Gabarito disponível
Se a cólera que espuma, a dor que mora / N’alma, e destrói cada ilusão que nasce, / Tudo o que punge, tudo o que devora / O coração, no rosto se estampasse;
Se se pudesse o espírito que chora, / Ver através da máscara da face, / Quanta gente, talvez, que inveja agora / Nos causa, então piedade nos causasse!
Quanta gente que ri, talvez, consigo / Guarda um atroz, recôndito inimigo / Como invisível chaga cancerosa!
Quanta gente que ri, talvez existe, / Cuja ventura única consiste / Em parecer aos outros venturosa!
(Raimundo Correia)
Resolução comentada
A tese do poema é a oposição entre aparência e interior: o riso esconde a dor.
O poema diz que, se os sentimentos aparecessem no rosto, muita gente que inveja causaria piedade. Muitos que riem escondem uma dor íntima e só querem parecer felizes. A tese é, portanto, a oposição entre o interior e a aparência: os semblantes dissimulam o que se passa no âmago.
Análise das alternativas
A, B e C afirmam que o sentimento interno transparece na face, o que o poema nega. Ele parte justamente de uma hipótese contrária à realidade ("Se... se estampasse").
Referência: Raimundo Correia; interpretação de texto poético.
Resolução comentada do VaiConcursos.