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Texto III
O Conto da Mentira
Todo dia Felipe inventava uma mentira. “Mãe, a vovó tá no telefone!” A mãe largava a louça na pia e corria até a sala. Encontrava o telefone mudo. O garoto havia inventado morte do cachorro, nota dez em matemática, gol de cabeça em campeonato de rua. A mãe tentava assustá-lo: “Seu nariz vai ficar igual ao do Pinóquio!” Felipe ria na cara dela: “Quem tá mentindo é você! Não existe ninguém de madeira!” O pai de Felipe também conversava com ele: “Um dia você contará uma verdade e ninguém acreditará!” Felipe ficava pensativo. Mas no dia seguinte… Então, aconteceu o que seu pai alertara. Felipe assistia a um programa na TV. A apresentadora ligou para o número do telefone da casa dele. Felipe tinha sido sorteado. O prêmio era uma bicicleta: “É verdade, mãe! A moça quer falar com você no telefone pra combinar a entrega da bicicleta. É verdade!” A mãe de Felipe fingiu não ouvir. Continuou preparando o jantar em silêncio. Resultado: Felipe deixou de ganhar o prêmio. Então, ele começou a reduzir suas mentiras. Até que um dia deixou de contá-las. Bem, Felipe cresceu e tornou-se um escritor. Voltou a criar histórias. Agora, sem culpa e sem medo. No momento está escrevendo um conto. É a história de um menino que deixa de ganhar uma bicicleta porque mentia…
AUGUSTO, Rogério. A FOLHA DE SÃO PAULO. Folhinha. São Paulo, 2003. Disponível em https://armazemdetexto.blogspot.com/2018/08/o-conto-da-mentira-rogerio-augusto-com.html, acesso em 04 set 2025.
Considerando o desfecho do conto, em que Felipe torna-se escritor e passa a criar histórias ficcionais, pode-se afirmar que o Texto III propõe uma reflexão sobre:
Resolução comentada
O desfecho mostra a mentira infantil convertida em criação literária consciente.
Felipe, que inventava mentiras na infância, torna-se escritor e volta a criar histórias, agora "sem culpa e sem medo". A imaginação infantil deixa de ser engano e vira ferramenta criativa consciente. Por isso a reflexão do conto é a transformação da fantasia infantil em criação artística adulta.
Análise das alternativas
A) Errada: o texto não trata de perdão. B) Errada: a literatura não aparece como autopunição, e o narrador diz que ele escreve sem culpa. D) Errada: a escrita não é apresentada como terapia para corrigir mentiras. E) Errada: não há resgate de vínculos familiares rompidos.
Referência: Interpretação de texto: tema e reflexão a partir do desfecho do conto.
Resolução comentada do VaiConcursos.