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Colégio Militar de Fortaleza · Colégio Militar de Fortaleza (Exército Brasileiro – DECEx/DEPA) 2023

Questão 37 — Língua Portuguesa: Período Composto — Coordenação e Subordinação

Língua Portuguesa Período Composto — Coordenação e Subordinação

Colégio Militar de Fortaleza 2023 Fundamental

Colégio Militar de Fortaleza (Exército Brasileiro – DECEx/DEPA) · Admissão ao 1º ano do Ensino Médio

Gabarito disponível

Texto-base:
TEXTO 6

Emergência – Luís Fernando Veríssimo

É fácil identificar o passageiro de primeira viagem. É o que já entra no avião
desconfiado. O cumprimento da aeromoça, na porta do avião, já é um desafio para a sua
compreensão.

— Bom dia...

5 — Como assim?

Ele faz questão de sentar num banco de corredor, perto da porta. Para ser o
primeiro a sair no caso de alguma coisa dar errado. Tem dificuldade com o cinto de
segurança. Não consegue atá-lo. Confidencia para o passageiro ao seu lado:

— Não encontro o buraquinho. Não tem buraquinho?

10 Acaba esquecendo a fivela e dando um nó no cinto. Comenta, com um falso riso
descontraído: "Até aqui, tudo bem". O passageiro ao lado explica que o avião ainda está
parado, mas ele não ouve. A aeromoça vem lhe oferecer um jornal, mas ele recusa.

— Obrigado. Não bebo.

Quando o avião começa a correr pela pista antes de levantar voo, ele é aquele
15 com os olhos arregalados e a expressão de Santa Mãe do Céu! no rosto. Com o avião no
ar, dá uma espiada pela janela e se arrepende. É a última espiada que dará pela janela.

Mas o pior está por vir. De repente ele ouve uma misteriosa voz descarnada. Olha
para todos os lados para descobrir de onde sai a voz.

"Senhores passageiros, sua atenção, por favor. A seguir, nosso pessoal de bordo
20 fará uma demonstração de rotina do sistema de segurança deste aparelho. Há saídas de
emergência na frente, nos dois lados e atrás."

— Emergência? Que Emergência? Quando eu comprei a passagem ninguém
falou nada em emergência. Olha, o meu é sem emergência.

Uma das aeromoças, de pé ao seu lado, tenta acalmá-lo.

25 — Isto é apenas rotina, cavalheiro.

— Odeio a rotina. Aposto que você diz isso para todos. Ai meu santo.

"No caso de despressurização da cabina, máscaras de oxigênio cairão
automaticamente de seus compartimentos."

— Que história é essa? Que despressurização? Que cabina?

30 "Puxe a máscara em sua direção. Isto acionará o suprimento de oxigênio. Coloque
a máscara sobre o rosto e respire normalmente."

— Respirar normalmente?! A cabina despressurizada, máscaras de oxigênio
caindo sobre nossas cabeças — e ele quer que a gente respire normalmente?!

"Em caso de pouso forçado na água..."

35 — O quê?!

"... os assentos de suas cadeiras são flutuantes e podem ser levados para fora do
aparelho e..."

— Essa não! Bancos flutuantes, não! Tudo, menos bancos flutuantes!

— Calma, cavalheiro.

40 — Eu desisto! Parem este troço que eu vou descer. Onde é a cordinha? Parem!

— Cavalheiro, por favor. Fique calmo.

— Eu estou calmo. Calmíssimo. Você é que está nervosa e, não sei por quê, está
tentando arrancar as minhas mãos do pescoço deste cavalheiro ao meu lado. Que, aliás,
também parece consternado e levemente azul.

45 — Calma! Isso. Pronto. Fique tranquilo. Não vai acontecer nada.

— Só não quero mais ouvir falar em banco flutuante.

— Certo. Ninguém mais vai falar em banco flutuante.

Ele se vira para o passageiro ao lado, que tenta desesperadamente recuperar a
respiração, e pede desculpas. Perdeu a cabeça.

50 — É que banco flutuante foi demais. Imagine só. Todo mundo flutuando sentado.
Fazendo sala no meio do Oceano Atlântico!

A aeromoça diz que vai lhe trazer um calmante e aí mesmo é que ele dá um pulo:

— Calmante, por quê? O que é que está acontecendo? Vocês estão me
escondendo alguma coisa!

55 Finalmente, a muito custo, conseguem acalmá-lo. Ele fica rígido na cadeira.
Recusa tudo que lhe é oferecido. Não quer o almoço. Pergunta se pode receber a sua
comida em dinheiro. Deixa cair a cabeça para trás e tenta dormir. Mas, a cada sacudida
do avião, abre os olhos e fica cuidando a portinha do compartimento sobre sua cabeça,
de onde, a qualquer momento, pode pular uma máscara de oxigênio e matá-lo do coração.

60 De repente, outra voz. Desta vez é a do comandante.

— Senhores passageiros, aqui fala o comandante Araújo. Neste momento, à nossa
direita, podemos ver a cidade de...

Ele pula outra vez da cadeira e grita para a cabina do piloto:

— Olha para a frente, Araújo! Olha para a frente!

Disponível em: https://educarsempre.com/2020/03/16/cronica-interprtacao-e-compreensao/. Acesso em: 12/08/2023.

Observe o seguinte trecho do Texto 6:

“O passageiro ao lado explica que o avião ainda está parado, mas ele não ouve.” (ℓ. 11 e 12).

Sobre o período acima destacado, podemos afirmar que se trata de um período:
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Período com 3 orações: subordinação (substantiva) seguida de coordenação (adversativa).

São três orações: “O passageiro ao lado explica” (principal), “que o avião ainda está parado” (subordinada substantiva objetiva direta) e “mas ele não ouve” (coordenada sindética adversativa). Há, portanto, subordinação e coordenação, nessa ordem, com três orações.

Análise das alternativas

A está errada, pois há mais de um verbo. B ignora a subordinada introduzida por “que”. D inverte a ordem dos processos. E ignora a oração iniciada por “mas” e diz haver apenas duas orações.

Referência: Período composto por coordenação e subordinação; orações subordinadas substantivas.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Ver gabarito

Gabarito: C

Fonte: Gabarito preliminar: Gabarito — questão 37