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EPCAR · Escola Preparatória de Cadetes do Ar (EPCAR) — Comando da Aeronáutica 2024

Questão discursiva REDAÇÃO — Língua Portuguesa: Redação — Texto Expositivo ou Argumentativo

Língua Portuguesa Redação — Texto Expositivo ou Argumentativo

Discursiva EPCAR 2024

Escola Preparatória de Cadetes do Ar (EPCAR) — Comando da Aeronáutica · Exame de Admissão ao CPCAR 2025 (Curso Preparatório de Cadetes do Ar) · Caderno Versão A · Questão REDAÇÃO

Sem padrão de resposta — pratique a escrita

Texto-base:
TEXTO I

O TEXTO I, considerado nesta prova, é composto por DOIS FRAGMENTOS de artigos científicos que apresentam definições importantes sobre os conceitos de identidade, coletividade e identidade coletiva.

Fragmento I

Identidade Nacional e Memória Coletiva: aproximações possíveis
Caroline Gonzaga
Douglas Gasparin Arruda

O linguista José Luiz Fiorin (2009, p. 116-117) retratou
que a identidade nacional é uma criação moderna: ela
começou a ser construída no século XVIII e se desenvolveu
plenamente no século XIX, já que antes dessa época não se
5 pode falar em nações propriamente ditas. Podemos
compreender que uma nação é feita por um legado de
lembranças que é aceito por todos. Sendo assim, a nação é
uma herança, tanto simbólica quanto material e pertencer a
uma nação é ser herdeiro de um patrimônio comum. Dessa
10 forma, a nacionalidade é também uma identidade.
Entretanto, para criar um mundo de nações não bastava
fazer um inventário de heranças, era preciso construí-las.
Era necessário buscar um fato que pudesse testemunhar
um passado prestigioso que representasse uma coesão
15 nacional e esta é uma tarefa longa e coletiva. Assim sendo,
a nação nasce de uma invenção e é condensada numa alma
nacional que deve ser elaborada. É necessária uma história
que estabeleça continuidade com ancestrais, que elenque
heróis e modelos de virtude nacionais, que se organize sob
20 uma única língua e que tenha monumentos culturais,
paisagem típica, hino, bandeira, especificidades culinárias,
etc. Tudo isso leva a pensar que a identidade nacional é um
discurso, e, como todo discurso, é constituída
dialogicamente.

(GONZAGA, Caroline; ARRUDA, Douglas Gasparin. Identidade Nacional e Memória Coletiva: aproximações possíveis. Revista Vernáculo, n° 50 – segundo semestre/2022. p. 9-33.).

Fragmento II

Autoestima, autoimagem e constituição da identidade: um estudo com graduandos de psicologia
Helena Serafim Vasconcelos

A Teoria dos Estudos Culturais permite discutir a
formação da identidade a partir de duas perspectivas
distintas e concorrentes: a essencialista e a não
essencialista. A primeira define que existe um conjunto
5 cristalino e autêntico de características que todos aqueles
que pertençam a determinado grupo partilham e que não se
modificam ao longo da história. Já a segunda, foca nas
diferenças e nas semelhanças entre os indivíduos que
componham certo grupo e deste para com outros grupos,
10 pressupõe formas mutáveis de definição do que seja ser
parte deste grupo com o passar do tempo. Nota-se,
portanto, que esta última concebe que o ser humano seja
capaz de assumir diversas posições identitárias tanto ao
longo da própria vida como a partir do contexto social e
15 cultural em que se encontre, afirmando a identidade a partir
de um conceito relacional (WOODWARD, 2014).
[...].

A perspectiva não essencialista, proposta pelos
Estudos Culturais (Woodward, 2014; Hall, 2011)
20 circunscreve o campo teórico desse estudo, permitindo
perceber os conceitos de autoestima a partir da
contextualização deste aspecto subjetivo na história dos
sujeitos.
[...].

25 As concepções aqui apresentadas sobre a
autoimagem, também se organizam a partir dessa
perspectiva dinâmica, de múltiplas identidades. Configura-
se como uma organização interna de si mesmo, composta
por dados de realidade e dados subjetivos de
30 autopercepção (MOSQUERA & STOBÄUS, 2006). Assim,
compreende-se a autoestima e a autoimagem como
características da subjetividade humana que apresentam
um papel importante na forma como uma pessoa se
relaciona com outras e consigo mesma, na constituição
35 identitária propriamente dita, que vão, simultaneamente,
organizar-se em torno do conceito de identidade aqui
trabalhado, como apresentado no diagrama da figura a
seguir.

