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Colégio Militar de Curitiba (DECEx – DEPA) · Colégio Militar de Curitiba 2025

Questão 28 — Língua Portuguesa: Análise Morfossintática — Termos da Oração

Língua Portuguesa Análise Morfossintática — Termos da Oração

Colégio Militar de Curitiba (DECEx – DEPA) 2025 Fundamental

Colégio Militar de Curitiba · Aluno — 1º ano do Ensino Médio

Gabarito disponível

Texto-base:
Língua Portuguesa – questões 21 a 40

Texto I
(…) Na mesma tarde, transportei meus pertences do hotel e, na manhã seguinte, Sherlock Holmes trouxe várias caixas e malas. Durante um ou dois dias, estivemos ocupados em desempacotar nossas coisas e dispô-las da melhor maneira. Feito isso, gradualmente fomos nos acomodando ao novo ambiente. Não era difícil conviver com Holmes. Era um sujeito sossegado e com hábitos muito regulares. Era raro encontrá-lo em pé depois das dez da noite e, invariavelmente, quando eu levantava pela manhã, já tinha tomado café e saído. Às vezes, passava o dia no laboratório químico; outras, na sala de dissecação, e havia ocasiões em que dava longas caminhadas às partes mais baixas da cidade. A energia de Holmes, quando mergulhava no trabalho, era insuperável. Mas, depois, sobrevinha-lhe uma reação e ele passava os dias estirado sobre o sofá da sala, sem articular uma palavra e sem mover um músculo da manhã à noite. Nesses períodos, percebia uma expressão tão vaga e onírica em seus olhos, que teria suspeitado do uso de algum narcótico, se a sobriedade e a correção de sua vida não me impedissem de pensar tal coisa. À medida que as semanas passavam, meu interesse por ele e a curiosidade pelos objetivos de sua vida cresciam cada vez mais. Ele próprio, com sua aparência, chamava a atenção do observador mais casual. Media em torno de um e oitenta de altura, mas era tão magro que dava impressão de ser ainda mais alto. Seu olhar era aguçado e penetrante, a não ser naqueles períodos de torpor aos que já me referi. O nariz, fino e adunco como o de um falcão, dava ao semblante um ar de vivacidade e decisão. Também o queixo, quadrado e proeminente, caracterizava-o como homem de determinação. Suas mãos estavam sempre manchadas com tinta e produtos químicos, mas seu toque era muito delicado, conforme pude observar inúmeras vezes, enquanto ele manipulava seus frágeis instrumentos de alquimista. Talvez o leitor esteja me julgando um bisbilhoteiro incurável, porque confesso o quanto aquele homem espicaçava minha curiosidade e quantas vezes procurei romper todas as reticências presentes em tudo que dizia respeito a Sherlock Holmes. Antes de me julgar assim, porém, tenha presente o quanto minha vida carecia de objetivos e quão poucas coisas havia para despertar minha atenção.
Minha saúde impedia que eu me aventurasse fora de casa, a menos que o tempo estivesse excepcionalmente bom. Não tinha amigos que pudessem me visitar, quebrando a monotonia de meus dias. Sob tais circunstâncias, desfrutava com ansiedade o pequeno mistério que cercava meu companheiro e passava a maior parte do tempo tentando decifrá-lo. Holmes não estudava medicina. Ele próprio, em resposta a uma pergunta, confirmara a opinião de Stamford a esse respeito. Tampouco parecia ter frequentado qualquer curso que lhe tivesse dado um título em ciência ou qualquer outro crédito que garantisse sua entrada no mundo acadêmico. No entanto sua dedicação a certos estudos era notável e, embora limitado a temas excêntricos, seu conhecimento era de extensão e minúcias extraordinárias. Suas observações me deixavam impressionado. Sem dúvida, ninguém trabalharia de forma tão devotada nem acumularia informações tão precisas sem ter algum objetivo em vista. Leitores fortuitos dificilmente se destacam pela exatidão de seus conhecimentos. Homem nenhum sobrecarregaria a mente com minúcias, sem ter uma boa razão para isso. A ignorância de Holmes era tão notável quanto seu conhecimento. O que sabia de literatura, filosofia e política contemporâneas era praticamente nada. Quando citei Thomas Carlyle, ele me perguntou, da forma mais ingênua, de quem se tratava e o que havia feito. Minha surpresa maior, porém, foi descobrir, incidentalmente, que ele desconhecia a Teoria de Copérnico e a composição do sistema solar. Encontrar um homem civilizado, em pleno século XIX, ignorando que a Terra gira em torno do Sol, era algo difícil de acreditar, de tão extraordinário.
– Você parece espantado – disse ele, rindo da minha surpresa. – Agora que sei, farei o possível para esquecer.
– Esquecer?
– Veja bem – explicou. – Para mim, o cérebro humano, em sua origem, é como um sótão vazio que você pode encher com os móveis que quiser. Um tolo vai entulhá-lo com todo tipo de coisa que for encontrando pelo caminho, de tal forma que o conhecimento que poderia lhe ser útil ficará soterrado ou, na melhor das hipóteses, tão misturado a outras coisas que não conseguirá encontrá-lo quando necessitar dele. O especialista, ao contrário, é muito cuidadoso com aquilo que coloca em seu sótão cerebral. Guardará apenas as ferramentas de que necessita para seu trabalho, mas dessas terá um grande sortimento mantido na mais perfeita ordem. É um engano pensar que o quartinho tem paredes elásticas que podem ser estendidas à vontade. Chega a hora em que, a cada acréscimo de conhecimento, você esquece algo de que já sabia. É da maior importância, portanto, evitar que informações inúteis ocupem o lugar daquelas que têm utilidade. (…)

DOYLE, Arthur Conan. Sherlock Holmes. Edição Completa do maior detetive de todos os tempos! Disponível em https://diegodelpasso.com/wp-content/uploads/2016/05/arthur-conan-doyle-sherlock-holmes-edic 3a7c 3a3o-completa.pdf. Acesso em 03 set. 25, adaptado.

Leia o período:
“O especialista, ao contrário, é muito cuidadoso com aquilo que coloca em seu sótão cerebral.”
Período “O especialista, ao contrário, é muito cuidadoso com aquilo que coloca em seu sótão cerebral.” com “O”, “aquilo”, “que”, “coloca” e “cerebral” sublinhados.
Com base na análise morfossintática, analise as assertivas:
I. O termo “aquilo” é um pronome demonstrativo e exerce a função de objeto indireto da oração principal.
II. Os termos “O” e “cerebral” estão exercendo a mesma função sintática, apesar de pertencerem a classes gramaticais distintas.
III. O termo “que” é um pronome relativo que está exercendo a função sintática de objeto direto da oração subordinada.
IV. O verbo “coloca” está no modo indicativo e atribui ao sujeito da oração principal uma característica.
Assinale a alternativa correta:
Selecione uma alternativa

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Gabarito: C

Fonte: Gabarito preliminar: Gabarito 1º ano — página 1