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TEXTO III
1 Não há nada que diferencie tanto a sociedade ocidental de nossos dias das sociedades
2 mais antigas da Europa e do Oriente do que o conceito de tempo. Tanto para os antigos
3 gregos e chineses quanto para os nômades árabes de hoje, o tempo é representado pelos
4 processos cíclicos da natureza, pela sucessão dos dias e das noites, pela passagem das
5 estações. Os nômades e os fazendeiros costumavam medir, e ainda hoje o fazem, seu dia do
6 amanhecer até o crepúsculo e os anos em termos de tempo de plantar e de colher, das folhas
7 que caem e do gelo derretendo nos lagos e rios.
8 O homem do campo trabalhava em harmonia com os elementos, como um artesão,
9 durante tanto tempo quanto julgasse necessário. O homem ocidental civilizado, entretanto,
10 vive num mundo que gira de acordo com os símbolos mecânicos e matemáticos das horas
11 marcadas pelo relógio. É ele que vai determinar seus movimentos e dificultar suas ações.
12 O relógio modificou o tempo, transformando-o de um processo natural em uma
13 mercadoria que pode ser comprada, vendida e medida como um sabonete ou um punhado de
14 passas de uvas. O relógio representa um elemento de ditadura mecânica na vida do homem
15 moderno, mais poderoso do que qualquer outro explorador isolado ou do que qualquer outra
16 máquina.
17 Assim, o homem que não conseguir ajustar-se deve enfrentar a desaprovação da
18 sociedade e a ruína econômica, a menos que abandone tudo, passando a ser um dissidente
19 para o qual o tempo deixa de ser importante. O operário transforma-se em um especialista
20 em “olhar o relógio”, preocupado apenas em saber quando poderá escapar para gozar as
21 escassas e monótonas formas de lazer que a sociedade industrial lhe proporciona; onde ele,
22 para “matar o tempo”, programará tantas atividades mecânicas com tempo marcado, como ir
23 ao cinema, ouvir rádio e ler jornais quanto permitir o seu salário e o seu cansaço. Agora, são
24 os movimentos do relógio que vão determinar o ritmo da vida do ser humano.
WOODCOCK, George. A ditadura do relógio. Porto Alegre: L&PM Editores (Adaptado).
Com base no Texto III, assinale a alternativa em que o enunciado destacado não pode ser transposto para a voz passiva.
Resolução comentada
Identificar a oração que não admite voz passiva por não ter objeto direto.
Só verbos transitivos diretos podem ir para a voz passiva. Em 'vive num mundo que gira', 'vive' é intransitivo, e 'num mundo' é adjunto adverbial de lugar. Assim, não há objeto direto para virar sujeito da passiva.
Análise das alternativas
A) 'Representa um elemento' é transitivo direto, e a passiva seria 'Um elemento é representado pelo relógio'. B) 'Transformou o tempo' é transitivo direto. D) 'Determinar seus movimentos' tem objeto direto. E) 'Programará atividades' tem objeto direto.
Referência: Vozes verbais: transposição ativa para passiva.
Resolução comentada do VaiConcursos.