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Colégio Militar de Curitiba (DECEx – DEPA) · Colégio Militar de Curitiba 2023

Questão 38 — Língua Portuguesa: Tipologia e Gêneros Textuais

Língua Portuguesa Tipologia e Gêneros Textuais

Colégio Militar de Curitiba (DECEx – DEPA) 2023 Fundamental

Colégio Militar de Curitiba · Aluno — 1º ano do Ensino Médio

Gabarito disponível

Texto-base:
Leia o texto IV e responda às questões 35, 36 e 38.

TEXTO IV

SUPERANDO O MEDO DE AVIÃO

O ser humano não nasce com medos. Basta analisarmos o comportamento das crianças em sua exploração pelo mundo, enfiar o dedo em tomadas, puxar o rabo do cachorro, debruçar-se em janelas, etc. O medo natural que nos preserva não deve ser eliminado, ele faz parte e é sua motivação para avaliar melhor uma situação. Não ter temor de nada nos expõe a riscos desnecessários, que poderiam ameaçar nossa integridade. Porém, um medo excessivo, exagerado e descontrolado pode limitar muito a vida do ser humano.

Poucos sabem, contudo, que eles podem ser tratados. Algumas pessoas infelizmente acreditam que é sinal de fraqueza pedir ajuda profissional qualificada para vencer um medo ou qualquer outro estado emocional que limite a vida. É normal ir ao cabeleireiro, ao dentista, ao médico, até a oficina consertar o carro, mas poucos procuram esse tipo de ajuda profissional (psicólogo/psiquiatra). A verdade é que só os mais conscientes buscam a solução para suas questões internas.

O medo de avião, por exemplo, ou o “medo de voar”, ganhou maior expressão com os últimos acidentes no Brasil e no mundo. Esse receio proporciona um estado comportamental prejudicial para a vida social, pessoal, profissional e ainda traz uma série de constrangimentos para quem convive com esse problema.

[...]

Uma pesquisa recente revela que apenas 6% das pessoas sentem-se totalmente seguras dentro de um avião e que o “medo de voar” atinge mais de 40% dos brasileiros. Segundo estatísticas, esse medo atinge tantas pessoas que já se tornou uma fobia específica. Pode se manifestar em diferentes níveis, do mais ameno, dentre os que utilizam o transporte aéreo com receio e como última opção, ao mais extremo, naqueles que não o utilizam nunca por se sentirem desesperados só de imaginar a situação. No entanto, trata-se do transporte mais confiável, com ínfimo número de mortes: 0,002 por 100 milhões de passageiros em quilômetros percorridos. De acordo com estudos, um motoqueiro tem chance 700 vezes maior de morrer que um passageiro de avião.

[...]

É comum encontrar pessoas que nunca voaram e têm medo de avião. Histórias, notícias, relatos de acidentes aéreos amplamente divulgados pela mídia, contam a vida dos envolvidos. Isso gera em algumas pessoas que ouvem ou leem sobre tais eventos o início daquele filme em suas mentes. É da qualidade dessa representação que o medo, o pânico ou a fobia são gerados.

As representações internas também podem ser criadas a partir das experiências pessoais de incidentes durante uma viagem. Uma turbulência, mau tempo ou até mesmo um pouso de emergência podem provocar um medo muito exagerado, e até mesmo o desenvolvimento de fobias. Até experiências de pessoas próximas, como pais, parentes ou amigos, facilmente podem criar medos.

Há um caso de que posso comentar devidamente autorizada pelo paciente. O medo dele era tamanho que contagiou muitos de seus amigos de tanto falar sobre suas representações internas. Os colegas, que não tinham medo de avião, começaram a ficar mais nervosos em viagens.

Exemplos como esses, de experiências diretas ou indiretas, têm muitos elementos que são gatilhos que disparam os medos já existentes. Esses gatilhos quando disparados potencializam medos em seu contexto original ou esses medos são disseminados para outras áreas ou situações. Assim o medo de avião também pode estar associado a outros medos ou necessidades como a claustrofobia (medo de lugares fechados) e como a acrofobia (medo de altura) ou a necessidade de estar no controle de todas as coisas, por exemplo.

[...]