Diagrama: no centro, a palavra IDENTIDADE com setas para quatro elipses ligadas por um anel: “Construção do EU” (em cima), “Autoestima” (à direita), “Autoimagem” (embaixo) e “Forma como o eu compreende a si mesmo” (à esquerda).

(VASCONCELOS, Helena Serafim. Autoestima, autoimagem e constituição da identidade: um estudo com graduandos de psicologia. Revista Psicologia, Diversidade e Saúde. 2017. Agosto; 6(3):195-206). Adaptado.

TEXTO II

Tira de Mafalda em cinco quadrinhos. 1: Mafalda grita, sorridente: “VIVA A PÁTRIA!”. 2: Mafalda: “VIVA! VIVA A PÁTRIA!”. 3: Um homem, em outro cômodo, ouve o grito “VIVA A PÁTRIA!” com expressão intrigada. 4: O homem pergunta: “O QUE ESTÁ ACONTECENDO, MAFALDA? HOJE NÃO É NENHUMA DATA CÍVICA.” 5: Mafalda, séria, responde: “QUE ME IMPORTA? EU AMO A PÁTRIA TODOS OS DIAS E NÃO QUANDO O CALENDÁRIO MANDA.”

(QUINO. Toda Mafalda. São Paulo: Martins Fontes. 2000).

TEXTO III

O cuitelinho*

Cheguei na beira do porto
Onde as ondas se espáia
As garça dá meia volta
E senta na beira da praia
5 E o cuitelinho não gosta
Que o botão de rosa caia, iá

Aí quando eu vim da minha terra
Despedi da parentaia
10 Eu entrei no Mato Grosso
Dei em terras paraguaia
Lá tinha revolução
Enfrentei forte bataia, iá

15 A tua saudade corta
Como aço de navaia
O coração fica aflito
Bate uma, a outra faia
Os zóio se enche d'água
20 Que até a vista se atrapaia, iá

*cuitelinho - Regionalismo para beija-flor (cuitelo) beija-flor pequeno.

(VANZOLINI, Paulo; XANDÓ, Antônio. Folclore recolhido. In: BORTONI-RICARDO, Stella Maris. Educação em língua materna. São Paulo: Parábola, 2004. p. 59).

TEXTO IV

Aquarela do Brasil
João Gilberto

Brasil!
Meu Brasil brasileiro
Meu mulato inzoneiro
Vou cantar-te nos meus versos
5 Brasil, samba que dá
Bamboleio, que faz gingar
O Brasil do meu amor
Terra de nosso Senhor
Abre a cortina do passado
10 Tira a mãe preta do cerrado
Bota o Rei Congo no congado
Canta de novo o trovador
A merencória* à luz da Lua
Toda canção do seu amor
15 Quero ver essa dona caminhando
Pelos salões arrastando
O seu vestido rendado
Esse coqueiro que dá coco
Oi! Onde amarro a minha rede
20 Nas noites claras de luar
Por essas fontes murmurantes
Onde eu mato a minha sede
Onde a Lua vem brincar
Esse Brasil lindo e trigueiro
25 É o meu Brasil brasileiro
Terra de samba e pandeiro
Brasil!

*merencória – melancólica.

(Ary Barroso. Aquarela do Brasil. Odeon: 1939). Adaptado.

PROVA DE REDAÇÃO

Com base nos textos desta prova e no seu conhecimento de mundo, escreva um texto expositivo ou argumentativo, em prosa, refletindo sobre a seguinte questão:

“A importância da memória histórica e influência da diversidade cultural na formação da identidade nacional brasileira”.

Instruções:
• Considere os textos desta prova como motivadores e fonte de dados. Não os copie, sob pena de ter a redação zerada.
• A redação deverá conter no mínimo 100 (cem) palavras, considerando-se palavras todas aquelas pertencentes às classes gramaticais da Língua Portuguesa.
• Recomenda-se que a redação seja escrita em letra cursiva legível. Caso seja utilizada letra de forma (caixa alta), as letras maiúsculas deverão receber o devido realce.
• Utilize caneta de tinta preta ou azul.
• Dê um título à redação.
• Não assine no VERSO do CARTÃO DE RESPOSTA (local destinado à elaboração da redação proposta).

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