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Colégio Militar de Juiz de Fora (CMJF) 2023

Questão 21 — Língua Portuguesa: Interpretação de Texto

Língua Portuguesa Interpretação de Texto

2023 Fundamental

Colégio Militar de Juiz de Fora (CMJF) · Admissão ao 6º ano do Ensino Fundamental · Caderno Prova 1

Gabarito disponível

Texto-base:
A seguir, você vai ler um fragmento retirado do livro “O pequeno Príncipe”, de Antoine Saint-Exupéry. O livro é uma história encantadora sobre um menino que viaja entre planetas, conhecendo personagens únicos, como a raposa e a rosa. A obra ensina importantes lições sobre a amizade, o amor e o valor das pequenas coisas da vida.

TEXTO 1

E foi então que apareceu a raposa:
– Bom dia, disse a raposa.
– Bom dia, respondeu polidamente o principezinho, que se voltou, mas não viu nada.
– Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira...
– Quem és tu? perguntou o principezinho. Tu és bem bonita...
– Sou uma raposa, disse a raposa.
– Vem brincar comigo, propôs o principezinho. Estou tão triste...
– Eu não posso brincar contigo, disse a raposa. Não me cativaram ainda.
– Ah! desculpa, disse o principezinho. Após uma reflexão, acrescentou:
– Que quer dizer "cativar"?
– Tu não és daqui, disse a raposa. Que procuras?
– Procuro os homens, disse o principezinho. Que quer dizer "cativar"?
– Os homens, disse a raposa, têm fuzis e caçam. É bem incômodo! Criam galinhas também. É a única coisa interessante que fazem. Tu procuras galinhas?
– Não, disse o principezinho. Eu procuro amigos. Que quer dizer "cativar"?
– É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa "criar laços..."
– Criar laços?
– Exatamente, disse a raposa. Tu não és para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo...
– Começo a compreender, disse o principezinho. Existe uma flor... eu creio que ela me cativou...
– É possível, disse a raposa. Vê-se tanta coisa na Terra...
– Oh! não foi na Terra, disse o principezinho.
A raposa pareceu intrigada:
– Num outro planeta?
– Sim.
– Há caçadores nesse planeta?
– Não.
– Que bom! E galinhas?
– Também não.
– Nada é perfeito, suspirou a raposa.
Mas a raposa voltou à sua ideia.
– Minha vida é monótona. Eu caço as galinhas e os homens me caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens se parecem também. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra.
– O teu me chamará para fora da toca, como se fosse música. E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo...
A raposa calou-se e considerou por muito tempo o príncipe:
– Por favor... cativa-me! – disse ela.
– Bem quisera, disse o principezinho, mas eu não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.
– A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não têm mais tempo de conhecer alguma coisa. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!
– Que é preciso fazer? – perguntou o principezinho.
– É preciso ser paciente, respondeu a raposa. Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal-.....entendidos. Mas, cada dia, te sentarás mais perto...
No dia seguinte o principezinho voltou.
[...]
Assim o principezinho cativou a raposa. Mas, quando chegou a hora da partida, a raposa disse:
– Ah! Eu vou chorar.
[...]
E voltou, então, à raposa:
– Adeus, disse ele...
– Adeus, disse a raposa. Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos.

SAINT-EXUPÉRY. Antoine de. O pequeno príncipe. 31.ed. Rio de Janeiro: Editora Agir: 1987. (Adaptado)

Após a leitura atenta do trecho de O Pequeno Príncipe, de Antoine Saint-Exupéry, assinale a alternativa correta sobre os sentidos desse fragmento.
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

A raposa ensina que fazer amigos exige paciência e tempo para criar laços.

A raposa diz que 'é preciso ser paciente' e que o príncipe deve se aproximar a cada dia. Ela também critica quem não tem tempo de conhecer. Isso mostra que fazer amigos exige tempo e convivência para criar laços.

Análise das alternativas

A: o texto não diz que a viagem tinha esse motivo, pois ele procurava homens e amigos. C: o que lembraria a raposa do príncipe seria o trigo dourado e o barulho de passos, não os passos lembrando o trigo. D: a raposa vê a amizade como algo bom, que alegra a vida. E: ela diz que 'a linguagem é uma fonte de mal-entendidos' e pede silêncio.

Referência: Interpretação de texto.

Resolução comentada do VaiConcursos.

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Gabarito: B

Fonte: Gabarito preliminar: Gabarito CMJF 2023/2024 — Prova 1