Pular para o conteúdo

Colégio Militar de Salvador · Colégio Militar de Salvador (Exército Brasileiro) 2025

Questão 37 — Língua Portuguesa: Interpretação de Texto

Língua Portuguesa Interpretação de Texto

Colégio Militar de Salvador 2025 Fundamental

Colégio Militar de Salvador (Exército Brasileiro) · Admissão ao 6º ano do Ensino Fundamental

Gabarito disponível

Texto-base:
TEXTO 7 (refere-se às questões 37 a 40)
Casa de Vô

Todo avô toma remédio, usa dentadura e tira soneca depois do almoço. O meu, não. Não toma pílula nem xarope. E, à tarde, fica acordado, brincando comigo. Dentadura? Isso ele usa. Mas, de resto, é diferente.

Minha avó também não é igual às outras. Enquanto toda avó borda e faz bolo de chocolate, ela só costura para fazer remendos nas roupas e só cozinha no fim de semana. E quase nunca está em casa. De calça comprida (enquanto todas as avós do mundo usam saia), sai cedinho para trabalhar e nos deixa sozinhos.

Daí, o guarda-roupa dela vira elevador. Basta eu entrar e me sentar nas caixas de sapatos para vovô encostar as portas e, como ascensorista, anunciar:

- Primeiro andar! Roupas e bonecas. Segundo andar! Balas de goma, móveis e crianças perdidas…

A parede da sala é transformada em galeria de arte com pinturas emolduradas em fita crepe e, o tapete, em tablado de exposição de botões raros, que jamais combinariam com qualquer roupa normal.

Ao cair da tarde, na garagem vazia, enquanto o papagaio e os cachorros conversam misturando latidos, uivos e risadas, ele espalha alguns pedacinhos de papel pelo chão. É a brincadeira do Pisei.

- Hã? Como assim? Pergunto. Essa é nova.

Vovô explica sua invenção:

- Memorize onde estão os papéis. Feche os olhos e comece a caminhar. Tente pisar em cima deles. Pode ir perguntando "Pisei?" para facilitar. Ganha o jogo quem pisar em mais pedaços.

Eu começo.

- Pisei? Pergunto, dando o primeiro passo, apertando os olhos.

- Não!

- Pisei? Insisto mais uma vez, depois de caminhar um tiquinho.

- Não!

Ouço um barulho de chaves. Vovó chega, cansada, do trabalho. Diz "Oi". Sei que é para mim, mas não posso abrir os olhos para responder. É quebra de regra.

- Tudo bem, vó? Quer brincar de Pisei? Convido-a.

- Agora, não, minha riqueza. Vovó vai descansar.

Vovô continua a me guiar, já sentado na cadeira de praia, lendo o jornal. Não vi, mas escutei o barulho dela sendo armada e das folhas nas mãos dele.

Sigo.

- Pisei?

- Pisei?

- Pisei?

E nada.

Sinto meus pés tropeçarem em algo. Abro os olhos. Vovô, a minha frente, de braços abertos, pronto para um abraço de vitória.

- Mas eu não pisei em nenhum papelzinho, vô, digo, meio desanimada, mas já engalfinhada e feliz, nos braços dele.

- O vento foi levando tudo para o cantinho do portão, ele explica, sorrindo.

- E por que o senhor não me avisou? A gente poderia ter colado os pedacinhos no chão e recomeçado…

- Porque eu queria que a brincadeira terminasse com você perto de mim.

VICHESSI, Beatriz. https://novaescola.org.br/conteudo/3163/casa-de-vo. Acesso em 14 de agosto 2025. Adaptado.

No texto 07, Casa de Vô, a brincadeira inventada pelo avô termina de uma forma especial. O objetivo do avô, ao deixar os papéis serem levados pelo vento, era:
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

O avô deixou o vento levar os papéis para a brincadeira acabar com a neta em seus braços.

No final, o avô explica: "Porque eu queria que a brincadeira terminasse com você perto de mim." O objetivo era encerrar o jogo com um abraço de vitória, mostrando afeto.

Análise das alternativas

A: ele não critica a atenção da neta. B: não há lição sobre saber perder. D: o texto não diz que o jogo perdeu a graça sem os papéis. E: a avó não participa da brincadeira.

Referência: Interpretação de texto narrativo

Resolução comentada do VaiConcursos.

Ver gabarito

Gabarito: C

Fonte: Gabarito preliminar: Gabarito Definitivo — página 1