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Cebraspe · Instituto Rio Branco (IRBr) — Ministério das Relações Exteriores 2025

Questão 24 — Língua Portuguesa: Crase e Regência Nominal

Língua Portuguesa Crase e Regência Nominal

Cebraspe 2025 Superior

Instituto Rio Branco (IRBr) — Ministério das Relações Exteriores · Diplomata (Terceiro Secretário)

Resposta obtida por resolução técnica — sem correção automática

Texto-base:
(Cannes – 31 – maio – 1952)
Em abril de 1952 embrenhei-me numa aventura singular: fui a Moscou e a outros lugares medonhos situados além da cortina de ferro exposta com vigor pela civilização cristã e ocidental. Nunca imaginei que tal coisa pudesse acontecer a um homem sedentário, resignado ao ônibus e ao bonde quando o movimento era indispensável. Absurda semelhante viagem — e quando me trataram dela, quase me zanguei. Faltavam-me recursos para realizá-la; a experiência me afirmava que não me deixariam sair do Brasil; e, para falar com franqueza, não me sentia disposto a mexer-me, abandonar a toca onde vivo. Recusei, pois, o convite, divagação insensata, julguei. Tudo aquilo era impossível. Mas uma série de acasos transformou a impossibilidade em dificuldade; esta se aplainou sem que eu tivesse feito o mínimo esforço, e achei-me em condições de percorrer terras estranhas, as malas arrumadas, os papéis em ordem, com todos os selos e carimbos. Depois de andar por cima de vários estados do meu país, tinha-me resolvido a não entrar em aviões: a morte horrível de um amigo levara-me a odiar esses aparelhos assassinos. Meses atrás, para ir a um congresso em Porto Alegre, rolara nove dias em automóvel. Tenho horror às casas desconhecidas. E falo pessimamente duas línguas estrangeiras. Estava decidido a não viajar; e, em consequência da firme decisão, encontrei-me um dia metido na encrenca voadora, o cinto amarrado, os cigarros inúteis, em obediência ao letreiro exigente aceso à porta da cabina.
Graciliano Ramos. Viagem (Checoslováquia — URSS). Rio de Janeiro: José Olympio, 2022, p. 9-10 (com adaptações).

A respeito do texto precedente e de seus aspectos linguísticos e literários, julgue os itens a seguir.

Não haveria prejuízo da correção gramatical nem da coerência das ideias do texto se o narrador, no antepenúltimo período, tivesse optado por afirmar Tenho horror a casas desconhecidas.
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Horror admite regência 'a' com ou sem artigo; 'a casas' é correto.

O substantivo 'horror' exige a preposição 'a'. Com o plural indeterminado 'casas desconhecidas' sem artigo, não há crase: 'horror a casas desconhecidas'. Isso mantém a correção e o sentido, pois passa-se de um sentido específico a um sentido geral, sem contradizer o texto.

Análise das alternativas

A) Correta: a regência é mantida e a crase deixa de ocorrer por ausência de artigo. B) Errada: considera haver prejuízo gramatical ou de coerência, que não existe.

Referência: Crase e regência nominal.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Ver gabarito

Resposta por resolução técnica: Certo

Não havia gabarito nos documentos da prova.

Fonte: Resolução técnica: Resolução técnica local — item 24