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Texto-base:
Leia o texto III para responder aos itens 21 a 27.
TEXTO III
ERA DIA DE CAÇADA
01 O príncipe acordou contente. Era dia de caçada. Os cachorros latiam no pátio do castelo.
Vestiu o colete de couro, calçou as botas. Os cavalos batiam os cascos debaixo da janela.
Apanhou as luvas e desceu.
Lá embaixo parecia uma festa. Os arreios e os pelos dos animais brilhavam ao sol.
05 Brilhavam os dentes abertos em risadas, os arcos e flechas, as trompas que deram o sinal de
partida.
Na floresta, também ouviram a trompa e o alarido. Todos souberam que eles vinham. E
cada um se escondeu como pôde.
Só a moça não se escondeu. Acordou com o som da tropa e estava debruçada no regato
10 quando os caçadores chegaram.
Foi assim que o príncipe a viu. Metade mulher, metade corça, bebendo no regato. A
mulher tão linda. A corça tão ágil. A mulher ele queria amar, a corça ele queria atingir com
uma de suas flechas. Se chegasse perto será que ela fugia? Mexeu num galho, ela levantou a
cabeça ouvindo. Então, o príncipe botou a flecha no arco, retesou a corda, atirou bem na
15 pata direita. E quando a corça-mulher dobrou os joelhos tentando arrancar a flecha, ele
correu e a segurou, chamando homens e cães.
Levaram a corça para o castelo. Veio o médico, trataram do ferimento. Puseram a corça
num quarto de porta trancada.
Todos os dias o príncipe ia visitá-la. Só ele tinha a chave. E cada vez se apaixonava
20 mais. Mas a corça-mulher só falava a língua da floresta e o príncipe só sabia ouvir a língua
do palácio.
Então ficavam horas se olhando calados, com tanta coisa para dizer.
Ele queria dizer que a amava tanto, que queria casar com ela e tê-la para sempre no
castelo, que a cobriria de roupas e joias, que chamaria o melhor feiticeiro do reino para fazê-
25 la virar toda mulher.
Ela queria dizer que o amava tanto, que queria casar com ele e levá-lo para a floresta,
que lhe ensinaria a gostar dos pássaros e das flores, que pediria à Rainha das corças para
dar-lhe quatro patas ágeis e um belo pelo castanho.
Mas o príncipe tinha a chave da porta. E ela não tinha o segredo da palavra.
30 Todos os dias se encontravam. Agora se seguravam as mãos. E no dia em que a
primeira lágrima rolou dos olhos dela, o príncipe pensou ter entendido e mandou chamar o
feiticeiro.
Quando a corça acordou, já não era mais corça. Duas pernas só e compridas, um corpo
branco. Tentou levantar, não conseguiu. O príncipe lhe deu a mão. Vieram as costureiras e a
35 cobriram de roupas. Vieram os joalheiros e a cobriram de joias. Vieram os mestres de dança
para ensinar-lhe a andar. Só não tinha a palavra. E o desejo de ser mulher.
Sete dias ela levou para aprender sete passos. E na manhã do oitavo dia, quando
acordou e viu a porta aberta, juntou sete passos e mais sete, atravessou o corredor, desceu
a escada, cruzou o pátio e correu para a floresta à procura de sua Rainha.
40 O sol ainda brilhava quando a corça saiu da floresta. Dessa vez, só corça, não mais
mulher. E se pôs a pastar sob as janelas do palácio.
COLASANTI, Marina. Uma ideia toda azul. São Paulo: Global, 1999. p.35-40. Adaptado.
O segundo substantivo presente no trecho “[...] que a cobriria de roupas e joias, que chamaria o melhor feiticeiro do reino [...]” (l.24) tem a mesma classificação, quanto à posição de sua sílaba tônica, que a palavra:
Leia o texto III para responder aos itens 21 a 27.
TEXTO III
ERA DIA DE CAÇADA
01 O príncipe acordou contente. Era dia de caçada. Os cachorros latiam no pátio do castelo.
Vestiu o colete de couro, calçou as botas. Os cavalos batiam os cascos debaixo da janela.
