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Texto-base:
Leia o texto 1 e responda às questões de 21 a 29.
Texto 1
UM PRESENTE PARA O REI
Era uma vez um rei muito temperamental e insatisfeito. Mesmo nos dias mais ensolarados de verão, o rei se quedava triste, ou aborrecido.
Às vezes, coisas tolas como uma nuvem escura no céu ou um grito um pouco mais estridente de uma ave o irritavam.
Ele possuía muitas riquezas e tinha como rainha uma bela esposa, que o amava de verdade, mas mesmo assim o rei não se via contente.
Os mais belos presentes eram trazidos de terras distantes, no intuito de satisfazê-lo: lindas orquídeas da Amazônia, pérolas do mar do Japão, diamantes das minas africanas, tapetes tecidos com fios de ouro trazidos do Irã, arcas cravejadas com joias feitas pelos maiores artesãos do Egito... nada disso o alegrava.
Artistas de todas as partes do mundo eram convidados para entretê-lo: mímicos, palhaços, dançarinos, poetas declamavam os mais belos poemas já escritos e atores representavam todos os tipos de dramas e comédias... e nada disso o satisfazia.
Ninguém no reino sabia o que fazer para agradá-lo.
Era muito raro, mas também acontecia: algumas manhãs ele acordava se sentindo bem, disposto e alegre, mas logo esse estado de ânimo desaparecia, e o rei voltava a cair na mais profunda melancolia. Mesmo que fosse primavera e a janela do palácio estivesse aberta para os campos plenos de belas flores e uma brisa fresca e amiga lhe soprasse os cabelos, num beijo de bom-dia.
O que ele mais desejava era algo que o fizesse feliz ou em paz para sempre. [...]
O rei então juntou seus três conselheiros e lhes ordenou que pensassem em um presente que o fizesse feliz para sempre. E deu o prazo de sete dias para que os conselheiros chegassem a uma solução.
Não era fácil. Porque o soberano tinha não só tudo o que o dinheiro pode comprar, como também era abençoado por coisas que o dinheiro não compra, como o amor de sua esposa e o respeito de seus súditos.
[...]
Mas eles estavam desesperados, por isso, secretamente, foram até a casa simples do sábio, nas montanhas.
- A solução é muito fácil – sorriu o sábio.
Então ele sugeriu que fosse feito um anel para o rei. Deveria ser um anel comum, sem pedraria ou qualquer outro ornamento, exceto uma frase gravada: "Isto também passará.".
O rei deveria usá-lo sempre. E olharia para o anel, na alegria ou na dor. O rei ficou tão comovido com o seu presente, que mandou chamar o sábio à sua presença, a fim de recompensá-lo. Queria cobrir o homem de ouro e joias.
Um mensageiro foi enviado até o sábio.
O sábio agradeceu, mas disse que não era necessário.
O rei ficou aborrecido com a recusa do sábio, daí, pela primeira vez, olhou seu anel e leu a frase mágica: "Isto também passará."; e logo seu aborrecimento passou e ele ficou em paz consigo mesmo.
Entretanto, o rei estava intrigado; então mandou selar seu belo cavalo e foi ter com o sábio nas montanhas.
Chegando lá, o rei foi recebido com a mesma alegria com a qual o sábio recebia reis ou mendigos.
- Vejo que sua casa é muito simples – disse o rei. – Como pode alguém recusar riquezas, vivendo com tão pouco?
O sábio sorriu. E explicou ao rei que a montanha e o riacho aos pés dela lhe davam tudo aquilo de que ele necessitava: silêncio, água, peixes; ele plantava o próprio alimento e vivia em paz com a natureza. Às vezes aceitava uma moeda de alguém agradecido que vinha consultá-lo, quando ele percebia que aquele pagamento era dado de coração.
- De que mais um homem pode necessitar, majestade? – perguntou o sábio.
Conta-se que depois daquele encontro, e por usar o anel, o rei nunca mais foi o mesmo; e viveu uma vida longa e feliz. [...]
Porque quem tem sabedoria tem tudo.
SANTOS, Walther Moreira. Um presente para o rei. In: GOMES, Lenice: MORAES, Fabiana (Org.). Histórias de quem conta histórias. São Paulo: Cortez, 2010. P. 113-117.
Leia o seguinte trecho e responda à questão.
Os mais belos presentes eram trazidos de terras distantes, no intuito de satisfazê-lo: lindas orquídeas da Amazônia, pérolas do mar do Japão, diamantes das minas africanas, tapetes tecidos com fios de ouro trazidos do Irã, arcas cravejadas com joias feitas pelos maiores artesãos do Egito... nada disso o alegrava.
O efeito de sentido decorrente do uso dos dois-pontos é:
Leia o texto 1 e responda às questões de 21 a 29.
Texto 1
UM PRESENTE PARA O REI
Era uma vez um rei muito temperamental e insatisfeito. Mesmo nos dias mais ensolarados de verão, o rei se quedava triste, ou aborrecido.
