Sou técnico em contabilidade, estou muito bem de vida. Não sou um débil
34 mental. Não sei desenhar, só isso. E hoje, por acaso, me esqueci do nome desse raio. Mas fora isso,
35 tudo bem. O desenho não me faz falta. Lido com números. Tenho algum problema com os números
36 mais complicados, claro. O oito, por exemplo. Tenho que fazer um rascunho antes. Mas não sou um
37 débil mental, como você está pensando.
38 — Eu não estou pensando nada, cavalheiro.
39 — Chame o gerente.
40 — Não será preciso, cavalheiro. Tenho certeza de que chegaremos a um acordo. Essa coisa que o
41 senhor quer, é feito do quê?
42 — É de, sei lá. De metal.
43 — Muito bem. De metal. Ela se move?
44 — Bem... É mais ou menos assim. Presta atenção nas minhas mãos. É assim, assim, dobra aqui e encaixa
45 na ponta, assim.
46 — Tem mais de uma peça? Já vem montado?
47 — É inteiriço. Tenho quase certeza de que é inteiriço.
48 — Francamente...
49 — Mas é simples! Uma coisa simples. Olha: assim, assim, uma volta aqui, vem vindo, vem vindo, outra
50 volta e clique, encaixa.
51 — Ah, tem clique. É elétrico.
52 — Não! Clique, que eu digo, é o barulho de encaixar.
53 — Já sei!
54 — Ótimo!
55 — O senhor quer uma antena externa de televisão.
56 — Não! Escuta aqui. Vamos tentar de novo...
57 — Tentemos por outro lado. Para o que serve?
58 — Serve assim para prender. Entende? Uma coisa pontuda que prende. Você enfia a ponta pontuda por
59 aqui, encaixa a ponta no sulco e prende as duas partes de uma coisa.
60 — Certo. Esse instrumento que o senhor procura funciona mais ou menos como um gigantesco alfinete
61 de segurança e...
62 — Mas é isso! É isso! Um alfinete de segurança!
63 — Mas do jeito que o senhor descrevia parecia uma coisa enorme, cavalheiro!
64 — É que eu sou meio expansivo. Me vê aí um... um... Como é mesmo o nome?
Luis Fernando Veríssimo. In: Carlos Eduardo Novaes et AL. Para gostar de ler: crônicas. São Paulo: Ática, 1981. v. 7. p. 35.
Ainda sobre o fragmento, a seguir, extraído do texto V, as aspas foram empregadas para
“Posso ajudá-lo, cavalheiro?”
TEXTO V
COMUNICAÇÃO
1 — Posso ajudá-lo, cavalheiro?
2 — Pode. Eu quero um daqueles, daqueles...
3 — Pois não?
4 — Um... como é mesmo o nome?
5 — Sim?
7 — Poxa! Um... um... Que cabeça a minha. A palavra me escapou por completo. É uma coisa simples,
8 conhecidíssima.
9 — Sim, senhor.
10 — O senhor vai dar risada quando souber.
11 — Sim, senhor.
12 — Olha, é pontuda, certo?
13 — O quê, cavalheiro?
14 — Isso que eu quero. Tem uma ponta assim, entende? Depois vem assim, assim, faz uma volta, aí vem
15 reto de novo, e na outra ponta tem uma espécie de encaixe, entende? Na ponta tem outra volta, só que
16 esta é mais fechada. E tem um, um... Uma espécie de, como é que se diz? De sulco. Um sulco onde
17 encaixa a outra ponta, a pontuda, de sorte que o, a, o negócio, entende, fica fechado. É isso. Uma coisa
18 pontuda que fecha. Entende?
19 — Infelizmente, cavalheiro...
20 — Ora, você sabe do que eu estou falando.
21 — Estou me esforçando, mas...
22 — Escuta. Acho que não podia ser mais claro. Pontudo numa ponta, certo?
23 — Se o senhor diz, cavalheiro.
24 — Como, se eu digo? Isso já é má vontade. Eu sei que é pontudo numa ponta. Posso não saber o nome
25 da coisa, isso é um detalhe. Mas sei exatamente o que eu quero.
26 — Sim, senhor. Pontudo numa ponta.
27 — Isso. Eu sabia que você compreenderia. Tem?
28 — Bom, eu preciso saber mais sobre o, a, essa coisa. Tente descrevê-la outra vez. Quem sabe o senhor
29 desenha para nós?
30 — Não. Eu não sei desenhar nem casinha com fumaça saindo da chaminé. Sou uma negação em
31 desenho.
32 — Sinto muito.
33 — Não precisa sentir. Sou técnico em contabilidade, estou muito bem de vida. Não sou um débil
34 mental. Não sei desenhar, só isso. E hoje, por acaso, me esqueci do nome desse raio. Mas fora isso,
35 tudo bem. O desenho não me faz falta. Lido com números. Tenho algum problema com os números
36 mais complicados, claro. O oito, por exemplo. Tenho que fazer um rascunho antes. Mas não sou um
37 débil mental, como você está pensando.
38 — Eu não estou pensando nada, cavalheiro.
39 — Chame o gerente.
40 — Não será preciso, cavalheiro. Tenho certeza de que chegaremos a um acordo. Essa coisa que o
41 senhor quer, é feito do quê?
42 — É de, sei lá. De metal.
43 — Muito bem. De metal. Ela se move?
44 — Bem... É mais ou menos assim. Presta atenção nas minhas mãos. É assim, assim, dobra aqui e encaixa
45 na ponta, assim.
46 — Tem mais de uma peça? Já vem montado?
47 — É inteiriço. Tenho quase certeza de que é inteiriço.
48 — Francamente...
49 — Mas é simples! Uma coisa simples. Olha: assim, assim, uma volta aqui, vem vindo, vem vindo, outra
50 volta e clique, encaixa.
51 — Ah, tem clique. É elétrico.
52 — Não! Clique, que eu digo, é o barulho de encaixar.
53 — Já sei!
54 — Ótimo!
55 — O senhor quer uma antena externa de televisão.
56 — Não! Escuta aqui. Vamos tentar de novo...
57 — Tentemos por outro lado. Para o que serve?
58 — Serve assim para prender. Entende? Uma coisa pontuda que prende. Você enfia a ponta pontuda por
59 aqui, encaixa a ponta no sulco e prende as duas partes de uma coisa.
60 — Certo. Esse instrumento que o senhor procura funciona mais ou menos como um gigantesco alfinete
61 de segurança e...
62 — Mas é isso! É isso! Um alfinete de segurança!
63 — Mas do jeito que o senhor descrevia parecia uma coisa enorme, cavalheiro!
64 — É que eu sou meio expansivo. Me vê aí um... um... Como é mesmo o nome?
Luis Fernando Veríssimo. In: Carlos Eduardo Novaes et AL. Para gostar de ler: crônicas. São Paulo: Ática, 1981. v. 7. p. 35.
Ainda sobre o fragmento, a seguir, extraído do texto V, as aspas foram empregadas para
“Posso ajudá-lo, cavalheiro?”
Resolução comentada
Função das aspas no trecho citado.
No enunciado, a frase aparece entre aspas para marcar que é a fala da personagem, transcrita do texto. Nesse uso, as aspas indicam discurso direto.
Análise das alternativas
A e C: não há ironia nem sentido oposto na frase, que é uma pergunta cortês. B: as aspas não destacam palavras ou expressões específicas. E: as palavras da frase são comuns, não estrangeirismos nem termos incomuns.
Referência: Pontuação: uso das aspas.
Resolução comentada do VaiConcursos.