Gabarito disponível
"O primeiro passo que proponho, para sair deste dilema, [...] é inverter a pergunta mais óbvia. Ao invés de perguntarmo-nos 'se a história tem um sentido', coloquemos antes de tudo a interrogação: 'como chegamos a pensar que a história tenha sentido?'" (BODEI, Remo. A História tem um sentido? Bauru: EDUSC, 2001,p. 15).
"[...] os bem ressuscitados alegres, os mal ressuscitados tristes, começarão a caminhar todos para o lugar do Juízo". (VIEIRA, Antônio. "Sermão da Primeira Dominga do Advento", 1650, in FRANCO, José Eduardo & CALAFATE, José (Dir.) Sermões do Advento, do Natal e da Epifania. Tomo II, Vol. I. (Obra Completa do Padre Antônio Vieira). São Paulo: Loyola, 2014, p. 153).
Este trecho, de autoria do jesuíta Antônio Vieira, personagem fundamental na história luso-brasileira do século XVII, indica um determinado sentido histórico que corresponde a uma forma específica de compreender as transformações e significados da passagem do tempo. Sobre essa forma específica, é correto afirmar que
Resolução comentada
Visão teleológica cristã da história, recorrente na Idade Média.
O sermão de Vieira trata da ressurreição e do Juízo Final, isto é, de uma história com começo, meio e fim, dirigida a um desfecho providencial. Essa concepção teleológica cristã marcou a Idade Média e se prolongou na Época Moderna.
Análise das alternativas
A) Errada: a visão cíclica é típica da Antiguidade grega, não do sentido escatológico cristão. C) Errada: a ideia de virtude e de transformação possível da realidade remete ao humanismo e a Maquiavel, não ao Juízo Final. D) Errada: a evolução pela razão é própria do Iluminismo, e o texto tem fundo religioso. E) Errada: a história metódica do século XIX trata de método científico, e não de sentido providencial.
Referência: BODEI, Remo. A História tem um sentido?; Vieira, Sermões.
Resolução comentada do VaiConcursos.