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Comando da Aeronáutica — Diretoria de Ensino · Comando da Aeronáutica 2024

Questão 09 — Língua Portuguesa: Intertextualidade — Comparação entre Textos

Língua Portuguesa Intertextualidade — Comparação entre Textos

Comando da Aeronáutica — Diretoria de Ensino 2024 Médio

Comando da Aeronáutica · Exame de Admissão aos CFOAV, CFOINT e CFOINF 2025 · Caderno Versão A

Gabarito disponível

Texto-base:
TEXTO I
Black Mirror: “Queda livre”, a desumanização do futuro
Queda Livre, o enredo
“Queda Livre” nos lembra da invasão das redes sociais
que vivemos hoje e nos leva a perceber como elas podem
ser perigosas e irreais.
[...]
5 Lacie é a protagonista desta história, desse ecossistema
em que as pessoas são julgadas de acordo com sua
popularidade, onde 0 é a menor e 5 a mais alta. Graças às
avaliações dos outros e sua rede de contatos, é possível
obter um melhor emprego, comprar um apartamento e obter
10 um grande número de benefícios.

Black Mirror – “Queda Livre” por trás da perfeição

“Queda Livre” significa mover os códigos de nossas
15 redes sociais para o mundo real, onde não apenas
agiríamos falsamente para agradar e mostrar nossa melhor
face, mas esses gostos que recebemos serviriam para
determinar nossa posição social.
Em Black Mirror, as pessoas agem de forma correta
20 umas com as outras, com uma gentileza que nos incomoda
porque, afinal, sabemos ser um egoísmo fictício e puro. Elas
não tentam ajudar ou apoiar, mas melhorar sua própria
imagem.

25 Deixando de ser escravos

Black Mirror magistralmente nos imersa em um baile de
máscaras contemporâneo, filtros na vida real, onde tudo é
pastel, tudo é perfeito na aparência, mas ninguém é feliz na
30 realidade. Ninguém pode ser tão feliz, ninguém pode ser
feliz sempre e ninguém pode adorar o mundo inteiro.
[...]
A queda da personagem Lacie nada mais é do que uma
libertação. Não são as paredes que a oprimem, é a
35 sociedade e, uma vez à margem, pode finalmente gritar,
pode ser ela mesma.
A cena final em que Lacie “perdeu a cabeça”, quando
percebe que não tem mais seu celular, é uma cena
libertadora e esperançosa. Não há prisão maior do que a
40 própria pessoa, não há maior escravidão do que um mundo
desumanizado.
(PENSAR CONTEMPORÂNEO. Black Mirror: “Queda livre”, a desumanização do futuro. Disponível em: https://www.pensarcontemporaneo.com/black-mirror-queda-livre/. Acesso em: 04 de março de 2024). Adaptado.

TEXTO II
Os impactos da felicidade fabricada para as redes sociais
O Grupo Consumoteca, liderado pelo antropólogo
Michel Alcoforado, divulgou recentemente os resultados do
estudo “Economia do mal-estar”, no qual avaliou a
metrificação da felicidade na era das redes sociais – e como
5 isso acaba gerando produtos que se oferecem como
soluções rápidas para as angústias às vezes até agravadas
por essa quase obrigatoriedade de estar ou parecer feliz.
Foi realizada uma pesquisa cuja ideia era analisar se existe
felicidade além das redes ou se todos estão realmente
10 presos ao padrão do mundo digital de provar com
audiência, likes e comentários o quanto se é feliz.
Os brasileiros são os mais infelizes entre os países
pesquisados: 58% sentem-se insatisfeitos com sua vida
atual. Além disso, oito em cada dez pessoas dizem ter
15 projetos que não conseguem tirar do papel, 41% acham
que não fazem tudo que poderiam fazer por sua felicidade
e 35% das pessoas se sentem mais negativas quando
acompanham a vida dos outros nas redes sociais.
Segundo Alcoforado, se antes havia um caminho
20 razoavelmente claro para a felicidade – trabalho,
casamento e filhos – hoje, com tudo isso colocado em
questão, vale mais a jornada de busca da plenitude do que
o chegar lá exatamente.
Com tudo isso, analisa o antropólogo, a velha história
25 de “plantar e colher” foi substituída pelo postar, numa
espécie de tirania da positividade, que no fundo deixa a
sensação de as pessoas terem sempre de estar correndo
atrás nesse páreo [...].
(ROCHA, Roseane. Os impactos da felicidade fabricada para as redes sociais. Disponível em: www.meiomensagem.com.br Acesso em: 04 de março de 2024). Adaptado.

TEXTO III
Pela Internet
Gilberto Gil
Criar meu web site
Fazer minha home-page
Com quantos gigabytes
Se faz uma jangada
5 Um barco que veleje
Criar meu web site
Fazer minha home-page
Com quantos gigabytes
Se faz uma jangada
10 Um barco que veleje
Que veleje nesse infomar
Que aproveite a vazante da infomaré
Que leve um oriki do meu velho orixá
Ao porto de um disquete de um micro em Taipé
15 Um barco que veleje nesse infomar
Que aproveite a vazante da infomaré
Que leve meu e-mail até Calcutá
Depois de um hot-link
Num site de Helsinque
20 Para abastecer
Eu quero entrar na rede
Promover um debate
Juntar via Internet
Um grupo de tietes de Connecticut
25 Eu quero entrar na rede
Promover um debate
(Gilberto Gil. Pela Internet. Quanta: 1997. Disponível em: www.gilbertogil.com.br/noticias/producoes/detalhes/quanta Acesso em: 15 de abr. de 2024).

Considerando que há uma correlação temática entre os textos I, II e III, é possível relacioná-los, também, com fragmentos retirados dos textos “Amnésia digital prejudica armazenamento natural das memórias” e “Hipermodernidade, multiletramentos e gêneros discursivos”. Dessa forma, pode-se afirmar que todas as alternativas estão corretas, EXCETO:
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Identificar o fragmento que não dialoga com a temática dos textos I, II e III (a questão pede a exceção).

Os textos tratam de aparência e felicidade fabricada, de busca por audiência e aprovação, de autocentração e de papéis sociais na vida digital. As alternativas A, B e C expressam essas ideias: hipernarcisismo, mudança nos papéis autor/leitor e audiência como capital social. A alternativa D fala só dos prejuízos do uso excessivo de telas (sociais, biológicos e cognitivos). Esse é um tema mais amplo, que não se liga à performance social e à felicidade nas redes, e por isso é a exceção.

Análise das alternativas

A) Corresponde ao narcisismo e à autocentração de Black Mirror e da tirania da positividade. B) Corresponde ao texto III, em que o eu-lírico quer entrar na rede e interagir, e à ideia de papéis sociais na hipermodernidade. C) Corresponde à audiência/likes como capital social, presente nos textos I e II. D) Trata de efeitos gerais do uso de telas, sem relação direta com a performance social. É a exceção pedida.

Referência: Interpretação e intertextualidade; relação temática entre textos.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Ver gabarito

Gabarito: D

Fonte: Gabarito preliminar: Gabarito Oficial — EA CFOAV/CFOINT/CFOINF 2025