Pular para o conteúdo

Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA) · Colégio Militar de Porto Alegre 2025

Questão 32 — Língua Portuguesa: Orações Subordinadas Adverbiais Finais — Argumentação

Língua Portuguesa Orações Subordinadas Adverbiais Finais — Argumentação

Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA) 2025 Fundamental

Colégio Militar de Porto Alegre · Admissão ao 1º Ano do Ensino Médio

Gabarito disponível

Texto-base:
Texto 3

Artigo de opinião escrito pelo engenheiro João Guilherme Sabino Ometto e publicado em 12 de dezembro de 2024 no jornal Folha de São Paulo. Leia-o para responder às questões 31 a 35.

O urgente combate à desertificação no país
Cerca de 38 milhões de brasileiros, de 1.561 municípios, estão vulneráveis a processos de seca; gestão integrada dos recursos hídricos é essencial

12 dez. 2024 às 22h00

João Guilherme Sabino Ometto
Engenheiro formado na Escola de Engenharia de São Carlos (EESC/USP), é empresário do setor agrícola e membro da Academia Nacional de Agricultura (ANA)

01 A recente adesão do Brasil à Aliança Internacional para a Resiliência à Seca (Idra),
02 coalizão que busca mobilizar capital político, técnico e financeiro para o enfrentamento do
03 problema, é muito oportuna, pois o semiárido de nosso país é apontado como uma das áreas
04 do planeta nas quais o aquecimento global tem provocado efeitos mais drásticos. É o que
05 indica o mais recente relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas
06 (IPCC), organismo das Nações Unidas.
07 Números atualizados do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima confirmam
08 a necessidade de medidas urgentes e eficazes para reverter o preocupante cenário: cerca de
09 38 milhões de brasileiros, de 1.561 municípios, são vulneráveis à desertificação e à seca, assim
10 como 1,4 milhão de quilômetros quadrados de terras em 13 estados.
11 Os diagnósticos apontam que, por causa das mudanças climáticas, as regiões do
12 semiárido e da caatinga, englobando parte expressiva do Nordeste e do norte de Minas
13 Gerais, têm enfrentado secas mais intensas e temperaturas mais altas do que as habituais.
14 Tais condições, acrescidas do avanço do desmatamento, tendem a agravar a desertificação,
15 que, segundo o IPCC, já engloba áreas não contínuas, que, somadas, equivalem ao tamanho
16 da Inglaterra ou a três vezes o estado do Rio de Janeiro.
17 Há soluções viáveis para melhorar bastante esse cenário. Em concordância com
18 especialistas nesse tema, acredito que uma das principais estratégias para lidar com a seca
19 seja a gestão integrada dos recursos hídricos. Isso exige a articulação dos governos federal e
20 estaduais, prefeituras, comunidades e produtores rurais, inclusive da agricultura familiar. A
21 ideia é promover o uso sustentável e equitativo da água.
22 Também é fundamental concluir o projeto de transposição do rio São Francisco, que já
23 está praticamente pronto, e acelerar a distribuição da água para os estados abrangidos; ou
24 seja, Ceará, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte. Outra medida relevante é o
25 investimento em tecnologias e práticas que promovam a adaptação às condições climáticas
26 adversas, como o cultivo de espécies vegetais resistentes à seca, sistemas de irrigação
27 inteligentes e a adoção de técnicas de manejo do solo que aumentem sua capacidade de
28 retenção de água.
29 Para viabilizar essas soluções é decisivo o engajamento dos produtores rurais, como
30 demonstra o êxito na proteção de extensas áreas e mananciais hídricos em numerosas
31 fazendas, sítios e até pequenas propriedades familiares do Brasil. Nesse sentido, seria
32 interessante que o Plano Safra, cuja edição 2024-25 foi lançada recentemente pelo governo,
33 destinasse mais recursos, com juros menores, ao combate à seca.
34 Do montante total anunciado, de R$ 400,59 bilhões, a única rubrica que se encaixa no
35 combate à desertificação refere-se ao Programa para Financiamento a Sistemas de Produção
36 Agropecuária Sustentáveis (RenovAgro), com aporte de R$ 7,68 bilhões, que incorpora os
37 financiamentos destinados à adaptação à mudança do clima e à baixa emissão de carbono.
38 Porém, além do valor estar aquém das dimensões do desafio a ser enfrentado, as taxas de
39 juros, entre 7% e 8,5% ao ano, embora inferiores às do mercado financeiro convencional,
40 ainda são elevadas, principalmente se levarmos em conta o número expressivo de agricultores
41 familiares nas áreas mais afetadas.
42 Considerando a premência do combate às secas e da recuperação de áreas
43 desertificadas, cabe urgente mobilização do poder público, em articulação com o setor do
44 agronegócio, produtores rurais e organismos científicos, como a Embrapa, para solucionar o
45 problema.
46 Os ganhos serão muitos em termos de proteção ambiental, atenuação das mudanças
47 climáticas, aumento da produção agrícola sustentável e geração de emprego e renda.

Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2024/12/o-urgente-combate-a-desertificacao-no-pais.shtml. Acesso em: 12 ago. 2025.

Ao longo desse artigo de opinião, são empregadas cinco orações subordinadas adverbiais finais reduzidas de infinitivo. Sabendo disso, marque a alternativa que justifica corretamente essa quantidade expressiva.
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Função argumentativa das orações finais reduzidas de infinitivo.

As finais ("para reverter", "para lidar", "para viabilizar", "para solucionar" etc.) expressam o propósito das ações. Isso mostra que o autor não só denuncia o problema, mas também propõe soluções. É o que diz a alternativa E.

Análise das alternativas

A, C e D atribuem ao autor intenções (medo, sensacionalismo, ideia de texto definitivo) que o texto não mostra. B é falsa: a forma reduzida não torna a linguagem informal, e a linguagem do artigo é formal.

Referência: Orações subordinadas adverbiais finais.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Ver gabarito

Gabarito: E

Fonte: Gabarito preliminar: Gabarito — página 1