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TEXTO 1
A viagem de volta para casa seria longa. Na estrada, eu recordava as aventuras que vivi e me lembrei de quando ouvi no rádio a ameaça para que jornalistas não viajassem ao vale do Swat. Agora a salvo, liguei o rádio do carro e ouvi outra notícia.
Dessa vez, uma notícia boa: a de que Malala havia acordado do sono!
Ela estava em um hospital para tratamento de feridos de guerra, o Queen Elizabeth Hospital. Fica na Inglaterra, a terra da rainha — aquela mesma, que visitou o vale do Swat um dia.
Malala tinha sido transferida para esse hospital enquanto dormia. Ao acordar, percebeu que estava sozinha em um lugar estranho. Tinha dificuldade para respirar e já não podia sorrir. A bala tinha ferido o lado esquerdo de seu rosto delicado. Por um instante, Malala ficou triste ao se olhar no espelho. Mas logo voltou a se sentir feliz, porque estava viva!
O pai, a mãe e os irmãos viajaram para a Inglaterra e seu reencontro foi muito emocionante.
- Na noite passada, quando nós a reencontramos, havia lágrimas em nossos olhos, mas eram de felicidade, fe-li-ci-da-de! — disse Ziauddin, logo depois de a filha acordar.
Enquanto Malala dormia, sua vida mudou. E o mundo mudou um pouquinho também.
A notícia de sua quase morte tinha se espalhado como um "fogo na floresta", me disse seu tio, Ahmed Shah, e ele tinha razão.
Com o atentado, os homens das montanhas pretendiam calar Malala, mas o feitiço virou contra os feiticeiros. No lugar disso, eles fizeram com que sua voz se tornasse ainda mais forte. Malala passou a ser ouvida nos quatro cantos e fez novos amigos no mundo inteiro. Todos acenderam velas e fizeram vigília por sua recuperação.
Malala ficou quatro meses internada e passou por quatro cirurgias.
Adivinhem qual foi a primeira coisa que Malala pediu que levassem para ela no hospital, quando acordou? Livros! Devagarzinho, ela recomeçou a ler e a escrever. Já respirava melhor e, aos poucos, voltou a falar e a ouvir. Ela emocionou o mundo com um discurso feito na ONU!
Sua luta pela educação das meninas ganhou atenção global e milhares de pessoas se uniram a ela. Malala recebeu doações para ajudar milhões de meninas e meninos que ainda estão fora da escola. Ela entrou para a lista das cem pessoas mais egrégias do mundo e se tornou a mais jovem ganhadora do prêmio Nobel da paz!
Cinco meses e dez dias depois do tiro, Malala estava de volta à sala de aula, em uma escola só para meninas, chamada Edgbaston High School, na cidade inglesa de Birmingham, onde a família agora vive.
— Eu realizei um sonho. Penso que é o momento mais feliz da minha vida porque estou voltando para a escola. Hoje eu tenho meus livros, minha mochila, e vou aprender... Eu quero aprender sobre política, sobre direitos sociais e sobre a lei. Eu quero aprender sobre como posso mudar o mundo — ela disse, no primeiro dia de aula. O primeiro dia do resto de sua vida.
E Malala voltou a sorrir. Porque continuava sendo apenas uma menina que queria ir para a escola.
Texto Adaptado
CARRANCA, Adriana. Malala, a menina que queria ir para a escola. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 2015.
Em um texto narrativo, o narrador assume uma perspectiva específica para contar a história. Considerando as características do trecho extraído do livro “Malala, a menina que queria ir para a escola”, assinale qual alternativa melhor descreve o tipo de narrador da referida obra.
Resolução comentada
O narrador é personagem e narra em primeira pessoa.
Trechos como "eu recordava", "liguei o rádio" e "me disse seu tio" mostram um narrador que participa da história e relata em primeira pessoa os fatos vividos por Malala, com suas próprias experiências. Está correta a alternativa D.
Análise das alternativas
A) e B) Dizem que a narração é em terceira pessoa, mas há marcas de primeira pessoa. C) e E) Descrevem narrador onisciente em terceira pessoa, o que não é o caso.
Referência: Foco narrativo: narrador-personagem em 1ª pessoa.
Resolução comentada do VaiConcursos.