Apanhou as luvas e desceu.
Lá embaixo parecia uma festa. Os arreios e os pelos dos animais brilhavam ao sol.
05 Brilhavam os dentes abertos em risadas, os arcos e flechas, as trompas que deram o sinal de
partida.
Na floresta, também ouviram a trompa e o alarido. Todos souberam que eles vinham. E
cada um se escondeu como pôde.
Só a moça não se escondeu. Acordou com o som da tropa e estava debruçada no regato
10 quando os caçadores chegaram.
Foi assim que o príncipe a viu. Metade mulher, metade corça, bebendo no regato. A
mulher tão linda. A corça tão ágil. A mulher ele queria amar, a corça ele queria atingir com
uma de suas flechas. Se chegasse perto será que ela fugia? Mexeu num galho, ela levantou a
cabeça ouvindo. Então, o príncipe botou a flecha no arco, retesou a corda, atirou bem na
15 pata direita. E quando a corça-mulher dobrou os joelhos tentando arrancar a flecha, ele
correu e a segurou, chamando homens e cães.
Levaram a corça para o castelo. Veio o médico, trataram do ferimento. Puseram a corça
num quarto de porta trancada.
Todos os dias o príncipe ia visitá-la. Só ele tinha a chave. E cada vez se apaixonava
20 mais. Mas a corça-mulher só falava a língua da floresta e o príncipe só sabia ouvir a língua
do palácio.
Então ficavam horas se olhando calados, com tanta coisa para dizer.
Ele queria dizer que a amava tanto, que queria casar com ela e tê-la para sempre no
castelo, que a cobriria de roupas e joias, que chamaria o melhor feiticeiro do reino para fazê-
25 la virar toda mulher.
Ela queria dizer que o amava tanto, que queria casar com ele e levá-lo para a floresta,
que lhe ensinaria a gostar dos pássaros e das flores, que pediria à Rainha das corças para
dar-lhe quatro patas ágeis e um belo pelo castanho.
Mas o príncipe tinha a chave da porta. E ela não tinha o segredo da palavra.
30 Todos os dias se encontravam. Agora se seguravam as mãos. E no dia em que a
primeira lágrima rolou dos olhos dela, o príncipe pensou ter entendido e mandou chamar o
feiticeiro.
Quando a corça acordou, já não era mais corça. Duas pernas só e compridas, um corpo
branco. Tentou levantar, não conseguiu. O príncipe lhe deu a mão. Vieram as costureiras e a
35 cobriram de roupas. Vieram os joalheiros e a cobriram de joias. Vieram os mestres de dança
para ensinar-lhe a andar. Só não tinha a palavra. E o desejo de ser mulher.
Sete dias ela levou para aprender sete passos. E na manhã do oitavo dia, quando
acordou e viu a porta aberta, juntou sete passos e mais sete, atravessou o corredor, desceu
a escada, cruzou o pátio e correu para a floresta à procura de sua Rainha.
40 O sol ainda brilhava quando a corça saiu da floresta. Dessa vez, só corça, não mais
mulher. E se pôs a pastar sob as janelas do palácio.
COLASANTI, Marina. Uma ideia toda azul. São Paulo: Global, 1999. p.35-40. Adaptado.
O segundo substantivo presente no trecho “[...] que a cobriria de roupas e joias, que chamaria o melhor feiticeiro do reino [...]” (l.24) tem a mesma classificação, quanto à posição de sua sílaba tônica, que a palavra:
Resolução comentada
'Joias' é paroxítona, como 'ferimento'.
Os substantivos do trecho são 'roupas' e 'joias'. O segundo, 'joias' (joi-as), é paroxítona. 'Ferimento' (fe-ri-MEN-to) também é paroxítona.
Análise das alternativas
'Lá' e 'mulher' são oxítonas. 'Retesou' é oxítona. 'Príncipe' é proparoxítona.
Referência: Acentuação tônica
Resolução comentada do VaiConcursos.