Resposta obtida por resolução técnica — sem correção automática
Após as experiências históricas do século passado, na psicanálise, no estruturalismo lévi-straussiano, na semiologia e no pós-estruturalismo, não há mais plausibilidade para se pensar em um humano típico do século XIX. Um ser volitivo e racional, plenamente consciente de suas necessidades materiais e que age movido por suas decisões voluntariosas com a finalidade de atender a essas necessidades. Tudo muito coerente, porém ficcional. A pessoa que pensamos desde o final do século XX é bem diversa. Muito mais ambígua e inconsistente em seu agir no mundo, um agir reativo ao seu meio em confronto com suas vivências culturais. Atende a necessidades materiais e a “necessidades” simbólicas, isto é, a desejos. Pensamos a pessoa como um animal simbólico e desejante, uma estrutura movida por algo bem mais complexo do que aquela simples e plena consciência racional. Movimenta-se por algo que vai além de suas necessidades biológicas. O desejo abarca a necessidade.
Cada pessoa é uma entidade eminentemente simbólica, deseja por meio do simbólico. Movimenta-se por seus desejos, fala seus desejos, deseja mediante a expressão simbólica. Fala por significações desejantes. Trata-se de um ente constituído na e pela linguagem, enlaçado socialmente pela linguagem. Não uma linguagem como mera transmissão de ideias que já estariam na consciência individual. Não uma linguagem como um simples produto da mente racional e intencional que estaria meramente expressando e comunicando pensamentos que a antecedem, mas linguagem como produção, como processo de produção de ideias desejantes. Uma linguagem considerada como laço societário. Como aquilo que une um humano a outro, que os faz humanos e, assim, os torna pessoas simbólico-desejantes. São sujeitos sujeitados à linguagem. Cada pessoa fala seus desejos e se torna sujeito desses desejos que a sujeitam.
Carlos Alvarez Maia. História, ciência e linguagem: o dilema do relativismo-realismo. Rio de Janeiro: Mauad Editora, 2015, p. 11.
Em relação às ideias e a aspectos linguísticos e textuais do texto precedente, julgue os seguintes itens.
Em suas ocorrências no sexto período do segundo parágrafo, o vocábulo “que” classifica-se como pronome relativo e funciona, assim como o vocábulo “a”, em “a antecedem”, como elemento de coesão referencial.
Resolução comentada
'Que' é pronome relativo e 'a' é pronome oblíquo, ambos coesivos.
No sexto período do segundo parágrafo, 'que' retoma 'pensamentos' ou 'mente' e funciona como pronome relativo, e 'a' em 'a antecedem' é pronome oblíquo que retoma 'a mente racional e intencional'. Ambos são elementos de coesão referencial.
Análise das alternativas
A) Correta. B) Errada: nega a classificação e a função coesiva.
Referência: Pronomes relativos e coesão referencial.
Resolução comentada do VaiConcursos.