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Texto-base:
Texto 2
Trecho do poema O Rio, escrito pelo poeta João Cabral de Melo Neto e publicado em 1953. Leia-o para responder às questões 26 a 30.
O Rio
01 Vou pensando no mar
02 que daqui ainda estou vendo;
03 em toda aquela gente
04 numa terra tão viva morrendo.
05 Através deste mar
06 vou chegando a São Lourenço,
07 que de longe é como ilha
08 no horizonte de cana aparecendo;
09 através deste mar,
10 como um barco na corrente,
11 mesmo sendo eu o rio,
12 que vou navegando parece.
13 Navegando este mar,
14 até o Recife irei,
15 que as ondas deste mar
16 somente lá se detêm.
17 Ao entrar no Recife,
18 não pensem que entro só.
19 Entra comigo a gente
20 que comigo baixou
21 por essa velha estrada
22 que vem do interior;
23 entram comigo rios
24 a quem o mar nos chamou,
25 entra comigo a gente
26 que com o mar sonhou,
27 e também retirantes
28 em quem só o suor não secou;
29 e entra essa gente triste,
30 a mais triste que já baixou,
31 a gente que a usina,
32 depois de mastigar, largou.
33 Entra a gente que a usina
34 depois de mastigar largou;
35 entra aquele usineiro
36 que outro maior devorou;
37 entra esse banguezeiro
38 reduzido a fornecedor;
39 entra detrás um destes,
40 que agora é um simples morador;
41 detrás, o morador
42 que nova safra já não fundou;
43 entra, como cassaco,
44 esse antigo morador;
45 entra enfim o cassaco,
46 que por todas aquelas bocas passou.
47 Detrás de cada boca,
48 ele vê que há uma boca maior.
NETO, J. C. D. M. Poesia completa. Rio de Janeiro: Alfaguara, 2020. p.133-134.
Glossário
Retirante: aquele que, durante as grandes secas, migra isoladamente ou em grupo.
Banguezeiro: proprietário de banguê (engenho).
Cassaco: trabalhador em engenhos de cana-de-açúcar.
A considerar especialmente a terceira estrofe desse trecho (versos 33 a 48), é correto afirmar que o poema O Rio é marcado, entre outros aspectos, pelo interesse do poeta em
Texto 2
Trecho do poema O Rio, escrito pelo poeta João Cabral de Melo Neto e publicado em 1953. Leia-o para responder às questões 26 a 30.
O Rio
01 Vou pensando no mar
02 que daqui ainda estou vendo;
03 em toda aquela gente
04 numa terra tão viva morrendo.
05 Através deste mar
06 vou chegando a São Lourenço,
07 que de longe é como ilha
08 no horizonte de cana aparecendo;
09 através deste mar,
10 como um barco na corrente,
11 mesmo sendo eu o rio,
12 que vou navegando parece.
13 Navegando este mar,
14 até o Recife irei,
15 que as ondas deste mar
16 somente lá se detêm.
17 Ao entrar no Recife,
18 não pensem que entro só.
19 Entra comigo a gente
20 que comigo baixou
21 por essa velha estrada
22 que vem do interior;
23 entram comigo rios
24 a quem o mar nos chamou,
25 entra comigo a gente
26 que com o mar sonhou,
27 e também retirantes
28 em quem só o suor não secou;
29 e entra essa gente triste,
30 a mais triste que já baixou,
31 a gente que a usina,
32 depois de mastigar, largou.
33 Entra a gente que a usina
34 depois de mastigar largou;
35 entra aquele usineiro
36 que outro maior devorou;
37 entra esse banguezeiro
38 reduzido a fornecedor;
39 entra detrás um destes,
40 que agora é um simples morador;
41 detrás, o morador
42 que nova safra já não fundou;
43 entra, como cassaco,
44 esse antigo morador;
45 entra enfim o cassaco,
46 que por todas aquelas bocas passou.
47 Detrás de cada boca,
48 ele vê que há uma boca maior.
NETO, J. C. D. M. Poesia completa. Rio de Janeiro: Alfaguara, 2020. p.133-134.
Glossário
Retirante: aquele que, durante as grandes secas, migra isoladamente ou em grupo.
Banguezeiro: proprietário de banguê (engenho).
Cassaco: trabalhador em engenhos de cana-de-açúcar.
A considerar especialmente a terceira estrofe desse trecho (versos 33 a 48), é correto afirmar que o poema O Rio é marcado, entre outros aspectos, pelo interesse do poeta em
Resolução comentada
Intenção do poeta na terceira estrofe.
A estrofe mostra a gente "que a usina, depois de mastigar, largou", o usineiro devorado por outro maior, o banguezeiro reduzido a fornecedor e o morador que virou cassaco. É a denúncia das consequências cruéis do sistema das usinas para os trabalhadores.
Análise das alternativas
A, C, D e E atribuem ao poema elogio aos usineiros, defesa dos patrões ou celebração de novas profissões. O texto mostra o oposto: degradação e exploração.
Referência: João Cabral de Melo Neto, O Rio.
Resolução comentada do VaiConcursos.