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Cebraspe · Instituto Rio Branco (IRBr) 2025

Questão discursiva Redação — Língua Portuguesa: Redação — Arte e Diplomacia

Língua Portuguesa Redação — Arte e Diplomacia

Discursiva Cebraspe 2025 Superior 70 pontos

Instituto Rio Branco (IRBr) · Diplomata (Terceiro Secretário) · Questão Redação

Padrão de resposta da banca disponível

Texto-base:
No filme Arte da diplomacia, o diretor Zeca Brito aprofunda a pesquisa do diplomata Hayle Melim Gadelha sobre a exposição de 1944, que foi parcialmente remontada em 2018 pela Embaixada do Brasil em Londres, para investigar o Modernismo brasileiro em seu primeiro levante de internacionalização, um fascinante episódio em que os artistas e suas obras influenciaram a composição geopolítica e posicionaram simbolicamente o país na Segunda Guerra Mundial — arte como soft power no combate ao nazifascismo, nas palavras do diretor. Refletindo sobre o papel da arte em tempos de guerra, o filme Arte da diplomacia mergulha nas águas históricas tumultuadas da Segunda Guerra Mundial, revelando um capítulo pouco conhecido, porém significativo, da relação entre o Brasil e o Reino Unido durante esse período. Esse capítulo se inicia quando, reagindo a uma carta dos artistas Alcides da Rocha Miranda e Augusto Rodrigues, o chanceler Oswaldo Aranha abraçou mais um projeto que o consagraria como um dos principais diplomatas brasileiros: a empreitada de mandar 168 quadros modernistas ao Reino Unido. No âmbito internacional, a arte plástica brasileira não apenas cativou audiências, mas também serviu como uma ferramenta diplomática poderosa. A exibição da arte moderna brasileira em Londres, em 1944, foi uma forma de enviar um recado para os nazistas, conforme a pesquisadora Clara Marques relata quando foi entrevistada em Arte da diplomacia: “Tem uma certa provocação ali de mandar para os inimigos da Alemanha justamente o tipo de arte que o próprio Hitler mais detesta”, explica Marques. Assim, enquanto a Força Expedicionária Brasileira lutava nas montanhas da Itália, os setenta pintores modernistas se uniram para enviar seus quadros até Londres, que estava sob ataque dos nazistas.
Arte da diplomacia: conheça o longa coproduzido por Celina Torrealba.
In: Estado de Minas, 15/5/2024. Internet: <www.em.com.br> (com adaptações).

Texto-base:
A diplomacia brasileira é, em seu momento inicial, uma diplomacia de fundação, e foi essa fundação no plano cultural que buscaram e lograram Domingos José Gonçalves de Magalhães e Francisco Adolfo Varnhagen. Gonçalves de Magalhães, ao internalizar as ideias românticas, quando servia como diplomata na Europa, trouxe para o Brasil o ideário de uma literatura nacional. Como observou Antonio Candido, em Formação da literatura brasileira, Gonçalves de Magalhães levou escrupulosamente a sério a tarefa de criar uma nova literatura e foi uma faísca renovadora do processo pelo qual, no correr dos tempos, o desejo dos brasileiros de terem uma literatura própria se tornou uma realidade cultural. Existe, no autor de Grande sertão: veredas, uma permanente tensão entre o regional e o universal. Como aprendemos com Antonio Candido no seu extraordinário ensaio “O homem dos avessos”, publicado em Tese e Antítese, entrar na realidade fluida do mundo é condição para melhor compreendê-lo e para voltarmos “mais claros a nós mesmos e aos outros”. Em famosa e rara entrevista concedida a Günter Lorenz, Guimarães Rosa afirmava que, na sua visão, os escritores poderiam ser divididos entre os sertanejos e os demais. À primeira categoria pertenceriam autores como Goethe, Dostoievski e Flaubert, enquanto Zola, por exemplo, “provinha apenas de São Paulo”. O sertão, prosseguia ele, é “o território da eternidade, da solidão, onde o interior e o exterior já não podem ser separados”. Traduzir necessidades internas em possibilidades externas para ampliar o poder de controle de uma sociedade sobre o seu destino é, no meu entender, a tarefa da política externa. Creio, nessa linha, não ser de todo descabido aproximar simbolicamente a capacidade lúdica do grande escritor mineiro de transportar o território mágico do sertão para o mundo, de sua atuação à frente da divisão de fronteiras do Itamaraty. Sua capacidade ímpar de utilizar de registros linguísticos diversos era, no plano literário, o correlato perfeito daquele que é o primeiro item de qualquer agenda diplomática, ou seja, a fixação das fronteiras, base da especificidade da política externa que pressupõe uma diferença entre o “interno” (o espaço nacional) e o “externo” (o mundo). Ele traduzia, assim, em sua literatura um dos princípios fundamentais da diplomacia brasileira, uma linha de ação voltada para transformar nossas fronteiras de clássicas fronteiras-separação em modernas fronteiras-cooperação.
Celso Lafer. In: Alberto da Costa e Silva (org.); Paulo Roberto de Almeida (ed.). O Itamaraty na cultura brasileira. Brasília: Fundação Alexandre de Gusmão — FUNAG, 2021, p. 13-7 (com adaptações).

