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Colégio Militar de Fortaleza · Colégio Militar de Fortaleza (Exército Brasileiro – DECEx/DEPA) 2025

Questão 37 — Língua Portuguesa: Interpretação de Texto — Inferência

Língua Portuguesa Interpretação de Texto — Inferência

Colégio Militar de Fortaleza 2025 Fundamental

Colégio Militar de Fortaleza (Exército Brasileiro – DECEx/DEPA) · Admissão ao 6º ano do Ensino Fundamental

Gabarito disponível

Texto-base:
TEXTO VII
A BOLA
Luis Fernando Veríssimo
O pai deu uma bola de presente ao filho. Lembrando o prazer que sentira ao ganhar
a sua primeira bola do pai. Uma número 5 sem tento oficial de couro. Agora não era mais
de couro, era de plástico. Mas era uma bola.

O garoto agradeceu, desembrulhou a bola e disse "Legal!". Ou o que os garotos
5 dizem hoje em dia quando gostam do presente ou não querem magoar o velho. Depois
começou a girar a bola, à procura de alguma coisa.

— Como é que liga? — perguntou.

— Como, como é que liga? Não se liga.

O garoto procurou dentro do papel de embrulho.

10 Não tem manual de instrução?

O pai começou a desanimar e a pensar que os tempos são outros. Que os tempos
são decididamente outros.

— Não precisa de manual de instrução.

— O que é que ela faz?

15 — Ela não faz nada. Você é que faz coisas com ela.

— O quê?

— Controla, chuta...

— Ah, então é uma bola.

— Claro que é uma bola.

20 — Uma bola, bola. Uma bola mesmo.

— Você pensou que fosse o quê?

— Nada, não.

O garoto agradeceu, disse "Legal" de novo, e dali a pouco o pai o encontrou na
frente da tevê, com a bola nova do lado, manejando os controles de um videogame. Algo
25 chamado “Monster Ball”, em que times de monstrinhos disputavam a posse de uma bola
em forma de bip eletrônico na tela ao mesmo tempo que tentavam se destruir
mutuamente. O garoto era bom no jogo. Tinha coordenação e raciocínio rápido. Estava
ganhando da máquina.

O pai pegou a bola nova e ensaiou algumas embaixadas. Conseguiu equilibrar a
30 bola no peito do pé, como antigamente, e chamou o garoto.

— Filho, olha.

O garoto disse "Legal", mas não desviou os olhos da tela. O pai segurou a bola com
as mãos e a cheirou, tentando recapturar mentalmente o cheiro de couro. A bola
cheirava a nada. Talvez um manual de instrução fosse uma boa ideia, pensou. Mas em
35 inglês, para a garotada se interessar.
Disponível em: https://contobrasileiro.com.br/a-bola-luis-fernando-verissimo/. Acesso em: 18 de agosto de 2025.

A oração “Os tempos são decididamente outros” (linhas 11 e 12), empregada pelo narrador, indica que o pai
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Sentido de 'Os tempos são decididamente outros'.

Ao ver o filho procurar como 'ligar' a bola e o manual de instrução, o pai nota que a infância do filho é diferente da sua. A frase reconhece essa diferença entre gerações, sem expressar aprovação ou reprovação total.

Análise das alternativas

A está errada: a frase não é ironia sobre 'nada ter mudado', pois afirma o oposto. C está errada: o pai não culpa o presente. D está errada: não há reprovação nem desejo de volta ao passado. E está errada: ele 'começou a desanimar', então não aceita com naturalidade.

Referência: Interpretação de texto: inferência e posicionamento do narrador.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Ver gabarito

Gabarito: B

Fonte: Gabarito preliminar: Gabarito — questão 37