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Cebraspe · Instituto Rio Branco (IRBr) — Ministério das Relações Exteriores 2025

Questão 40 — Língua Portuguesa: Coesão e Coerência — Antítese

Língua Portuguesa Coesão e Coerência — Antítese

Cebraspe 2025 Superior

Instituto Rio Branco (IRBr) — Ministério das Relações Exteriores · Diplomata (Terceiro Secretário)

Resposta obtida por resolução técnica — sem correção automática

Texto-base:
Há oito anos Antonio Candido nos deixou — ou pareceu deixar. No entanto, há ausências que pesam como presenças. Sua crítica continua agindo. Candido não saiu: se transformou em método, em escuta, em atenção. Em compromisso com o que ainda falta realizar. Na sua escrita não havia medo do Brasil. Havia enfrentamento. O país das desigualdades, das injunções coloniais, da dor transformada em paisagem — esse país era objeto de estudo, mas também de lamento e de luta. A crítica não era neutralidade, era trincheira. E a literatura, longe de ser luxo, era direito: o direito de experimentar o mundo para além do necessário. O direito ao supérfluo que nos humaniza. Contudo, sua grandeza não vinha só daquilo que dizia, mas de como dizia. Candido via a literatura como um fenômeno enraizado nas condições concretas da vida, mas dotado de autonomia relativa e complexidade formal. Nenhum arroubo de vaidade, nenhuma fome de autoridade. Só o ensaio, como forma tateante de pensar. Uma crítica que girava em torno do objeto, que o rodeava até que ele se revelasse por suas fissuras. Nada de fórmulas prontas, nenhuma teoria imposta como camisa de força. Apenas a disposição de escutar os textos como quem escuta um povo. Sua dialética não era ostentação, mas prática silenciosa. Estava no gesto de alternar os polos — local e universal, ordem e desordem, cultura e barbarização — não para conciliá-los, mas para mostrar que é da fricção que nasce a forma. Pensar dialeticamente, para ele, era recusar as falsas harmonias. Era compreender que os contrários não se anulam: se atravessam, se transformam, se disputam. Sua crítica era uma coreografia do conflito — um modo de pensar o Brasil sem amputar suas tensões constitutivas. Uma dialética de baixa voz, mas de alta potência. Candido não nos deu respostas. Nos deu um modo de perguntar. E é esse modo — lúcido, sereno, apaixonado — que nos falta. Não como ausência melancólica, mas como horizonte possível.
Gabriel Teles. Antonio Candido: oito anos de uma ausência presente. In: Le Monde Diplomatique Brasil, ed. 216, maio/2025.

Julgue os itens seguintes, com base no texto precedente.

O conjunto de antíteses ao longo do texto produz a coesão e a coerência interna que reforçam o argumento central do autor, expressando o conceito de dialética por ele atribuído ao trabalho crítico de Antonio Candido: “Uma dialética de baixa voz, mas de alta potência” (vigésimo quarto período).
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

As antíteses sustentam a ideia de dialética e a coerência do texto.

O texto usa antíteses (ausência/presença, local/universal, ordem/desordem, baixa voz/alta potência) para expressar a dialética dos contrários que o autor atribui a Candido. Elas conferem coesão e coerência ao argumento central.

Análise das alternativas

Certo: as antíteses materializam o conceito de dialética. Errado: desconsideraria o papel dessas oposições no texto.

Referência: Gabriel Teles, Le Monde Diplomatique Brasil, 2025.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Ver gabarito

Resposta por resolução técnica: Certo

Não havia gabarito nos documentos da prova.

Fonte: Resolução técnica: Resolução técnica local — item 40