Texto-base:
A função da literatura está ligada à complexidade da sua natureza, que explica inclusive o papel contraditório, mas humanizador (talvez humanizador porque contraditório). De fato, quando elaboram uma estrutura, o poeta ou o narrador nos propõem um modelo de coerência, gerado pela força da palavra organizada. Quer percebamos claramente ou não, o caráter de coisa organizada da obra literária torna-se um fator que nos deixa mais capazes de ordenar a nossa própria mente e sentimentos; e, em consequência, mais capazes de organizar a visão que temos do mundo. Por isso, um poema hermético, de entendimento difícil, sem nenhuma alusão tangível à realidade do espírito ou do mundo, pode funcionar neste sentido, pelo fato de ser um tipo de ordem, sugerindo um modelo de superação do caos. A produção literária tira as palavras do nada e as dispõe como um todo articulado. Este é o primeiro nível humanizador, ao contrário do que geralmente se pensa. A organização da palavra comunica-se ao nosso espírito e o leva, primeiro, a se organizar; em seguida, a organizar o mundo. Mas as palavras organizadas são mais do que a presença de um código: elas comunicam sempre alguma coisa, que nos toca porque obedece a certa ordem. Em palavras usuais: o conteúdo só atua por causa da forma, e a forma traz em si, virtualmente, uma capacidade de humanizar devido à coerência mental que pressupõe e que sugere. O caos originário, isto é, o material bruto a partir do qual o produtor escolheu uma forma, se torna ordem; por isso, o meu caos interior também se ordena e a mensagem pode atuar. Toda obra literária pressupõe esta superação do caos, determinada por um arranjo especial das palavras e fazendo uma proposta de sentido.
Antonio Candido. O direito à literatura. In: Vários escritos. Rio de janeiro: Ouro sobre Azul, 2017, p.178-80.

Considerando que os fragmentos de texto apresentados têm caráter unicamente motivador, redija um texto dissertativo acerca do seguinte tema.

ARTE E DIPLOMACIA NA INTERPRETAÇÃO E NA HUMANIZAÇÃO DAS FRONTEIRAS DO MUNDO

Nesta prova, faça o que se pede, utilizando, caso deseje, os espaços indicados para rascunho. Em seguida, escreva os textos definitivos da redação e do resumo da Prova Escrita de Língua Portuguesa no Caderno de Textos Definitivos da Prova Escrita de Língua Portuguesa, nos locais apropriados, pois não serão avaliados fragmentos de texto escritos em locais indevidos. Respeite o limite máximo de linhas disponibilizado, pois qualquer fragmento de texto além desse limite será desconsiderado. No Caderno de Textos Definitivos da Prova Escrita de Língua Portuguesa, utilize apenas caneta esferográfica de tinta preta fabricada em material transparente. Folha de rascunho da redação com 70 linhas. Na avaliação da redação, será atribuído à organização do texto e ao desenvolvimento do tema o valor máximo de 45,00 pontos — dos quais até 10,00 pontos serão atribuídos para a apresentação, a impressão geral do texto, a legibilidade, o estilo e a coerência; até 10,00 pontos, para a capacidade de argumentação (objetividade, sistematização, conteúdo e pertinência das informações); e até 25,00 pontos, para a capacidade de análise e reflexão — e à correção gramatical e à propriedade da linguagem, o valor máximo de 25,00 pontos, o que totalizará os 70,00 pontos possíveis.

0 linhas · 0 palavrasAté 70 linhas · espaço na prova: 70 linhas