LEIROS, Roselake. Superando o medo de avião. Revista Ciência & Vida – Psique. Ed. Escala. N. 46. p. 53-54. Disponível em: <https://www.docplayer.com.br/4485763-Programacao-neurolinguistica.html>. Acesso em: 18 out. 2023. (Adaptado).

Leia o texto V e responda às questões 37 e 38.

TEXTO V

OBSESSÃO MACABRA

As aulas de ciências ensinam que medo, ansiedade e estresse ajudaram o homem a evitar o perigo e a progredir. Evolutivamente importantes, eles aumentam a eficiência do organismo, deixando-o pronto para a briga. Assim que o cérebro percebe uma ameaça, um sistema chamado circuito do medo entra em ação. Formado por núcleos cerebrais como a amígdala e o hipocampo, ele libera neuro-hormônios e neurotransmissores para defender o organismo. Dopamina, endorfina e adrenalina vão para o sangue, preparando o corpo para a reação. Só que, quando o monstro é de papelão, o cérebro percebe a pegadinha e suspende a produção das substâncias. E a alta da dopamina, que deixa o corpo atento e alerta durante esses momentos, dá sensação de prazer e calma. Como se o corpo ficasse chapado em segundos. “Liberações rápidas de dopamina provocam reações agradáveis e muito prazerosas”, diz Antônio Nardi, coordenador do Laboratório de Pânico e Respiração da UFRJ. “Só quando ela perdura no organismo vêm as reações ruins, como confusão mental e fadiga.”

Assim, dá para entender, por exemplo, por que os filmes de terror não dão sustos o tempo todo. É preciso um intervalo para causar as variações da dopamina e provocar prazer. Mas só isso não explica o mistério do gosto provocado por quase duas horas de pavor frente à tela do cinema. Uma das hipóteses seria a de que os seres humanos são capazes de sentir emoções misturadas de tensão e prazer, ao mesmo tempo. Assim, o medo prolongado faria sentido.

Pensando nessa possibilidade, Eduardo Andrade, professor da Universidade da Califórnia, e Joel Cohen, da Universidade da Flórida, resolveram testar seus alunos para ver o que acontece durante a projeção de cenas de terror. “Queríamos descobrir a razão de as pessoas se exporem a coisas que, aparentemente, não dão prazer, como esportes radicais ou cenas violentas”, diz Eduardo. Em uma sala com computadores, eles pediram aos estudantes que marcassem em uma escala o grau das sensações negativas ou positivas que experimentavam durante a projeção de filmes (documentário, terror e comédia). Ao final, a descoberta dos pesquisadores foi que os momentos mais horripilantes eram também os que mais davam prazer. “Pesquisas das duas últimas décadas mostram que somos capazes de ter os chamados mixed feeling, ou seja, ter emoções positivas e negativas ao mesmo tempo”, afirma Eduardo. “Sem isso fica difícil aceitar que alguém passe por um momento doloroso, como as cenas de terror, buscando prazer ou alívio”, diz. Quer dizer que sentimentos opostos, como amor e ódio, pavor e calma podem aparecer juntos enquanto alguém vê seres deformados perseguindo garotinhas meigas em corredores sem fim.

LOIOLA. Rita. Obsessão Macabra. Revista Galileu – Jan 2010. N. 222. Disponível em: <https://www.grupopapeando.wordpress.com/2011/09/26/entenda-por-que-gostamos-de-sentir-medo/>. Acesso em: 18 out. 2023. (Adaptado).

Sobre os textos IV e V, pode-se afirmar que:
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Os dois textos tratam do mesmo assunto: o medo.

O texto IV trata do medo de avião e o texto V explica o medo e o prazer em filmes de terror. Ambos informam sobre o medo, o que torna A correta.

Análise das alternativas

B está errada: nenhum dos textos é instrucional. C está errada: ambos são textos informativos e jornalísticos, ligados à realidade. D está errada: o fato de estarem em prosa não implica coloquialidade nem diálogos. E está errada: predomina a exposição/informação, não a descrição.

Referência: Interpretação e comparação de textos; gêneros textuais.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Ver gabarito

Gabarito: A

Fonte: Gabarito preliminar: Gabarito 1º ano — página 1