Às vezes, coisas tolas como uma nuvem escura no céu ou um grito um pouco mais estridente de uma ave o irritavam.
Ele possuía muitas riquezas e tinha como rainha uma bela esposa, que o amava de verdade, mas mesmo assim o rei não se via contente.
Os mais belos presentes eram trazidos de terras distantes, no intuito de satisfazê-lo: lindas orquídeas da Amazônia, pérolas do mar do Japão, diamantes das minas africanas, tapetes tecidos com fios de ouro trazidos do Irã, arcas cravejadas com joias feitas pelos maiores artesãos do Egito... nada disso o alegrava.
Artistas de todas as partes do mundo eram convidados para entretê-lo: mímicos, palhaços, dançarinos, poetas declamavam os mais belos poemas já escritos e atores representavam todos os tipos de dramas e comédias... e nada disso o satisfazia.
Ninguém no reino sabia o que fazer para agradá-lo.
Era muito raro, mas também acontecia: algumas manhãs ele acordava se sentindo bem, disposto e alegre, mas logo esse estado de ânimo desaparecia, e o rei voltava a cair na mais profunda melancolia. Mesmo que fosse primavera e a janela do palácio estivesse aberta para os campos plenos de belas flores e uma brisa fresca e amiga lhe soprasse os cabelos, num beijo de bom-dia.
O que ele mais desejava era algo que o fizesse feliz ou em paz para sempre. [...]
O rei então juntou seus três conselheiros e lhes ordenou que pensassem em um presente que o fizesse feliz para sempre. E deu o prazo de sete dias para que os conselheiros chegassem a uma solução.
Não era fácil. Porque o soberano tinha não só tudo o que o dinheiro pode comprar, como também era abençoado por coisas que o dinheiro não compra, como o amor de sua esposa e o respeito de seus súditos.
[...]
Mas eles estavam desesperados, por isso, secretamente, foram até a casa simples do sábio, nas montanhas.
- A solução é muito fácil – sorriu o sábio.
Então ele sugeriu que fosse feito um anel para o rei. Deveria ser um anel comum, sem pedraria ou qualquer outro ornamento, exceto uma frase gravada: "Isto também passará.".
O rei deveria usá-lo sempre. E olharia para o anel, na alegria ou na dor. O rei ficou tão comovido com o seu presente, que mandou chamar o sábio à sua presença, a fim de recompensá-lo. Queria cobrir o homem de ouro e joias.
Um mensageiro foi enviado até o sábio.
O sábio agradeceu, mas disse que não era necessário.
O rei ficou aborrecido com a recusa do sábio, daí, pela primeira vez, olhou seu anel e leu a frase mágica: "Isto também passará."; e logo seu aborrecimento passou e ele ficou em paz consigo mesmo.
Entretanto, o rei estava intrigado; então mandou selar seu belo cavalo e foi ter com o sábio nas montanhas.
Chegando lá, o rei foi recebido com a mesma alegria com a qual o sábio recebia reis ou mendigos.
- Vejo que sua casa é muito simples – disse o rei. – Como pode alguém recusar riquezas, vivendo com tão pouco?
O sábio sorriu. E explicou ao rei que a montanha e o riacho aos pés dela lhe davam tudo aquilo de que ele necessitava: silêncio, água, peixes; ele plantava o próprio alimento e vivia em paz com a natureza. Às vezes aceitava uma moeda de alguém agradecido que vinha consultá-lo, quando ele percebia que aquele pagamento era dado de coração.
- De que mais um homem pode necessitar, majestade? – perguntou o sábio.
Conta-se que depois daquele encontro, e por usar o anel, o rei nunca mais foi o mesmo; e viveu uma vida longa e feliz. [...]
Porque quem tem sabedoria tem tudo.
SANTOS, Walther Moreira. Um presente para o rei. In: GOMES, Lenice: MORAES, Fabiana (Org.). Histórias de quem conta histórias. São Paulo: Cortez, 2010. P. 113-117.
Leia o seguinte trecho e responda à questão.
Os mais belos presentes eram trazidos de terras distantes, no intuito de satisfazê-lo: lindas orquídeas da Amazônia, pérolas do mar do Japão, diamantes das minas africanas, tapetes tecidos com fios de ouro trazidos do Irã, arcas cravejadas com joias feitas pelos maiores artesãos do Egito... nada disso o alegrava.
O efeito de sentido decorrente do uso dos dois-pontos é:
Resolução comentada
Os dois-pontos introduzem uma enumeração.
Após "satisfazê-lo" vem a lista de presentes (orquídeas, pérolas, diamantes, tapetes, arcas). Os dois-pontos servem para enumerar exemplos de presentes.
Análise das alternativas
A: não apresentam o vocábulo "satisfazer". B e D: não há fala nem citação. E: o pensamento está completo, e as reticências ficam depois da lista.
Referência: Pontuação: emprego dos dois-pontos.
Resolução comentada do VaiConcursos.